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Brasil x Croácia: a Copa 2026 em jogo no amistoso de Orlando

Após derrota para a França, o Brasil enfrenta a Croácia nesta terça (21h) em Orlando. Com 4 vagas em aberto na convocação final, Ancelotti busca respostas antes da Copa 2026.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
6 min de leitura
Brasil x Croácia: a Copa 2026 em jogo no amistoso de Orlando
Vinícius Júnior, titular desta noite pelo Brasil em Orlando — Foto: Reprodução / Wikipedia

Existe um tipo específico de jogo que pede silêncio antes de começar. Não pela ausência de barulho — Orlando vai estar ruidosa esta noite — mas pela magnitude do que está em disputa além dos 90 minutos. O Brasil chega ao Camping World Stadium carregando o peso de uma derrota para a França, quatro vagas ainda abertas no elenco que vai à Copa 2026, e uma geração inteira de jogadores tentando convencer Carlo Ancelotti de que merece cruzar o Atlântico em junho.

Às 21h desta terça-feira, Brasil e Croácia se enfrentam em amistoso de Data FIFA. É o segundo e último teste da Seleção antes do anúncio da convocação final, marcado para 18 de maio.

Ficha Técnica

PartidaBrasil x Croácia
CompetiçãoAmistoso Internacional
Data31/03/2026 (terça-feira)
Horário21h00 (BRT)
LocalCamping World Stadium, Orlando (EUA)
TransmissãoGlobo, SporTV, ge TV

O peso de uma derrota e quatro vagas que ainda respiram

A derrota para a França deixou marcas. Não devastadoras — jogar 80 minutos com um a menos contra os vice-campeões mundiais e perder por placar mínimo tem lados positivos — mas suficientes para impor urgência a esta noite. Ancelotti precisa de respostas concretas sobre posições que seguem sem dono.

O técnico foi direto ao ponto quando perguntado sobre a Copa: "Ainda restam quatro vagas na seleção". Quatro lugares em aberto, uma Data FIFA com dois jogos, e uma lista de candidatos que seria longa o suficiente para encher um caderno. É nesse contexto que Martinelli, Andrey Santos, Luiz Henrique e Matheus Cunha entram em campo tonight com a missão de ser mais do que nomes na lista — precisam ser certezas.

A Croácia, por outro lado, chega com uma motivação diferente e igualmente poderosa. Modric tem 40 anos. Perisic, 37. Para esse núcleo que levou a Croácia à final da Copa 2018 e ao terceiro lugar em 2022 — aquela Copa em que eliminaram o Brasil nas quartas de final nos pênaltis —, este amistoso é talvez o último capítulo antes de Dalic montar o elenco definitivo para o Qatar... pardon, para a Copa dos EUA, Canadá e México.

Dois times com a Copa na cabeça, e apenas a data no calendário os separa.

Escalações: Ancelotti com os titulares, Dalic com a experiência

A novidade no time de Ancelotti é a continuidade. Com o mesmo núcleo do jogo contra a França, o técnico escolheu manter o 4-2-3-1 que tem sido sua base de trabalho. Ederson segue no gol, a linha de quatro tem Danilo e Douglas Santos nas laterais com Marquinhos e Bremer no centro. A dupla de volantes mantém Casemiro e o jovem Andrey Santos — que teve uma atuação consistente contra os franceses.

No setor ofensivo, o tático mais interessante é a escolha de Luiz Henrique pela direita. O extremo do Botafogo foi uma das boas surpresas da última Data FIFA e aparece novamente na titularidade, equilibrando velocidade com Vinicius Júnior do outro lado e Matheus Cunha num papel mais centralizado. Martinelli lidera o ataque.

Do lado croata, Zlatko Dalic deve montar um 4-3-3 que coloca Modric no centro de tudo — como sempre foi, como sempre será enquanto o camisa 10 tiver energia para ditar o ritmo. Ao lado do capitão, Ivan Perisic pela esquerda traz a experiência de quem disputou três Copas do Mundo. Pela frente, Matanovic carrega a responsabilidade de ser o centroavante que a geração croata nunca teve na mesma medida que suas meias.

Histórico: a lembrança que ainda dói

Há quase quatro anos, num cenário parecido — outro torneio máximo, outro estádio imenso —, Brasil e Croácia se encontraram no Al-Oheidan Stadium em Al Rayyan. Neymar, Perisic, Livakovic no gol, pênaltis, e o Brasil fora da Copa.

Aquela derrota nas quartas de final do Qatar 2022 mudou coisas que vão além do resultado. Foi o fim de um ciclo, a certeza de que a geração Neymar precisava de uma transição e o início do processo que levou Ancelotti a Orlando em 2026. Modric e companhia foram parte direta desse trauma.

Em amistosos, o Brasil tem histórico favorável contra a Croácia em tempos recentes, mas os números pouco importam quando os personagens carregam memória tão específica. Para Marquinhos — presente no Qatar — enfrentar a Croácia novamente tem peso simbólico.

O que observar taticamente

Dois pontos merecem atenção especial nesta noite.

O primeiro é o espaço nas costas de Douglas Santos. A lateral-esquerda do Brasil tem sido um flanco de pressão nos amistosos recentes, e a Croácia tem Perisic e Stanisic com capacidade para explorar exatamente esse corredor. Como Casemiro e Andrey Santos cobrem essa transição será o duelo dentro do duelo.

O segundo é o uso de Matheus Cunha como meia ofensivo. O jogador do Atlético de Madrid foi contratado para ser centroavante falso — ou pelo menos é o que seu uso no Atlético sugere — mas Ancelotti o coloca como armador avançado. Contra a defesa croata, mais organizada do que a francesa mas menos veloz na pressão, Cunha pode ter espaços interessantes para criar.

Palpite

O Brasil vem de bom desempenho apesar da derrota para a França e joga em casa (praticamente — Orlando tem grande comunidade brasileira). A Croácia é tecnicamente sólida mas não está no mesmo nível de intensidade dos amistosos que valeram mais recentemente para ela.

Vejo uma vitória brasileira no placar mínimo, com Vinicius Júnior como diferencial. Brasil 2 x 1 Croácia.

Mas o resultado, desta vez, é secundário. O que Ancelotti precisa é de jogadores que se elevem quando o jogo aperta. A convocação final para a Copa 2026 ainda tem quatro vagas — e quem aparecer esta noite em Orlando vai ser lembrado no dia 18 de maio.

Fonte: ESPN Brasil / ge.globo.com | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.