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Brasileiros na Copa 2026: os que vão jogar por outras seleções

Quatro jogadores nascidos no Brasil vão entrar em campo no Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá — só que não pela Seleção. De Matheus Nunes, peça de Portugal, ao meia do Palmeiras que virou paraguaio, conheça os brasileiros que defendem outras camisas na Copa do Mundo 2026.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
Brasileiros na Copa 2026: os que vão jogar por outras seleções
Matheus Nunes, nascido no Rio, é um dos brasileiros que disputam a Copa 2026 por Portugal — Foto: Reprodução / CNN Brasil

A Copa do Mundo é, antes de tudo, um mapa-múndi emocional. Cada camisa carrega uma bandeira, um hino, uma ideia de pertencimento. Mas quando a bola começar a rolar nos Estados Unidos, no México e no Canadá, alguns sotaques vão soar familiares demais para o ouvido brasileiro. São quatro brasileiros na Copa 2026 que vão entrar em campo — só que não pela Seleção pentacampeã. Eles trocaram o amarelo por outras cores, e suas histórias dizem muito sobre como o futebol espalhou meninos do Brasil pelos quatro cantos do planeta.

Não se trata de traição nem de oportunismo. Cada um desses jogadores percorreu um caminho próprio, costurado por sangue, geografia ou anos de vida longe de casa. Enquanto a Seleção de Dorival ainda redefine a estreia depois de perder Wesley, esses brasileiros já têm endereço certo no Mundial — em vestiários que cantam em português, espanhol ou árabe.

A regra que abre essa porta

A Fifa permite que um atleta represente uma seleção diferente da do país onde nasceu, desde que dois pontos sejam respeitados. O primeiro é o vínculo: ter pais ou avós nascidos no novo país, ou ter residido nele por tempo suficiente. O segundo é mais decisivo — o jogador não pode ter disputado nenhuma partida oficial pela seleção principal da nação de origem. Categorias de base não contam.

É essa brecha que transforma quatro brasileiros em peças de outros projetos. Nenhum deles vestiu a camisa amarela em um jogo oficial de adultos. Por isso, a porta ficou aberta — e eles atravessaram.

Matheus Nunes: do Rio ao Manchester City pela camisa de Portugal

O caso mais conhecido tem 27 anos e um currículo de elite. Nascido no Rio de Janeiro, Matheus Nunes deixou o Brasil ainda adolescente e se forjou no futebol português, onde despontou pelo Sporting antes de ser vendido ao Wolverhampton em 2022 e, de lá, chegar ao Manchester City de Pep Guardiola.

Pela seleção portuguesa, o meia já soma 19 partidas e dois gols, com passagens pela Copa de 2022 e pela Eurocopa de 2024. Não é um nome de ocasião: é engrenagem fixa de um elenco recheado. Portugal estreia no dia 17 de junho, contra a República Democrática do Congo, e Matheus Nunes desembarca como um dos brasileiros mais decorados a serviço de outra bandeira.

Maurício: o meia do Palmeiras que escolheu o Paraguai

Talvez o mais simbólico de todos. Aos 24 anos, Maurício é titular do Palmeiras e peça do dia a dia do Brasileirão — o mesmo campeonato que o país inteiro acompanha. Nascido em São Paulo, ele chegou a representar o Brasil nas categorias sub-20 e sub-23, mas o coração — e a papelada — apontaram para o outro lado da fronteira. Filho de pai paraguaio, concluiu o processo de cidadania em 2025 e aceitou o chamado da Albirroja.

O timing não poderia ser mais simbólico: o Paraguai estreia já nesta sexta-feira, 12 de junho, diante dos donos da casa, em Los Angeles — exatamente o duelo que abordamos em Estados Unidos x Paraguai, a estreia anfitriã. Maurício pode entrar em campo contra um anfitrião enquanto, a milhares de quilômetros, a torcida do Palmeiras assiste a um dos seus defender outra pátria.

A dupla do Catar: Lucas Mendes e Edmilson Júnior

O Catar, sede do Mundial anterior, leva dois brasileiros à edição seguinte. O zagueiro Lucas Mendes, natural de Curitiba, vive no país desde 2014 e construiu carreira inteira no futebol catari, hoje no Al-Wakrah. A elegibilidade veio pelo tempo de residência — mais de uma década de vida sob o mesmo céu.

Já o ponta Edmilson Júnior, do Al-Duhail, é o ponto fora da curva: nasceu na Bélgica, filho de pai brasileiro, e nunca atuou no futebol do Brasil. A raiz é nossa, a trajetória nunca passou por aqui. Os dois estreiam juntos no dia 13 de junho, contra a Suíça, num grupo que promete ser dos mais difíceis.

O que isso diz sobre o futebol brasileiro

Quatro jogadores não fazem um movimento, mas desenham um retrato. O Brasil exporta talento desde sempre, e a Copa de 48 seleções — formato que explicamos em como funciona a Copa do Mundo 2026 — apenas amplia o palco para que essas histórias apareçam. Mais vagas significam mais seleções modestas em campo, e mais seleções modestas significam mais espaço para o brasileiro que um dia sonhou com a amarela e encontrou outro destino.

Há algo de melancólico e de bonito nisso ao mesmo tempo. Melancólico porque cada um deles foi, em algum momento, uma promessa que o Brasil não soube ou não pôde segurar. Bonito porque o futebol, no fim, é maior que qualquer fronteira. Quando Maurício pisar no gramado de Los Angeles ou Matheus Nunes orquestrar o meio de Portugal, o sotaque vai entregar a origem. A bola, afinal, fala português em qualquer canto do mundo.

Perguntas frequentes

Quais brasileiros vão jogar a Copa 2026 por outras seleções?
Matheus Nunes (Portugal), Maurício (Paraguai), Lucas Mendes e Edmilson Júnior (Catar) são os quatro nascidos no Brasil que disputam o Mundial por outras nações.
Por que Matheus Nunes joga por Portugal e não pelo Brasil?
Ele saiu do Rio ainda adolescente, se formou no futebol português e nunca atuou pela Seleção Brasileira principal, o que o tornou elegível por Portugal.
Maurício, do Palmeiras, vai jogar a Copa por qual seleção?
Pelo Paraguai. O meia tem pai paraguaio e concluiu o processo de cidadania em 2025, embora tenha representado o Brasil nas categorias de base.
Um jogador pode trocar de seleção depois de defender o país de nascimento?
Sim, desde que tenha vínculo com a nova nação e não tenha disputado um jogo oficial pela seleção principal do país de origem, segundo a regra da Fifa.

Fonte: CNN Brasil, FIFA, 90min, Olympics | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.