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Botafogo empata com Caracas e estreia mal na Sul-Americana

Com 69% de posse e três chances a mais que o rival, o Glorioso ficou no 1 a 1 no Nilton Santos na estreia do Grupo E da Sul-Americana 2026.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
5 min de leitura
Botafogo empata com Caracas e estreia mal na Sul-Americana
Ilustração — Nilton Santos lotado na estreia do Botafogo na Sul-Americana 2026

Não tem como dourar esse resultado. O Botafogo entrou em campo no Nilton Santos nesta quinta-feira para estrear na Copa Sul-Americana 2026 e saiu com um empate em 1 a 1 contra o Caracas FC. Setenta e dois horas poderiam passar e o número dos dados diria a mesma coisa: mais de duas terças partes da bola, quase o dobro de finalizações e uma vantagem numérica em campo que não se converteu em vitória.

Para um time que até no ano passado levantava a Libertadores — antes de se autodemoler e acabar rebaixado para a segunda competição continental do futebol sul-americano — estamos falando de uma estreia que não inspira nenhuma confiança. A Sul-Americana foi escolhida para eles. Mas eles claramente ainda não escolheram a Sul-Americana.

Gols e lances decisivos

Quem abriu o placar foi o venezuelano Wilfred Correa, aos 42 minutos, aproveitando um escanteio cobrado na medida. O Caracas — com 31% de posse — precisou de apenas três finalizações para marcar. Alguém explica.

Ainda no primeiro tempo, o VAR derrubou uma penalidade que seria do Botafogo aos 25 minutos. Não cabe reclamar do árbitro Kevin Ortega quando o time não conseguia criar perigo de verdade na área adversária.

O segundo tempo começou com Franclim Carvalho fazendo o que tinha que fazer: tirou Matheus Martins e colocou Arthur Cabral. A substituição rendeu resultado em menos de cinco minutos. Aos 49', o centroavante aproveitou a confusão na área após cruzamento pela esquerda e empurrou para as redes — 1 a 1.

Daí em diante? O Botafogo teve a bola, trocou passes, e não foi aonde precisava. O Caracas se fechou e saiu de Nilton Santos com um ponto que vai parecer muito mais valioso do que parecia lá dentro.

Análise tática: posse sem propósito

Sessenta e nove por cento de posse de bola e dois chutes no alvo. Esses dois números, juntos, são a fotografia de um time que ainda não sabe o que fazer com a bola quando a tem.

O Botafogo de Franclim Carvalho tenta construir por dentro com Danilo e Allan, mas falta profundidade pelo lado. Vitinho e Júnior Santos fizeram movimentos, porém sem a consistência necessária para desequilibrar uma defesa venezuelana que não é dos melhores elencos da competição. Santiago Rodríguez tentou criar pelo meio, mas foi progressivamente neutralizado.

O grande problema do Botafogo não é tático — é de ritmo e confiança. Um time que passou pela catástrofe que passou em 2025, com eliminação vexatória na Libertadores e subsequente queda do técnico Artur Jorge, não reconstrói sua identidade em poucos meses. O que se vê em campo ainda é um grupo buscando coesão.

O Caracas, por sua vez, foi organizado e eficiente. Fechou os espaços, apostou no contra-ataque e saiu com o que veio buscar. Respeito ao treinador deles.

Destaques individuais

Arthur Cabral entrou no intervalo e em menos de cinco minutos já havia mudado o jogo. É o tipo de atacante que o Botafogo precisava ter usado desde o começo — presente na área, forte no ar, decisivo. A pergunta que fica é: por que começou no banco?

Wilfred Correa fez o gol do Caracas e foi o melhor em campo pelo time venezuelano — presente nas disputas, participativo no esquema ofensivo dos visitantes no pouco tempo em que atacaram.

Do lado do Botafogo, Bastos levou cartão amarelo aos 23 minutos e foi monitorado até o apito final. Danilo foi o mais ativo na construção, mas sem a capacidade de romper o bloco adversário quando necessário.

Números do jogo

EstatísticaBotafogoCaracas FC
Posse de bola69%31%
Finalizações95
Chutes no alvo23
Escanteios62
Cartões amarelos1 (Bastos)0

O Caracas foi mais eficiente com menos. Isso é tudo que importa.

O contexto que pesa

Não é pequena coisa estar na Sul-Americana. O Botafogo do ano passado foi eliminado da Libertadores pelo Barcelona de Guayaquil — você pode reler essa história em como o Botafogo foi eliminado na fase de grupos — e hoje tenta reconstruir sua credibilidade continental numa competição que, com todo o respeito, é a segunda prateleira da Copa da América do Sul.

Ontem, o Atlético-MG também estreou mal na Sul-Americana, perdendo por 2 a 1 para o Puerto Cabello. Os dois campeões recentes de Libertadores — Botafogo (2024) e Atlético (esperança de 2025) — chegaram a essa competição mais humildes, e ainda assim sem apresentar futebol convincente.

Próximo compromisso

O Botafogo volta a campo pelo Grupo E da Sul-Americana na segunda rodada, ainda sem data confirmada. Antes disso, compromissos pelo Campeonato Brasileiro aguardam o time de Franclim Carvalho. O grupo é composto por Botafogo, Caracas FC, Racing (ARG) e Independiente Petrolero (BOL). Uma derrota nas próximas rodadas pode colocar o Glorioso em situação delicada logo cedo.

Uma coisa é certa: empatar em casa na estreia, com toda a posse do mundo, não é a maneira que o Botafogo imaginava recomeçar sua trajetória internacional em 2026. O time tem jogadores, tem técnico novo, tem torcida. Falta jogar como time.

Fonte: VAVEL Brasil / Gazeta Botafogo | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.