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Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo 2026: a sexta e última

Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo lidera Portugal rumo à sua sexta Copa do Mundo — um recorde que dividirá com Messi. No Grupo K, o craque encara o último capítulo de uma carreira que se confunde com a história do futebol.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo 2026: a sexta e última
Cristiano Ronaldo vai à sua sexta Copa do Mundo aos 41 anos — Foto: Reprodução / Wikipedia

Existe um tipo de despedida que o futebol guarda só para os imortais. Não é a do jogador que some sem aviso, nem a do craque que se arrasta por uma temporada a mais do que devia. É a despedida anunciada, marcada no calendário, esperada por meio planeta. A de Cristiano Ronaldo na Copa do Mundo 2026 pertence a essa categoria rara. Aos 41 anos, o capitão de Portugal embarca para os Estados Unidos com a certeza de que esta será a sexta — e última — vez que o seu nome aparecerá na lista de um Mundial.

Roberto Martínez já cravou: Ronaldo lidera o grupo que o selecionador anunciou em 19 de maio, e nesta terça-feira (2 de junho) se encerra o prazo da FIFA para que cada seleção entregue a relação definitiva de 26 jogadores. Não houve suspense sobre o nome principal. Houve, sim, a sensação de assistir a algo que não se repetirá.

A sexta Copa de um recordista

Quando Portugal entrar em campo na fase de grupos, Cristiano Ronaldo se tornará um dos primeiros jogadores da história a disputar seis Copas do Mundo. Ele estreou em 2006, na Alemanha, ainda como o garoto de cabelo arrumado e dribles em excesso. De lá para cá, foram África do Sul (2010), Brasil (2014), Rússia (2018) e Catar (2022). Agora, 2026.

O clube dos seis Mundiais terá exatamente dois sócios — e o outro é o velho rival de uma era inteira. Lionel Messi também foi convocado para representar a Argentina, como já contamos quando saiu a lista dos 26 de Scaloni. Os dois maiores jogadores das últimas duas décadas se despedem do palco máximo no mesmo torneio, em continentes que aprenderam a torcer por um deles desde criança. É poesia, ainda que o futebol raramente entregue finais tão simétricos.

Os números de Ronaldo pela seleção continuam fora de escala: maior artilheiro da história de Portugal, com 143 gols em 226 jogos pela camisa das quinas. Nenhum outro jogador chegou perto. A Copa de 2026 não vai mudar o que ele já é — pode, no máximo, escrever o epílogo que faltava.

O Grupo K e o caminho de Portugal

O sorteio colocou Portugal no Grupo K, ao lado de Colômbia, Uzbequistão e República Democrática do Congo. No papel, um grupo que a seleção de Martínez tem obrigação de vencer — mas Copas não se jogam no papel, e a Colômbia de James Rodríguez e companhia é adversário de respeito para a primeira posição.

A estreia está marcada para 17 de junho, contra a RD Congo, às 14h de Brasília, no NRG Stadium, em Houston. A mesma arena do Texas recebe o segundo jogo, contra o Uzbequistão, em 23 de junho. O encerramento da fase de grupos vem contra a Colômbia, em 27 de junho, à noite no horário brasileiro, no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens. A Copa do Mundo começa oficialmente em 11 de junho, no Estádio Azteca, na Cidade do México, e Portugal entra em cena seis dias depois.

A logística sorriu para os portugueses: dois jogos na mesma cidade reduzem o desgaste de viagens num torneio espalhado por três países. Para um elenco que tem o seu líder beirando os 42 anos, cada quilômetro economizado conta.

Uma geração para sustentar o sonho

Seria injusto reduzir Portugal a Cristiano Ronaldo. O selecionador montou um grupo em que o capitão divide o vestiário com talvez a melhor geração de meio-campistas da Europa. Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos chegam embalados pelo título do PSG na Champions League, conquistado dias atrás nos pênaltis sobre o Arsenal. Bruno Fernandes e Bernardo Silva dão a inteligência; Rafael Leão e Pedro Neto, a velocidade pelas pontas; João Félix, a imprevisibilidade.

A leitura tática de Martínez tende a ser pragmática: um meio-campo de posse para alimentar Ronaldo na área e transições rápidas quando o adversário se fechar. A pergunta que ronda Lisboa é se o camisa 7 será titular absoluto ou peça de momentos decisivos — debate impensável uma década atrás, mas natural para um atacante que joga a Saudi Pro League e administra o corpo como um relojoeiro.

Portugal nunca foi tão favorito a sonhar grande com um time tão equilibrado. A Eurocopa de 2016 provou que a seleção sabe vencer mata-mata. Falta, na vitrine de Ronaldo, a única taça que insiste em escapar.

O relógio que não para

Há algo de comovente em ver o jogador que recusou o tempo durante vinte anos finalmente negociar com ele. Ronaldo não corre mais como em 2006, mas ainda decide jogos — e ainda carrega uma nação inteira nas costas. Esta Copa não é sobre provar que ele é o melhor; isso já não interessa. É sobre o fechamento de um ciclo que atravessou cinco Mundiais sem o título mundial.

Quando o prazo da FIFA se encerrou e os 26 nomes foram lacrados, como detalhamos no texto sobre o fim das listas das 48 seleções, ficou claro que a história escolheu o desfecho mais cinematográfico possível. Messi de um lado, Ronaldo do outro, ambos na sexta e última. O futebol não costuma ser tão generoso com a despedida dos seus reis. Desta vez, foi.

Fontes: FIFA, Record e CNN Brasil.

Perguntas frequentes

Quantas Copas do Mundo Cristiano Ronaldo já disputou?
A de 2026 será a sexta da carreira dele, depois de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 — recorde que dividirá com Lionel Messi.
Em que grupo está Portugal na Copa do Mundo 2026?
Portugal caiu no Grupo K, ao lado de Colômbia, Uzbequistão e República Democrática do Congo.
Quando Portugal estreia na Copa do Mundo 2026?
A estreia é em 17 de junho, contra a RD Congo, às 14h de Brasília, no NRG Stadium, em Houston.
A Copa de 2026 é mesmo a última de Cristiano Ronaldo?
Sim. Aos 41 anos, o próprio Ronaldo confirmou que o Mundial de 2026 encerra sua trajetória em Copas do Mundo.

Fonte: FIFA, Record, RTP, CNN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.