Flamengo: avaliar Jardim exige cobrar também a direção
A decisão de avaliar Jardim e Boto ao fim da temporada, relatada pelo UOL, abre uma cobrança necessária: Neide defende critérios que alcancem o banco e quem planeja o futebol.
Neide Ferreira5 min de leitura
O Flamengo faz bem em evitar uma demissão por impulso, mas precisa transformar a espera numa avaliação que alcance também a direção. Se Leonardo Jardim será cobrado ao fim da temporada, José Boto e quem aprova o planejamento precisam responder por suas escolhas. Minha posição é essa: dar tempo ao treinador pode ser sensato; deixar os critérios para depois seria desperdiçar esse tempo.
O ponto de partida é uma informação publicada pelo UOL neste sábado, 24 de outubro. Segundo a reportagem, o clube não pretende dispensar Jardim agora e planeja avaliar seu trabalho e o de Boto ao término do ano. Trata-se de apuração jornalística sobre a intenção da diretoria, sem anúncio de demissão ou renovação.
Flamengo precisa dizer o que espera de Jardim
Na minha leitura, adiar uma decisão faz sentido quando existe uma pergunta a responder. O treinador consegue melhorar o funcionamento do time? As escolhas de jogadores combinam com o futebol que pretende construir? A equipe oferece alternativas quando o adversário fecha os espaços? São critérios que eu cobraria na avaliação, sem fingir acesso às reuniões do clube.
Há um motivo concreto para discutir isso. Na coletiva após a eliminação para o Estudiantes, relatada por Lance! em 23 de outubro, Jardim reconheceu a pouca produção ofensiva. A dificuldade já motivava nossa coluna sobre a criação depois da partida de ida. Aquele texto discutia uma semifinal aberta; agora, a questão é como esse problema entra no balanço do trabalho.
Eu daria mais peso à capacidade de corrigir dificuldades identificáveis do que a uma entrevista convincente. A comissão precisa explicar suas escolhas e produzir respostas em campo. Cobrar isso não exige transformar cada reserva em salvador nem atribuir falta de empenho a jogadores sem evidência.
Boto e a direção também precisam prestar contas
O UOL informa que Jardim tem contrato até dezembro de 2027 e Boto até o fim de 2026. A contratação de Jardim, anunciada em março, marca o início desse ciclo. Os prazos diferentes tornam ainda mais importante discutir o planejamento de forma conjunta. Quem prepara a próxima temporada precisa saber quais ideias pretende sustentar e quem terá a responsabilidade de executá-las.
Defendo uma avaliação que conecte contratação, renovação e utilização do elenco. Se o treinador recebe peças para determinada proposta, é justo cobrar que encontre uma maneira de aproveitá-las. Também é justo perguntar à direção qual problema cada decisão buscava resolver. Não basta oferecer uma lista de nomes e depois exigir que o banco produza qualquer modelo de jogo.
Isso é uma proposta de cobrança, não a afirmação de que houve determinada exigência ou promessa interna. O torcedor não conhece todos os documentos e conversas. Justamente por isso, a explicação pública precisa ser compreensível: quais escolhas deram resultado, quais falharam e o que será corrigido? Responsabilidade não deveria terminar na porta da sala do treinador.
O orçamento também faz parte da conversa
Uma reportagem do ge publicada neste sábado acrescenta uma distinção útil: chegar à semifinal cumpriu a meta orçamentária da Libertadores, mas a queda retirou a possibilidade de uma receita extraordinária que ajudasse a compensar frustrações em outras linhas do orçamento.
Cumprir uma previsão financeira e entregar o desempenho esportivo esperado são avaliações diferentes. Uma não encerra a discussão da outra. Minha cobrança é que a direção apresente ambas com clareza, sem usar uma eventual premiação para dispensar a revisão de decisões anteriores.
Também seria injusto exigir uma contratação sem discutir sua viabilidade. Planejamento responsável precisa estabelecer prioridades e limites antes da janela. A torcida pode acompanhar o que resta da temporada pela agenda do portal e pela tabela do Brasileirão. O calendário continua, enquanto as decisões sobre o futuro precisam amadurecer.
O argumento pela continuidade merece ser levado a sério
O contra-argumento mais forte é que uma nova troca pode interromper correções e transferir a responsabilidade para o sucessor. Concordo. Não defendo uma demissão automática após uma eliminação. Jardim assumiu sua responsabilidade na coletiva, como registra também a Gazeta Esportiva em 23 de outubro. Esse compromisso merece ser confrontado com o trabalho seguinte.
Continuidade precisa vir acompanhada de cobrança verificável. Eu esperaria coerência nas escolhas, uma resposta aos problemas ofensivos reconhecidos e uma direção capaz de explicar o plano que sustenta. Nenhum desses critérios depende de prometer um título para provar que existe trabalho.
Minha posição é manter a avaliação ampla e começar agora. O Flamengo pode chegar a dezembro decidindo pela permanência ou pela mudança. O que precisa evitar é chegar lá com o mesmo debate reduzido a um nome. Quem escolhe o caminho também deve explicar a viagem.
Fonte: UOL (24/10), ge (24/10), Lance! e Gazeta Esportiva (23/10); consultados em 24/10/2026 · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Persona editorial
Este nome identifica uma persona editorial do Beira do Campo, usada para organizar conteúdos por tema e estilo. A produção utiliza inteligência artificial e consulta fontes citadas nas matérias. Não representa um currículo profissional ou uma pessoa com as credenciais de uma redação tradicional.


