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Internacional

Inglaterra x Argentina: semifinal da Copa 2026 tem revanche

Inglaterra e Argentina voltam a se encontrar num mata-mata de Copa do Mundo pela primeira vez desde 1998. A semifinal de quarta em Atlanta reabre a rivalidade de Maradona, Beckham e das Malvinas — com Messi e Bellingham no papel de herdeiros da história.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos6 min de leitura
Inglaterra x Argentina: semifinal da Copa 2026 tem revanche
Ilustração — Atlanta recebe Inglaterra x Argentina pela semifinal da Copa do Mundo 2026

Existe um confronto que o futebol guarda numa gaveta especial, daquelas que só se abrem quando a história decide cobrar juros. Inglaterra x Argentina é esse jogo. Nesta quarta-feira, 15 de julho, às 16h de Brasília, no Mercedes-Benz Stadium de Atlanta, as duas seleções voltam a se cruzar num mata-mata de Copa do Mundo pela primeira vez desde 1998 — e trazem na bagagem quase quatro décadas de mão de Deus, cartão vermelho, pênaltis e uma guerra que nenhuma bola jamais conseguiu apagar do imaginário dos dois povos.

De um lado, a Argentina de Lionel Messi, última sobrevivente sul-americana e viva graças à teimosia de sempre. Do outro, a Inglaterra de Thomas Tuchel, que chega embalada pela mão de um só homem: Jude Bellingham. A vaga na final de Nova Jersey está em jogo, mas há coisas que, entre esses dois países, nunca são só sobre a próxima partida.

Ficha técnica

JogoInglaterra x Argentina
CompetiçãoCopa do Mundo 2026 — Semifinal
DataQuarta-feira, 15 de julho de 2026
Horário16h (Brasília)
LocalMercedes-Benz Stadium, Atlanta (EUA)
Onde assistirGlobo, SporTV e CazéTV

Como as duas chegaram até aqui

Nenhuma das duas semifinalistas chegou passeando. A Argentina precisou de prorrogação para superar a Suíça no sábado, exatamente o tipo de adversário chato que já derrubou favorito antes e que quase repetiu a dose. Foi mais um capítulo do roteiro que a seleção de Messi vem escrevendo desde as oitavas, quando virou sobre o Egito por 3 a 2 — sofrendo até o apito final, mas passando. Como lembramos na análise sobre a última esperança sul-americana na Copa, a Argentina carrega o continente inteiro nas costas.

A Inglaterra teve trajetória parecida em intensidade. Contra a Noruega de Erling Haaland, precisou dos dois gols de Bellingham — um deles já na prorrogação — para não naufragar no Hard Rock Stadium. Foi uma classificação de teimosia, não de brilho coletivo, como detalhamos no relato de Inglaterra 2 x 1 Noruega. Tuchel ainda busca a versão mais fluida do seu time, mas tem no camisa 5 do Real Madrid um jogador em estado de graça — e isso, num mata-mata, às vezes basta.

Do outro lado do chaveamento, França e Espanha decidem a outra vaga na final na terça. O vencedor de Atlanta já sabe que, do outro lado da decisão, encontrará um gigante europeu.

A história que ninguém esquece

Aqui é onde este jogo deixa de ser apenas mais uma semifinal. Inglaterra e Argentina se encontraram cinco vezes em Copas do Mundo, e o retrospecto favorece os ingleses: três vitórias inglesas, uma argentina e um empate. Mas os números escondem o essencial, porque nenhuma dessas partidas foi lembrada pelo placar.

Foi em 1986, nas quartas de final do México, que o confronto ganhou eternidade. A Argentina venceu por 2 a 1 com dois gols de Diego Maradona que resumem a alma contraditória do futebol: o primeiro, a "mão de Deus", tocado ilegalmente com o punho diante de um árbitro distraído; o segundo, uma corrida de mais de sessenta metros driblando meia Inglaterra, escolhido por muitos como o gol mais bonito da história das Copas. Maradona depois admitiu que aquilo tinha peso além da bola — vinha logo depois da Guerra das Malvinas, e ele mesmo disse sentir que estava "recuperando algo" para o país.

Doze anos depois, em 1998, veio o segundo ato. Nas oitavas, na França, um 2 a 2 dramático terminou nos pênaltis. Antes disso, uma falta de Diego Simeone provocou a reação de um David Beckham de 23 anos, que respondeu com um leve pontapé no chão. Simeone se atirou, o árbitro expulsou o inglês, e o goleiro Roa fez o resto na disputa por pênaltis: Argentina 4 a 3, e Beckham virou o vilão da Inglaterra da noite para o dia.

A revanche saiu em 2002, na fase de grupos da Copa da Coreia e Japão. Do ponto de penalti, o mesmo Beckham — agora capitão e redimido — bateu no ângulo certo do goleiro e deu à Inglaterra o 1 a 0 que ajudou a eliminar a Argentina ainda na primeira fase. Foi o último capítulo entre as duas em Mundiais. De lá para cá, 24 anos de espera para reeditar a rivalidade justo numa semifinal.

Escalações prováveis

As escalações são prováveis e podem mudar até a bola rolar. Do lado argentino, a dúvida de Lionel Scaloni segue sendo o equilíbrio entre o peso de Messi e a energia da nova geração. Na Inglaterra, Tuchel precisa decidir se dá liberdade a Bellingham como armador ou se o mantém mais recuado para blindar a saída argentina.

Pontos táticos

O jogo tende a girar em torno de uma pergunta simples: quem controla o meio-campo? A Argentina tem em Enzo Fernández, De Paul e Mac Allister um dos trios mais completos do torneio, acostumado a ditar ritmo e sufocar a saída de bola adversária. A Inglaterra responde com a musculatura de Declan Rice e a liberdade de Bellingham, mas ainda não mostrou a mesma organização coletiva.

Nos flancos mora o perigo inglês: Bukayo Saka e Phil Foden são capazes de decidir num lance isolado, e a Argentina sabe que Tagliafico e Montiel terão trabalho dobrado. Já Messi, mesmo aos 39 anos, segue como o homem que transforma um jogo travado num passe só — divide com Kylian Mbappé a artilharia da Copa, com oito gols, e não veio até aqui para ser coadjuvante.

Se Harry Kane encontrar espaço entre os zagueiros argentinos, a Inglaterra tem o gol garantido de um centroavante nato. Se não encontrar, o duelo pode se arrastar para onde a Argentina se sente em casa: os detalhes, os nervos e, quem sabe, os pênaltis.

Palpite

É a semifinal de dois times que chegaram sofrendo, e isso raramente produz goleada. Espera-se um jogo tenso, decidido no detalhe, com a Argentina levando ligeira vantagem pela qualidade do meio-campo e pela veterania de quem já venceu tudo o que havia para vencer. Mas a Inglaterra tem Bellingham no melhor momento da carreira, e num mata-mata isso é quase uma apólice de seguro. Palpite: 1 a 1 no tempo normal, com a Argentina avançando — de novo — nos detalhes. A história, afinal, adora se repetir entre esses dois.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Que horas é Inglaterra x Argentina na Copa 2026?
A semifinal está marcada para quarta-feira, 15 de julho, às 16h de Brasília, no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.
02
Onde assistir Inglaterra x Argentina ao vivo?
A transmissão no Brasil fica com a Globo, o SporTV e a CazéTV, no YouTube.
03
Qual a escalação provável da Argentina?
Emiliano Martínez; Montiel, Romero, Lisandro Martínez, Tagliafico; De Paul, Enzo Fernández, Mac Allister; Messi, Julián Álvarez e Thiago Almada.
04
Quando foi o último Inglaterra x Argentina em Copa do Mundo?
Em 2002, na fase de grupos, quando a Inglaterra venceu por 1 a 0 com gol de pênalti de David Beckham. Em mata-mata, o último foi 1998.
05
Quem venceu mais vezes o confronto em Copas?
A Inglaterra leva vantagem: em cinco jogos de Copa, são três vitórias inglesas, uma argentina e um empate — este com classificação da Argentina nos pênaltis, em 1998.

Fonte: Itatiaia, Terra, O Tempo, FIFA, Exame · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.