Flamengo: empate com Estudiantes exige resposta na criação
O zero a zero em La Plata preservou a disputa pela final, mas o ataque sem finalização no alvo pede correção. Neide defende uma cobrança sobre o funcionamento coletivo antes de discutir salvadores.
Neide Ferreira5 min de leitura
O Flamengo precisa tratar a falta de criação como problema coletivo antes de escolher um culpado ou um salvador. O empate com o Estudiantes preservou a disputa pela final da Libertadores, mas a resposta ofensiva ficou devendo. Minha cobrança a Leonardo Jardim começa aí: oferecer caminhos para o time ameaçar o gol, sem depender de uma jogada individual que resolva tudo por inspiração.
O jogo de ida terminou em 0 a 0 na quinta-feira, 15 de outubro, em La Plata, conforme o relato oficial do Flamengo. A notícia foi publicada na madrugada desta sexta. A cobertura de pré-jogo do portal apresentou aquele primeiro compromisso; agora, o resultado permite discutir o que precisa melhorar para a segunda partida.
O Flamengo precisa fazer a bola chegar em condição de finalização
A Gazeta Esportiva registrou zero finalizações rubro-negras no alvo. O dado encontra respaldo na análise publicada pelo UOL após o jogo, que também aponta a ausência de uma conclusão capaz de exigir defesa de Muslera. É um ponto concreto para começar a cobrança, sem precisar inventar falta de vontade.
Um ataque pode terminar uma partida sem marcar apesar de produzir boas oportunidades. Acertar o alvo também não mede sozinho a qualidade de uma atuação: há bolas bloqueadas, tentativas perigosas para fora e decisões que uma estatística isolada não explica. Ainda assim, passar o confronto sem obrigar o goleiro a defender limita demais a maneira de buscar uma vitória.
Eu cobraria da comissão técnica uma revisão das opções oferecidas a quem recebe a bola. O portador encontra apoio perto? Há alguém disponível entre os marcadores? O atacante recebe de frente, em movimento, ou precisa resolver cercado? Essas são perguntas para orientar a preparação. Não são afirmações de que todos esses problemas ocorreram em cada lance de La Plata.
A defesa merece crédito, e o ataque continua precisando de trabalho
O relato do clube registra intervenções de Rossi e bloqueios de Léo Pereira e Alex Sandro. Preservar o placar diante da pressão adversária tem mérito. Na minha leitura, reconhecer esse trabalho também ajuda a fazer uma cobrança justa: a equipe conseguiu sustentar uma parte da disputa e precisa ampliar o que oferece com a bola.
Seria cômodo transformar o empate em certificado de que tudo funcionou. Também seria exagerado decretar fracasso numa semifinal ainda aberta. Prefiro uma avaliação com duas perguntas objetivas: o que permitiu evitar a derrota e o que faltou para ameaçar o adversário? Uma resposta não apaga a outra.
Essa separação precisa chegar ao treino. Defender bem não deveria exigir que toda recuperação termine num alívio sem continuidade. Atacar melhor também não pede abandonar os cuidados que mantiveram a equipe na disputa. O desafio que proponho é construir uma saída que permita respirar com a bola e escolher o momento de avançar, em vez de tratar cada posse como uma urgência.
A discussão sobre o centroavante precisa incluir o passe
Bruno Henrique começou a partida, e Pedro entrou durante o segundo tempo, de acordo com as escalações e substituições registradas pelas fontes. A escolha do homem de referência merece discussão. Mas trocar o nome do atacante, por si só, não oferece uma explicação suficiente para o funcionamento ofensivo.
Minha preferência seria avaliar a relação entre as peças antes de montar um tribunal de preferências. Um centroavante pode pedir profundidade; outro pode ganhar mais com a bola chegando na área. Em qualquer desenho, a equipe precisa criar a condição para que aquela qualidade apareça. Escolher um jogador e esperar que ele se adapte a toda situação deixa responsabilidade demais na última ação.
O debate recente sobre espaço para De la Cruz já ajuda a lembrar que a discussão do elenco passa também pelo meio-campo. Isso não transforma nenhum reserva em solução garantida. Meu ponto é cobrar coerência entre quem Jardim escolhe, como pretende avançar e quais aproximações deseja construir.
O argumento do resultado tem valor e tem limite
O contra-argumento é forte: uma semifinal fora de casa pode exigir prudência, e sair sem desvantagem mantém boas possibilidades para a volta. Concordo com essa parte. O Flamengo não ficou obrigado a buscar uma virada no segundo encontro. Esse benefício existe e deve entrar na avaliação.
Mas o resultado não garante que repetir a atuação produzirá o mesmo desfecho. Há um adversário capaz de ajustar sua estratégia e uma partida que ainda precisa ser jogada. Confundir sobrevivência com domínio seria preparar a cobrança errada para o Maracanã. O apoio da torcida pode ajudar; não substitui uma opção de passe.
A volta será no Maracanã, em 22 de outubro, segundo o Flamengo. A fonte oficial informa que outro empate leva aos pênaltis; o funcionamento geral está no guia do mata-mata da Libertadores. A programação pode ser acompanhada na agenda do portal.
Minha posição é cobrar uma evolução identificável na criação, com mais alternativas para quem conduz e melhores condições para quem conclui. A defesa preservou a oportunidade. Cabe ao trabalho coletivo fazer o ataque participar mais dela. Transformar o Maracanã em promessa de solução automática seria pedir à arquibancada uma tarefa que pertence ao time.
Fonte: Flamengo, Gazeta Esportiva e UOL; consultados em 16 de outubro de 2026 · informações adicionais por Beira do Campo
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