Virada épica: Botafogo derrota Racing 3x2 nos acréscimos na Sul-Americana
Com gol de Danilo nos acréscimos, Botafogo vira o jogo sobre o Racing em Avellaneda e soma seus primeiros três pontos na Copa Sul-Americana 2026.


Alguém precisava avisar ao Racing que portões fechados não seguram o Botafogo. O time de Franclim Carvalho foi até Avellaneda, levou uma punhalada logo no quinto minuto, se reequilibrou, tomou mais uma, e então fez o que bons times fazem nas noites difíceis: foi lá e ganhou. 3 a 2 no El Cilindro, com gol de Danilo nos acréscimos. Não apaga a Recopa, mas dói no coração alviceleste de uma forma bastante satisfatória.
Os Gols e a Noite Que Precisou de Caráter
O roteiro do primeiro tempo tinha sabor de pesadelo familiar. Santiago Sosa abriu o placar aos 5 minutos — quase um déjà vu de cada vez que o Racing encontrou espaço contra o Fogão nos últimos meses. A diferença desta vez foi que o Botafogo não desmoronou.
Arthur Cabral empurrou o respiro da torcida carioca ao empatar ainda no primeiro tempo, mostrando que chegou para ser referência mesmo quando o jogo não está fácil. Mas o Racing respondeu com Adrián Martínez, que aproveitou cruzamento preciso para recolocar os argentinos na frente: 2 a 1. Parecia que o script ruim iria se repetir.
Aí veio Júnior Santos. Chute rasteiro, diagonal, goleiro sem chance: 2 a 2. A torcida do Botafogo nas ruas do Rio deve ter parado o trânsito. E quando o empate já seria um resultado razoável para quem jogava fora, Danilo foi lá e assinou a virada nos acréscimos. Fim de jogo: Racing 2 x 3 Botafogo.
O Silêncio do Cilindro Ajudou (e Muito)
Como foi analisado antes do confronto, o El Cilindro sem torcida era uma variável rara e favorável. A Conmebol puniu o Racing pelos incidentes com sinalizadores na Libertadores 2025, e o resultado foi um estádio em silêncio absoluto — completamente diferente do caldeirão que costuma pressionar visitantes.
Franclim Carvalho montou um time diferente daquele que empatou com o Caracas na estreia, com cinco desfalques. Mesmo assim, o Botafogo do segundo tempo foi mais dinâmico, mais vertical e mais corajoso do que em qualquer momento da fase de grupos da Libertadores no ano passado. Isso é um sinal positivo que vai além dos três pontos.
Danilo, Cabral e Júnior Santos: Os Nomes da Noite
Danilo foi o melhor em campo, sem discussão. Organizou o meio, acelerou as transições e ainda foi lá colocar o nome na conta quando o time mais precisava. Quem acompanhou o primeiro semestre sofrido do Botafogo sabe o quanto esse nível de atuação do meia estava fazendo falta nas horas difíceis.
Arthur Cabral assumiu a responsabilidade de ser o ponto de referência ofensivo com equipe remontada. Gol, participação na construção, presença física. Está mostrando que a Sul-Americana pode ser o torneio em que finalmente se consolida de vez no clube.
Júnior Santos entrou do banco e mudou a cara do Botafogo. Gol decisivo, mobilidade, pressão alta, capacidade de criar perigo individualmente. É exatamente o perfil que o time precisava para noites áridas como essa.
Números do Jogo
O Botafogo não dominou taticamente a noite inteira — seria desonesto dizer isso. O Racing criou situações reais de perigo, chutou mais no primeiro tempo e manteve organização defensiva sólida no início. Mas o Fogão foi mais eficiente quando importava, converteu três das suas principais chegadas e soube sofrer sem entrar em colapso.
Cinco gols em um jogo disputado com portões fechados, longe de casa, com cinco desfalques: isso é uma partida que o Botafogo de 2025 simplesmente não ganharia. A reviravolta em Avellaneda é, acima de tudo, um teste de mentalidade aprovado.
| Estatística | Racing | Botafogo |
|---|---|---|
| Gols | 2 | 3 |
| Chutes no gol | 6 | 5 |
| Posse de bola | 54% | 46% |
| Faltas cometidas | 14 | 11 |
O Que Muda Para o Botafogo no Grupo E
Com essa vitória, o Botafogo salta para 4 pontos no Grupo E da Sul-Americana 2026, assumindo a liderança provisória da chave à frente do próprio Racing, que segue com 3. A classificação às oitavas ainda está longe de ser garantida — restam quatro rodadas —, mas o ambiente mudou completamente depois de uma estreia sem brilho contra o Caracas.
Franclim Carvalho ainda precisa equilibrar as demandas do Brasileirão com a Sul-Americana, e o calendário não dá trégua. Mas essa vitória em Avellaneda tem um peso além da tabela: ela diz ao grupo que é possível ganhar fora, mesmo com desfalques, mesmo em noite difícil, mesmo diante de um adversário que historicamente soube fazer o Botafogo sofrer.
O próximo desafio do Botafogo na Sul-Americana será em casa, contra o Caracas, onde o time precisará confirmar o bom momento. Se ganhar, cola de vez no G2 da chave e coloca um pé nas oitavas. No Brasileirão, o time volta a campo ainda esta semana para manter o ritmo em uma temporada que começa a ganhar forma.
Fontes: Gazeta Esportiva, VAVEL Brasil, Lance!
Fonte: Gazeta Esportiva, VAVEL Brasil, Lance! | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


