Grêmio vence Riestra com um a menos na Sul-Americana 2026
Com Nardoni expulso logo no 2T, o Tricolor jogou na raça, resistiu ao apagão coletivo e arrancou a vitória nos minutos finais com um golaço de Francis Amuzu.


Com Nardoni fora de campo desde o terceiro minuto da etapa final, o Grêmio jogou quarenta e dois minutos numa parede. Resistiu. Sofreu. E venceu. Francis Amuzu, no ângulo, no minuto 87. Vitória sofrida, feia, dramática — e completamente necessária.
Na Arena do Grêmio, no dia 14 de abril, o Tricolor gaúcho superou o Deportivo Riestra por 1 a 0 e conquistou sua primeira vitória na Copa Sul-Americana 2026. O resultado encerrou um jejum de cinco jogos sem vencer em todas as competições. Para uma equipe que chegou à rodada pressionada — após a derrota para o Torque em Montevidéu na estreia —, o triunfo tem um peso muito além dos três pontos.
Isso não é pouca coisa. É sobrevivência.
O vermelho que virou teste de caráter
Estava no terceiro minuto do segundo tempo quando Nardoni entrou de sola em Watson com o pé na altura da cabeça do argentino. Não havia margem para interpretação: cartão vermelho direto, entrada violenta, expulsão justa. Com a vantagem numérica, o Deportivo Riestra passou a mandar no jogo — empurrou, buscou espaços, dominou a posse e a região do campo.
E o Grêmio? Resistiu. Com o bloco baixo que Luís Castro pediu lá do banco, com Marchesín presente nas poucas vezes que o Riestra chegou com perigo real, e com uma organização coletiva que, convenhamos, raramente se viu no Tricolor nos últimos meses. Às vezes, uma expulsão desperta mais do que qualquer análise tática seria capaz de fazer.
O time argentino, que havia estreado na Sul-Americana com empate em casa, tentou aproveitar a superioridade numérica para pressionar. Montou blocos ofensivos, usou as laterais, tentou explorar a linha defensiva gremista — que, para surpresa de muita gente, segurou a peteca com eficiência até que chegasse o momento de Amuzu.
Amuzu e o golaço que salvou a noite
Aos 42 minutos do segundo tempo — o relógio já marcava 87 do total —, José Enamorado avançou pela direita em velocidade e cruzou rasteiro para a área. Francis Amuzu apareceu no momento certo, bateu de primeira com categoria e mandou no ângulo. Os goleiros da Sul-Americana vão preferir não lembrá-lo.
Foi o gol que transformou uma noite de angústia em festa. Foi o gol que colocou o Grêmio na vice-liderança do Grupo F. Não foi bonito durante oitenta e seis minutos. No octagésimo sétimo, foi perfeito.
Para Amuzu, que chegou à Arena com a missão de ser mais do que uma promessa, o gol apareceu na hora que mais importava. O atacante belga, com passagem por Anderlecht e por algumas seleções jovens da Bélgica, tem demonstrado personalidade nas situações decisivas desde que se adaptou ao futebol brasileiro. Um gol com um a menos, nos acréscimos, em jogo de pressão pela Sul-Americana — esse será lembrado.
A atuação não foi das mais vistosas. Mas o Tricolor teve caráter para suportar a pressão e pontaria para decidir. Em noites como essa, é o suficiente.
Grupo F: situação e o que vem pela frente
Com a vitória, o Grêmio chegou a 3 pontos no Grupo F e assumiu a vice-liderança. O Montevideo City Torque, que na estreia havia batido justamente o Tricolor em casa, lidera com campanha perfeita: dois jogos, duas vitórias, seis pontos. A diferença, portanto, ainda é grande.
| Posição | Time | J | P |
|---|---|---|---|
| 1º | Montevideo City Torque | 2 | 6 |
| 2º | Grêmio | 2 | 3 |
| 3º | Palestino | 2 | 1 |
| 4º | Deportivo Riestra | 2 | 1 |
A missão para as próximas rodadas está clara: o Grêmio precisa vencer seus próximos compromissos e torcer para que o Torque tropece. Na fase de grupos da Sul-Americana, os dois primeiros colocados avançam às oitavas de final, e o caminho, embora possível, não é trivial.
Confira como foram os demais brasileiros na segunda rodada continental: o Atlético-MG também venceu sua primeira na Sul-Americana, enquanto o Botafogo arrancou uma virada épica sobre o Racing Club fora de casa. O panorama geral dos grupos pode ser consultado em nossa análise do sorteio da Sul-Americana 2026.
Não é linda, mas é vitória — e é necessária
A equipe de Luís Castro ainda tem problemas sérios. A criação de jogadas continua pobre quando o adversário fecha os espaços — e o Riestra, mesmo sendo um clube modesto, soube explorar a superioridade numérica. A dependência de lampejos individuais para decidir é uma realidade que o treinador precisa encarar com mais urgência do que celebração.
Ganhar com dez jogadores em campo pode dar moral. Mas não resolve o que precisa ser corrigido na prancheta. Há um gap técnico entre o Grêmio e os melhores times do continente que não será preenchido com gols nos acréscimos — por mais geniais que sejam.
Por enquanto, a vitória sobre o Riestra é um passo. Pequeno, sofrido, com mais suor do que inspiração. Mas o futebol também é isso: às vezes você ganha feio, com um a menos, no último minuto, e tem que agradecer. O Grêmio agradeceu. E passou a respirar na Sul-Americana.
No fim, um golaço de Amuzu valeu mais do que qualquer discurso.
Perguntas frequentes
- Quem marcou Grêmio 1x0 Deportivo Riestra?
- Francis Amuzu marcou o gol do Grêmio nos minutos finais do segundo tempo.
- Quem foi expulso no jogo?
- Nardoni, do Grêmio, foi expulso logo no início do segundo tempo e deixou o time com um a menos.
- Como fica o Grêmio na Sul-Americana 2026?
- Primeira vitória da campanha na fase de grupos, somando três pontos conquistados fora do Brasil.
Fonte: CNN Brasil, ESPN, 90min | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


