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PSG bicampeão da Champions: 4x3 nos pênaltis no Arsenal

Empate em 1 a 1 e 4 a 3 nos pênaltis: o PSG é bicampeão europeu. E coube a dois brasileiros escrever o desfecho em Budapeste — Beraldo converteu a cobrança que encaminhou o bi, Gabriel Magalhães mandou a sua por cima. Dois futuros parceiros de Seleção em lados opostos do abismo.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
6 min de leitura
PSG bicampeão da Champions: 4x3 nos pênaltis no Arsenal
PSG conquista o bicampeonato da Champions sobre o Arsenal em Budapeste — Foto: Reprodução / UEFA

Havia algo de cruel e de bonito naquele último pênalti. Gabriel Magalhães, o zagueiro brasileiro que o mundo aprendeu a respeitar em Londres, recuou os passos, correu e mandou a bola por cima do travessão da Puskás Aréna. No instante seguinte, a Budapeste de luzes douradas explodiu em azul e vermelho: o PSG é bicampeão da Champions, depois de um 1 a 1 que se arrastou até a prorrogação e se resolveu nos 4 a 3 da marca da cal. O troféu ficou em Paris pela segunda temporada consecutiva — e o roteiro foi escrito, em suas linhas finais, por dois brasileiros que daqui a poucos dias vão dividir a mesma zaga na Copa.

Foi a confirmação de tudo o que esta coluna vinha desenhando desde a final com sotaque brasileiro: Budapeste não decidiu apenas quem reina na Europa, decidiu também qual emoção os nossos levariam para o Mundial. Beraldo levou a euforia. Gabriel, o nó na garganta.

Como o PSG se tornou bicampeão da Champions

O jogo começou da pior forma possível para quem apostava no favoritismo francês. Aos seis minutos, Kai Havertz apareceu livre na frente de Lucas Chevalier e não desperdiçou: 1 a 0 Arsenal, o silêncio incômodo de quem viu o plano sair do trilho cedo demais. Era o cenário com que Mikel Arteta sonhou a vida inteira — sair na frente e fechar a casa, exatamente o que aquela defesa fez durante toda a campanha.

O PSG, porém, é um time que aprendeu a sofrer junto. Controlou a posse, empurrou o Arsenal para o próprio campo e foi premiado aos 65 minutos, quando Khvicha Kvaratskhelia foi derrubado por Cristhian Mosquera dentro da área. Ousmane Dembélé assumiu a responsabilidade, deslocou David Raya e empatou: 1 a 1. Daí em diante, o duelo virou o que o futebol tem de mais tenso e mais injusto — duas equipes exaustas se anulando até que a sorte, disfarçada de pênalti, escolhesse um lado.

A prorrogação não mudou o placar. Restou a loteria. E nela, o PSG foi mais frio: Gonçalo Ramos, Désiré Doué, Achraf Hakimi e Lucas Beraldo converteram suas cobranças. Do lado inglês, Eberechi Eze parou no travessão emocional do jogo e Gabriel Magalhães mandou a última para a arquibancada. 4 a 3, e o bi consumado.

Beraldo marca, Gabriel perde: o duelo brasileiro que decidiu

Aqui mora a história que vai sobreviver a este resultado. Quando o levantamento dos seis brasileiros na final virou pauta, o roteiro mais improvável era justamente este: que a decisão passasse pelos pés de dois deles, em extremos opostos da mesma moeda.

Lucas Beraldo, o jovem que entrou na temporada como peça de rodízio na zaga de Luis Enrique, bateu com a serenidade de quem já jogou mil finais. Marquinhos, capitão, ergueu a taça pela segunda vez — silencioso e essencial, como sempre. Do outro lado, Gabriel Magalhães carregou o peso de ter sido, ao mesmo tempo, um dos melhores zagueiros do torneio e o homem da cobrança que não entrou. Futebol não costuma ter piedade dessas simetrias.

O detalhe que torna tudo mais saboroso: Marquinhos e Gabriel formam, no projeto de Carlo Ancelotti, a dupla de zaga titular do Brasil para o Mundial. Os mesmos nomes que apareceram lado a lado quando a Seleção foi convocada em números chegarão à concentração com bagagens emocionais opostas. Caberá ao treinador italiano transformar a euforia de um e a frustração do outro em liga de vestiário.

Os números do bi parisiense

O título coroa uma campanha de proporções históricas. Os 44 gols que o PSG marcou ao longo da Champions — a segunda maior marca de uma única edição, como mostrou a análise estatística da final — viraram troféu mesmo num jogo em que o ataque emperrou. É a prova de que campeão não é só quem joga bonito, mas quem resolve quando o jogo fica feio.

Do lado do Arsenal, fica o gosto amargo do quase. O time voltava a uma final continental depois de 20 anos, desde a derrota para o Barcelona em 2006, e construiu a caminhada sobre a defesa mais sólida do torneio e os nove jogos sem sofrer gols de Raya. Perder assim, na trave da loteria, é o tipo de cicatriz que define uma geração — para o bem, se servir de combustível; para o mal, se virar trauma.

E há a marca maior: ao confirmar o bicampeonato, o PSG se tornou o primeiro clube a vencer a Champions em temporadas seguidas desde o Real Madrid de 2016 a 2018. O projeto parisiense, tantas vezes ridicularizado como dinheiro sem alma, agora tem duas orelhudas consecutivas para calar o debate.

O que vem agora: a Copa muda tudo

A bola mal parou de rolar em Budapeste e o calendário já empurra todos para o mesmo destino. Não há tempo para ressaca de campeão nem para luto de vice: a Copa do Mundo de 2026 está logo ali, e os protagonistas desta noite trocam de camisa em questão de dias.

Dembélé veste o azul da França. Saka, Rice e Havertz se apresentam à Inglaterra. Hakimi puxa o Marrocos. E o duelo brasileiro de Budapeste vira reencontro: Marquinhos, Beraldo e Gabriel Magalhães vão dividir o mesmo vestiário verde-amarelo, agora do mesmo lado. Se Ancelotti souber usar o que cada um traz na mochila depois desta final, o Brasil pode ter encontrado, no gramado húngaro, a química que ainda lhe faltava. O relatório completo da decisão está no site da UEFA e na cobertura da ESPN.

Budapeste apagou as luzes com o PSG bicampeão e o Arsenal de joelhos. Mas a sensação é de que a noite foi apenas o prólogo. O verdadeiro espetáculo, com todos esses personagens, começa agora — e desta vez, com a taça mais cobiçada de todas em disputa.

Perguntas frequentes

Qual foi o resultado da final da Champions League 2026?
PSG e Arsenal empataram em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e o PSG venceu por 4 a 3 nos pênaltis, conquistando o bicampeonato europeu.
Quem marcou os gols da final entre PSG e Arsenal?
Kai Havertz abriu o placar para o Arsenal aos 6 minutos e Ousmane Dembélé empatou de pênalti aos 65 para o PSG.
Quem perdeu o pênalti decisivo da final da Champions?
Gabriel Magalhães, do Arsenal, mandou a quinta cobrança por cima do travessão e deu o título ao PSG. Eberechi Eze também havia desperdiçado a dele.
Onde foi disputada a final da Champions 2026?
Na Puskás Aréna, em Budapeste, na Hungria, no sábado, 30 de maio de 2026.
Quantos títulos da Champions o PSG tem?
Dois, conquistados em temporadas seguidas (2025 e 2026). O PSG é o primeiro clube a repetir o título desde o Real Madrid, que venceu três vezes entre 2016 e 2018.

Fonte: UEFA, ESPN, Sky Sports, Yahoo Sports, CNN | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.