Amistosos pré-Copa 2026: França e Espanha tropeçam
A uma semana da estreia, as favoritas vacilaram: a França, número 1 do ranking da FIFA, perdeu de virada para a Costa do Marfim, e a Espanha desperdiçou 72% de posse para empatar com o Iraque.


A seis dias da bola rolar, os amistosos pré-Copa 2026 entregaram o primeiro susto às cotadas a levantar a taça em julho. Na quinta-feira (4), França e Espanha — primeira e segunda colocadas do ranking da FIFA — deixaram escapar resultados que ninguém apostaria no papel. Os Bleus perderam de virada em casa para a Costa do Marfim, e a Fúria não passou de um empate sem brilho diante do Iraque. Dois recados curtos para quem chega ao Mundial dos Estados Unidos, Canadá e México na condição de favorito.
França cai em casa para a Costa do Marfim
O tropeço mais barulhento veio em Nantes. No Stade de la Beaujoire, a França de Didier Deschamps saiu na frente com Rayan Cherki, que abriu o placar ainda no fim do primeiro tempo. O roteiro, porém, virou na etapa final: Guéla Doué empatou aos 53 minutos e Amad Diallo, atacante do Manchester United, decretou a virada da Costa do Marfim aos 84. Placar final: 1 a 2 para os Elefantes, dentro de território francês, como mostrou o Lance!.
E aqui mora o detalhe que muda o peso do resultado. A Costa do Marfim não é figurante. O time de Emerse Faé é o atual campeão africano, voltou à Copa depois de 12 anos e desembarca no Mundial dentro do Grupo E, ao lado de Alemanha, Equador e Curaçao. Com um meio-campo de respeito — Franck Kessié e Ibrahim Sangaré — e Diallo como joia mais valiosa do elenco, os Elefantes provaram que têm cacife para incomodar gente grande. Para Deschamps, foi um teste que cobrou caro a falta de intensidade na reta final.
Espanha desperdiça posse e empata com o Iraque
Em La Coruña, a Espanha viveu outro tipo de frustração. Luis de la Fuente poupou meio time — foram dez ausências de peso, entre lesionados e preservados, incluindo Lamine Yamal, Pedri, Rodri, Nico Williams e Cucurella. Com uma escalação alternativa, a Fúria dominou a bola (72% de posse no primeiro tempo), finalizou mais, mas levou um golaço e ficou no 1 a 1. Ferran Torres marcou para os donos da casa; Deski igualou para os iraquianos.
O empate pesa menos pelo contexto — era um laboratório, não a equipe titular que pretende repetir o domínio da Espanha, apontada como favorita ao título. Ainda assim, ficou a sensação de um ataque que faltou objetividade quando a posse não vira gol. Para De la Fuente, o recado é o oposto do de Deschamps: ele já sabe quem são seus titulares, e o que viu foi o tamanho da dependência deles.
O que valem os tropeços nos amistosos pré-Copa
Antes de transformar amistoso em sentença, convém calibrar a régua. A FIFA confirmou que as 48 seleções classificadas fariam ao menos um jogo-treino antes da estreia, e até a abertura serão 44 amistosos no total. Esses confrontos servem para o técnico rodar elenco, testar formação e fechar a equipe ideal — não para somar pontos. Espanha e França entraram em campo com listas adaptadas, longe da escalação que vão mandar a campo quando o jogo valer.
O que muda é o termômetro de confiança e, no caso francês, a simbologia. A derrota mexe com a liderança do ranking da FIFA às vésperas do Mundial e expõe que o status de número 1 não compra resultado contra adversário motivado. Para um grupo que já tem a lista dos 26 fechada desde o prazo final das convocações, o recado é tático antes de ser psicológico: ajustar a marcação e a transição, não entrar em pânico.
Próximos testes antes da estreia
A rodada de amistosos segue quente até o dia 10, véspera da abertura do Mundial em 11 de junho. Nos próximos dias entram em cena outras candidatas e seleções que vão tentar evitar o mesmo vexame das favoritas — caso da Argentina de Messi e Scaloni, que encerra a preparação em solo americano. Quem quiser acompanhar a maratona pode conferir o guia de onde assistir à Copa do Mundo 2026.
No fim, o placar de quinta-feira não elimina ninguém. Mas serve de lembrete de que, em junho, não existe favorito blindado: a bola, como sempre, ignora o ranking. A Costa do Marfim que o diga.
Fonte: Lance!, Band, oGol | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


