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Barcelona 6x2 Real Madrid: Clásico UCL Feminina vira goleada

Com dois gols de Ewa Pajor e pênalti final de Alexia Putellas, o Barcelona humilhou o Real Madrid no Alfredo Di Stéfano e encaminha a vaga nas semifinais da UCL Feminina 2025/26.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
Barcelona 6x2 Real Madrid: Clásico UCL Feminina vira goleada
Ilustração — Barcelona despacha o Real Madrid com uma goleada histórica no Clásico UCL Feminina

Havia quem dissesse que, sem Aitana Bonmatí, o Barcelona não seria o mesmo. O Real Madrid apostou nisso. Quarta-feira à tarde, no silêncio constrangedor do Alfredo Di Stéfano — apenas 4.203 espectadores presentes —, o Barça deu a resposta mais eloquente possível: 6 a 2, com autoridade, com beleza e com aquela crueldade característica dos times que já não precisam do talento de ninguém para provar que são os melhores do mundo.

A goleada na primeira mão das quartas de final da UEFA Women's Champions League 2025/26 coloca o Barcelona a um passo da sua oitava semifinal consecutiva. A segunda mão é dia 2 de abril, no Camp Nou. O Real Madrid precisaria de uma virada histórica para reverter a diferença de quatro gols em território adversário.

Gols e lances que destruíram o Clásico

O Barcelona não perdeu tempo com cerimônias. Logo aos seis minutos, Ewa Pajor abriu o marcador: a polonesa recebeu em profundidade, dominou, e bateu com frieza para o canto. Sete minutos depois, Esmee Brugts foi mais longe — encontrou o canto do gol a partir de fora da área, em uma das finalizações mais técnicas da tarde.

O Real Madrid tentou existir. E, por um momento, existiu. Linda Caicedo, a colombiana que carrega sozinha o peso criativo das merengues, descontou aos 30 minutos com um gol de qualidade individual incontestável. O Alfredo Di Stéfano respirou. Mas a resposta catalã foi imediata: a zagueira Irene Paredes saiu da defesa para assinar o terceiro dois minutos depois, desfazendo qualquer ilusão madridista.

No segundo tempo, Pajor voltou a marcar (57'), completando o doblete. Vicky López fez o quinto (64'). Caicedo diminuiu novamente (66') — porque ela é assim, nunca desiste —, mas Alexia Putellas encerrou o assunto no pênalti dos 89 minutos, com a serenidade de quem já sabe que está voltando ao trono.

A dominação tática que o placar mal traduz

71,4% de posse de bola. Quinze chutes, sete no alvo. Jonatan Giráldez montou um Barcelona compacto na pressão e devastador na transição — e fez isso sem a sua craque principal. Isso diz tudo sobre a profundidade do elenco.

Patri Guijarro assumiu a organização no meio que normalmente é de Bonmatí. Caroline Graham Hansen abriu espaços pelas alas. E Pajor, Brugts e Putellas exploraram o espaço com uma cadência que o Real Madrid simplesmente não teve mecanismos para interromper.

A equipe de Toril tentou compactar as linhas, defender em bloco baixo e apostar nos contra-ataques pela velocidade de Caicedo. Funcionou por flashs isolados — e Caicedo cumpriu sua parte. Mas o volume azul-grená era pesado demais. As madridistas nunca sustentaram a posse por tempo suficiente para criar perigo real, finalizando apenas quatro vezes no alvo em toda a partida.

A rodada das quartas também trouxe o Arsenal 3x1 Chelsea na UCL Feminina, confirmando que a competição feminina europeia vive um de seus momentos mais ricos em qualidade técnica.

Destaques individuais: Pajor, Alexia e a resistência de Caicedo

Ewa Pajor é a revelação. Contratada no verão vinda do Wolfsburg, a polonesa de 24 anos chegou carregando expectativa — e está entregando acima dela. Os dois gols desta quarta consolidam uma temporada de destaque: presença, velocidade e finalização que lembram as melhores versões de atacantes que passaram pelo Camp Nou Femení.

Alexia Putellas não precisou de noventa minutos para deixar sua marca. Entrou no segundo tempo, como tem feito durante seu processo de retorno cirúrgico, e fechou a goleada da forma mais ela possível: frieza no pênalti, punho erguido, Camp Nou no coração. A presença dela em campo muda o DNA emocional do time.

Linda Caicedo merece menção honrosa, mesmo no lado derrotado. Dois gols em uma noite de goleada — ambos com qualidade técnica acima da média — reforçam o que a Colômbia já sabia: ela é um dos maiores talentos geracionais do futebol feminino mundial. Em uma equipe mais equilibrada, seria simplesmente devastadora.

Os números da goleada

Real MadridBarcelona
Posse de bola28,6%71,4%
Chutes totais615
Chutes a gol47
Escanteios53
Cartões00

Camp Nou espera: a semifinal está ao alcance

O jogo de volta acontece em 2 de abril, no Camp Nou. Com quatro gols de vantagem e jogando em casa, o Barcelona precisa apenas não entrar em colapso para garantir sua oitava semifinal consecutiva na Champions Feminina — feito que nenhum clube do mundo, masculino ou feminino, igualou na era moderna da competição.

O Real Madrid precisaria de uma das maiores viradas da história para reverter o placar em Barcelona. Matematicamente possível. Emocionalmente, distante.

A temporada do Barça feminino segue em paralelo com a versão masculina do clube, que acumula bons resultados na LaLiga — como a goleada sobre o Sevilla com hat-trick de Raphinha. Dois Barcelonas em alta ao mesmo tempo. O futebol catalão não está para brincadeiras em 2026.

Atenção, porque o Camp Nou receberá mais um grande espetáculo em abril.

Fonte: ESPN, Al Jazeera, UEFA | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.