Crise do Internacional: fora do Z4 apenas pelo saldo de gols
O Inter tem os mesmos 21 pontos de Vasco e Remo e só não está na zona de rebaixamento porque tomou quatro gols a menos que um e cinco a menos que o outro. São quatro derrotas seguidas, e o calendário de agosto é o pior possível para um time que precisa de trégua.
Neide Ferreira5 min de leitura
A crise do Internacional não está no discurso, não está na entrevista coletiva e não está na nota oficial. Está numa coluna da tabela que ninguém do clube gosta de citar: o saldo de gols. O Inter tem 21 pontos. O Vasco tem 21 pontos. O Remo tem 21 pontos. Os três estão separados por nada — a não ser pelo fato de o Colorado ter tomado quatro gols a menos que o Vasco e cinco a menos que o Remo ao longo de 20 rodadas. É só isso que mantém o Internacional no décimo sexto lugar em vez do décimo sétimo.
E o décimo sétimo é o Z4.
A crise do Internacional cabe em um critério de desempate
Vamos ser honestos com a matemática. Cinco vitórias, seis empates, nove derrotas, 22 gols marcados e 26 sofridos. Saldo de -4. É o desempenho de um time de rebaixamento com sorte de defesa razoável, não o de um time de meio de tabela que passou por um momento ruim.
Eu já escrevi aqui que a briga contra a queda em 2026 tem doze participantes reais e uma vaga praticamente entregue à Chapecoense. O Inter é um dos doze. A diferença é que os outros onze não têm o orçamento, a folha salarial e a estrutura do Internacional. Quando o Remo empata em 21 pontos com o Colorado, o problema não é do Remo.
O que incomoda não é a posição. É a naturalidade com que ela está sendo tratada. Terceiro ano seguido olhando para baixo vira identidade, não acidente.
Quatro derrotas seguidas e o mesmo roteiro
A sequência é feia e é recente. Na 19ª rodada, o Inter perdeu em casa para o Cruzeiro por 2 a 1, com gols de Kaio Jorge e Matheus Pereira, e ainda ficou com um a menos depois da expulsão de Vitor Gabriel no começo do segundo tempo — Carbonero descontou já no fim, quando o jogo estava resolvido. Três dias depois, na Arena da Baixada, levou 2 a 0 do Athletico-PR, com Leozinho e Kevin Viveros aproveitando exatamente o que o Inter vem oferecendo de graça: erro de saída de bola e desatenção defensiva.
São quatro derrotas consecutivas no Brasileirão, sendo duas delas depois da retomada pós-Copa, segundo levantamento da CNN Brasil. Não é uma fase. É um padrão. O time tem posse, tem volume em alguns trechos e não transforma nada disso em chance clara — e do outro lado entrega o gol adversário com uma facilidade que já não dá para chamar de azar.
O curioso é que a diretoria decidiu bancar Paulo Pezzolano. Eu até entendo a lógica: trocar treinador no meio de um calendário desses é apostar que o substituto vai acertar sem tempo de treino. Mas bancar o técnico só faz sentido se vier acompanhado de mudança em outra coisa. Se a aposta é manter tudo e esperar melhorar sozinho, não é confiança. É procrastinação.
O calendário de agosto é o pior possível
Aqui é onde a conversa fica desconfortável. O Inter recebe o Flamengo nesta quarta, 19h30, no Beira-Rio. Na sequência entra nas oitavas da Copa do Brasil contra o Corinthians, com a ida em casa no dia 2 e a volta na Neo Química Arena no dia 6. Depois vêm Palmeiras, Remo, Atlético-MG e Bahia fora.
Traduzindo: entre agora e o fim de agosto, o Colorado enfrenta o vice-líder, o líder, o terceiro colocado do ranking de pressão emocional do país em dois mata-matas e um rival direto na parte de baixo. Quem precisa somar pontos com urgência não escolhe o adversário, mas escolhe a postura — e é exatamente a postura que está faltando.
O jogo contra o Remo, no meio dessa sequência, vale seis. Perder ali significa entregar o critério de desempate que hoje é a única coisa segurando o Inter fora da zona.
O contra-argumento: o elenco não é de Z4
E ele existe, não vou fingir que não. O Internacional não tem um elenco de time rebaixado. Tem jogadores acima da média da parte de baixo, tem casa cheia quando o time dá sinal de vida e tem um segundo turno inteiro pela frente — 18 rodadas, 54 pontos em disputa. Uma sequência de três vitórias muda a leitura da tabela por completo, e essa sequência é perfeitamente possível com o material humano que está lá.
O problema do contra-argumento é que ele é o mesmo de 2024 e o mesmo de 2025. "O elenco é melhor que a posição" já foi diagnóstico, virou desculpa e agora está virando tradição. Em algum momento a tabela deixa de estar errada e passa a estar certa.
O que o Inter precisa admitir
Não é o técnico, sozinho. Não é o elenco, sozinho. É o hábito institucional de tratar cada temporada ruim como exceção. O Internacional entra na quarta-feira contra o Flamengo com a chance de esvaziar essa coluna toda em 90 minutos — e eu adoraria escrever isso na semana que vem.
Mas enquanto o argumento de permanência for "estamos à frente do Vasco no saldo de gols", não existe crise administrada. Existe crise adiada. E o segundo turno do Brasileirão já mostrou que ninguém vai facilitar — nem em cima, nem embaixo.
O Beira-Rio vai estar cheio na quarta. Falta o time aparecer.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Quantos pontos o Internacional tem no Brasileirão 2026?
- O Inter soma 21 pontos em 20 jogos, com cinco vitórias, seis empates e nove derrotas.
- O Internacional está no Z4 do Brasileirão 2026?
- Não. O time está fora da zona de rebaixamento apenas pelo saldo de gols, empatado em pontos com Vasco e Remo.
- Quem é o técnico do Internacional em 2026?
- Paulo Pezzolano comanda o Colorado e teve a permanência mantida pela diretoria mesmo após a sequência de derrotas.
- Qual o próximo jogo do Internacional?
- O Inter recebe o Flamengo na quarta-feira, 29 de julho, às 19h30, no Beira-Rio, pela 21ª rodada, com transmissão do Amazon Prime Video.
Fonte: Gazeta Esportiva, Lance!, CNN Brasil · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


