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65 jogos sem 0x0: o Brasileirão 2026 que quebrou 60 anos de história

Antes do primeiro empate sem gols, o Brasileirão 2026 acumulou 65 partidas consecutivas com ao menos um gol — superando marca de 1964. Os números das 8 primeiras rodadas revelam uma edição atípica.

Thiago Borges
Thiago Borges
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65 jogos sem 0x0: o Brasileirão 2026 que quebrou 60 anos de história
Ilustração — Visão tática do Brasileirão 2026, edição que quebrou recorde histórico de 60 anos

O primeiro empate sem gols do Brasileirão 2026 aconteceu na sétima rodada, entre Chapecoense e Corinthians. Parece insignificante. Mas o que esse 0x0 encerrou é o dado mais surpreendente desta edição: durante as 65 partidas anteriores, toda rodada teve ao menos um gol. Toda. Sem exceção.

A marca anterior, que resistia desde 1964, era de 48 jogos consecutivos com gols na Taça Brasil — um recorde sepultado antes de completar 7 rodadas. Com a Data FIFA paralisando a competição neste domingo, é o momento certo para colocar os números das 8 primeiras rodadas na mesa e entender o que eles dizem sobre este Brasileirão.

O que os dados revelam após 8 rodadas

A liderança do Palmeiras não é surpresa, mas a distância começa a chamar atenção. Com 19 pontos — aproveitamento de 79% em 8 jogos — o Verdão abre 3 pontos para São Paulo e Fluminense, que dividem a segunda posição com 16 cada. A campanha do São Paulo como melhor início tricolor em sete anos segue como referência de consistência no pelotão de cima.

PosTimePtsJVEDAprov.
1Palmeiras19861179%
2São Paulo16851267%
3Fluminense16851267%
4Flamengo14742167%
5Bahia14742167%

O Flamengo tem jogo a menos — a partida contra o Athletico-PR foi adiada e está marcada para esta noite, às 19h, na Arena da Baixada. Um triunfo deixa o Rubro-Negro a um ponto do Palmeiras.

O que torna o aproveitamento palmeirense ainda mais relevante é o contexto histórico do próprio clube: nenhuma campanha com Abel Ferreira no Brasileirão havia alcançado 79% após 8 rodadas, nem nas temporadas de título do tricampeonato 2022-2023. Os dados sugerem uma equipe num patamar acima das versões anteriores — ao menos até aqui.

A artilharia e a briga pelos gols

Com 6 gols em 8 rodadas, Carlos Vinicius lidera a artilharia e já distancia do pelotão. O centroavante português — contratado pelo Grêmio para exatamente esse papel — entrega o que foi comprado: presença na área, finalização e volume. Atrás dele, segundo a análise de xG desta edição que mostramos anteriormente, o campeonato tem tido alto número de chances criadas em relação às edições recentes, o que explica em parte o recorde de jogos com gols.

Arrascaeta, Gabigol, Hulk, John Kennedy, Kaio Jorge, Pedro, Vitor Roque e Yuri Alberto disputam o pelotão de artilheiros logo atrás de Carlos Vinicius. Na briga por assistências, Arrascaeta, Matheus Pereira e Andreas Pereira compartilham a liderança — números que refletem a intensidade ofensiva vista nessas 8 primeiras rodadas.

Outro dado que reforça o padrão goleador: a média de gols por partida nesta edição está acima de 2,8 — valor que, se mantido, seria o maior da Série A moderna (desde a reformulação de 2006).

O outro extremo: rebaixamento e alarmes acesos

Enquanto o topo tem competição apertada, a zona de rebaixamento apresenta um cenário que merece atenção diferente.

O Cruzeiro é o único time sem vitória em 8 rodadas — quatro empates e quatro derrotas, 4 pontos, 20º lugar. A Raposa foi um dos clubes mais ativos na janela de março, o que torna o resultado ainda mais frustrante para sua torcida. O Botafogo vive situação parecida: 6 pontos e 17º lugar, com aproveitamento de 25%. O jogo desta noite contra o Athletico-PR (jogo da 5ª rodada em atraso) é, na prática, uma final antecipada para o Glorioso sair da zona.

O Santos aparece na 16ª posição com 7 pontos — resultado que, combinado com o histórico recente do clube, recoloca o Peixe entre os candidatos sérios ao rebaixamento.

Três alertas de zona de rebaixamento com características distintas: o Cruzeiro que investiu e não entregou, o Botafogo que parece desorganizado taticamente, e o Santos que ainda não encontrou a estabilidade perdida desde a queda para a Série B em 2023.

O que espera o Brasileirão na volta da Data FIFA

A paralisação dura apenas este fim de semana. A 9ª rodada começa em 1º de abril, com dois jogos que prometem dar forma às intenções: Corinthians x Fluminense (01/04) e, no dia seguinte, o confronto direto Grêmio x Palmeiras que coloca o líder diante de um adversário em crise fora de casa.

Além da retomada do Brasileirão, o calendário aperta: a fase de grupos da Copa Libertadores começa em 7 de abril, e a Copa do Brasil voltará com a 5ª fase em 22-23 de abril. Os clubes que precisam brigar em três frentes — Palmeiras, Fluminense, Corinthians e Cruzeiro, entre outros — vão testados antes mesmo de maio.

Se os primeiros 65 jogos sem 0x0 indicam algo, é que este Brasileirão tem produção ofensiva e intensidade maiores que a média histórica. Os próximos 30 jogos vão confirmar se é tendência ou anomalia estatística. Os dados, por enquanto, sugerem a primeira opção.

Fonte: CBF, Lance!, Footstats | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.