Grêmio invicto em casa, zero como visitante — e o líder chega
Tricolor soma 10 pontos no Olímpico e apenas 1 fora de casa em 4 jogos. Sem lateral e com Caio Paulista vetado contra o dono do contrato, Luís Castro enfrenta o Palmeiras em 2 de abril.


O Grêmio de Luís Castro tem dois perfis distintos no Brasileirão 2026. Em casa, no Estádio Olímpico Monumental, o time funciona: são 10 pontos conquistados em quatro jogos como mandante, uma das melhores campanhas da competição entre os times com a vantagem do mando. Fora de casa, o retrato é outro — e muito mais preocupante. Quatro jogos, uma série de empates e derrotas, e apenas 1 ponto como visitante. Luís Castro resumiu com uma palavra só: "sofrível".
A pausa da Data-FIFA deu ao treinador uma semana para encontrar respostas para o que pode se tornar um problema crônico. O problema é que a primeira resposta exigida virá logo: no dia 2 de abril, às 21h30, na Arena Barueri, o Grêmio enfrenta o Palmeiras — líder isolado do campeonato com 19 pontos.
O recorte que expõe a fratura gaúcha
Os números não mentem. O Tricolor somou 11 pontos em oito rodadas, mas a distribuição é assimétrica ao extremo. Como mandante, brigou com as maiores forças da competição e saiu com resultado positivo. Fora do Olímpico, não venceu uma vez sequer.
O próprio Luís Castro não tentou esconder o problema após a derrota por 2 a 1 para o Vasco, na rodada 8. "[A equipe é] sofrível fora de casa", admitiu o técnico, reconhecendo que o estilo de jogo — eficiente no controle territorial em Porto Alegre — ainda não se traduziu em resultados quando o time entra em campo sem a torcida e sem a familiaridade do gramado caseiro.
Na tabela, o contraste é dramático: enquanto o Grêmio aparece no meio da parte de cima quando se olha apenas o rendimento como mandante, a campanha como visitante empurra o Tricolor para perto da zona intermediária. O recado foi dado pela derrota no Rio — equipe dominada em São Januário, sem resposta ofensiva consistente, antes que Carlos Vinícius descontasse no segundo tempo. O artilheiro do Brasileirão continua marcando, mas não pode resolver sozinho o problema coletivo de uma equipe que, longe de casa, perde a identidade.
Lateral emprestado, multa não paga, adversário é o dono do contrato
Existe uma ironia dolorosa no próximo jogo do Grêmio. O lateral-esquerdo titular, Marlon, passou por cirurgia no tornozelo durante a Data-FIFA e está fora por tempo indeterminado. O reserva imediato, Caio Paulista, pertence ao Palmeiras — o adversário de quinta-feira.
O contrato de empréstimo assinado em janeiro prevê uma multa contratual para que o jogador possa atuar contra o clube formador. O Grêmio analisou a situação e, segundo fontes da diretoria, decidiu não desembolsar o valor. Com um passivo que chega a R$ 935 milhões, a gestão gaúcha não tem margem para gastos adicionais fora do orçamento previsto.
Caio Paulista fica em casa. Luís Castro deve lançar Pedro Gabriel, jovem revelado nas categorias de base, como lateral titular na Arena Barueri. Inexperiente para um duelo desta magnitude e contra um adversário desta qualidade.
O Palmeiras chega à partida liderando com folga e usou a pausa das seleções para ajustar a equipe antes da estreia na Libertadores. Abel Ferreira tem laterais à disposição, elenco encorpado e a vantagem do mando em Barueri — uma arena que, ao contrário do Olímpico, não favorece o visitante.
O calendário que não dá tempo de respirar
A crise como visitante precisa ser resolvida com urgência — e não apenas pelo Brasileirão. O Grêmio estreia na Copa Sul-Americana 2026 no dia 7 de abril, pelo Grupo F, que inclui Palestino (CHI), Montevideo City Torque (URU) e Deportivo Riestra (ARG). A fase de grupos prevê cinco jogos fora dos domínios do Olímpico entre abril e maio.
Uma boa notícia: Villasanti, o volante paraguaio pilar do sistema de Luís Castro, deve estar disponível a partir de abril após recuperação de lesão. A presença do meio-campista no setor defensivo aumenta o controle e a organização posicional — exatamente o que falta ao Grêmio quando joga longe de casa.
Mas resolver um problema sistêmico em 72 horas, antes de um jogo fora contra o líder, é tarefa para poucos. Luís Castro tem a semana inteira para trabalhar. A Arena Barueri vai mostrar se os ajustes funcionam — ou se o Grêmio de 2026 é mesmo dois times completamente diferentes dependendo de onde a bola rola.
Fontes: GrêmioNews, Bolavip, Jornal do Comércio
Fonte: GrêmioNews, Bolavip, Moon BH, Jornal do Comércio | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


