Raphinha faz hat-trick e Barcelona goleia Sevilla por 5 a 2 na LaLiga
Dois pênaltis panenka e gol de canhota: o brasileiro de Porto Alegre foi o protagonista absoluto no Spotify Camp Nou. Barcelona chega a 70 pontos, quatro à frente do Real Madrid.


Havia algo de cinematográfico na tarde deste domingo no Spotify Camp Nou. O número 11 do Barcelona caminhou até o ponto da cal, olhou o goleiro nos olhos e, num gesto que oscila entre a audácia e a poesia, tocou a bola com frieza pelo centro do gol — uma Panenka. Depois fez a mesma coisa outra vez. Na segunda etapa, completou o hat-trick com o canhoto. Raphinha, o garoto de Porto Alegre que um dia custou 58 milhões de euros ao Leeds, viveu neste domingo um dos capítulos mais bonitos de sua carreira europeia.
Barcelona 5 x 2 Sevilla — LaLiga, Jornada 28 — Spotify Camp Nou, 56.483 torcedores
Com a vitória, o Barcelona alcança 70 pontos e abre quatro de vantagem sobre o Real Madrid, que goleou o Elche por 4 a 1 no mesmo final de semana. A LaLiga tem um líder. E ele tem nome e sotaque brasileiro.
Gols, pênaltis e uma tarde sem precedentes
O enredo foi construído em cima de um personagem improvável: João Cancelo. O lateral português, emprestado do Al-Hilal, foi derrubado dentro da área na primeira vez aos 9 minutos, e na segunda vez aos 21. Dois pênaltis. Duas Panenkas de Raphinha.
A defesa do Sevilla, que havia iniciado com alguma organização, começou a se esfacelar após o segundo gol. Aos 38 minutos, Dani Olmo apareceu na segunda trave para fazer 3 a 0 — o placar que retratava com exatidão o que estava acontecendo em campo.
O Sevilla ainda reagiu antes do intervalo. Oso, o atacante revelado nas categorias de base do próprio clube, puxou chute no ângulo no terceiro minuto do acréscimo: 3 a 1. Um gesto de bravura, talvez, mas que mudou pouco o roteiro do segundo tempo.
Aos 51 minutos, Fermín López conduziu pela esquerda e rolou para Raphinha, que com o pé canhoto completou o hat-trick. A multidão do Camp Nou se levantou. Aos 60, Cancelo devolveu o favor: em jogada individual de antologia, driblou dois marcadores e finalizou no canto distante — seu primeiro gol desde que voltou ao clube catalão por empréstimo. O Djibril Sow descontou no segundo acréscimo para o placar final de 5 a 2.
A mecânica de um Barcelona implacável
Hansi Flick montou um time que pressiona alto, ocupa bem as transições e usa as extremidades como alavancas ofensivas. Raphinha pela direita e Yamal pela esquerda formam um corredor de destruição que poucos elencos na Europa conseguem neutralizar.
O que chamou atenção neste domingo, no entanto, foi a participação de Cancelo. O lateral não apenas criou os dois pênaltis — foi dominante no setor direito, combinando com Raphinha em triangulações que lembraram os melhores momentos do futebol de posição de Guardiola. Seu gol, o quinto do Barcelona, foi o símbolo de um jogador que reencontrou o melhor futebol numa volta inesperada à Catalunha.
Flick reconheceu que o início não foi o ideal. "No começo não jogamos com a convicção que quero ver. Temos muitos jogos, sei disso. Mas jogar mais rápido — é isso que precisamos fazer", disse o alemão ao DAZN. A crítica em meio ao elogio revela o nível de exigência que o treinador mantém mesmo diante de uma goleada.
Raphinha e Gavi: o presente e o futuro se encontram
Se há um momento que ficará na memória desta partida além dos hat-tricks, foi o dos 80 minutos. Flick chamou Raphinha de volta ao banco — ovação de pé, 56 mil pessoas de levantando — e mandou ao campo Gavi, retornando de seis meses fora por lesão.
O Camp Nou rugiu. Dois momentos distintos da história do clube, cruzando-se num domingo de março: o brasileiro que empurrou o time sozinho em tantos jogos difíceis, e o espanhol cujo retorno sinaliza que o Barcelona pode ser ainda maior.
Raphinha, com a camisa enlameada e o sorriso largo, falou após o apito final com a sinceridade de quem sabe que chegou ao lugar certo da carreira: "Quando jogo assim, fica difícil para os adversários. Amo esse clube. A forma de retribuir o carinho que recebo dos torcedores é marcando gols e beijando o escudo. Até o último dia aqui, darei o meu melhor."
Vale lembrar que o brasileiro já havia sido protagonista em outra tarde histórica nesta temporada, na Copa del Rey contra o Atlético de Madrid. Gols em competições decisivas parecem ter se tornado rotina.
Os números de uma goleada anunciada
| Estatística | Barcelona | Sevilla |
|---|---|---|
| Gols | 5 | 2 |
| Posse de bola | 62% | 38% |
| Finalizações | 18 | 7 |
| Finalizações no gol | 8 | 3 |
| Escanteios | 7 | 2 |
| Faltas cometidas | 9 | 13 |
| Cartões amarelos | 0 | 1 |
Raphinha: 3 gols, 2 pênaltis convertidos, 4 finalizações no total, substituído aos 80'. Cancelo: 2 pênaltis sofridos, 1 gol, 7 duelos disputados (5 vencidos).
O retrospecto de brasileiros em destaque na Europa segue crescendo nesta temporada europeia, e Raphinha está no centro dessa narrativa.
Próximo capítulo: Newcastle na Champions
O Barcelona não tem tempo para celebrar. Na quarta-feira, às 17h (horário de Brasília), o time de Flick recebe o Newcastle United no Spotify Camp Nou pelo jogo de volta das oitavas de final da Champions League. O primeiro jogo terminou 1 a 1 na Inglaterra — tudo aberto para o duelo catalão.
Flick terá de gerenciar o elenco com cuidado: Raphinha jogou 80 minutos, Olmo 70, e Yamal a partida inteira. Mas a confiança está no pico. Um time que faz hat-tricks com Panenkas num domingo de LaLiga carrega dentro de si a matéria-prima do qual grandes campanhas europeias são feitas.
A liderança da LaLiga está consolidada. A Champions espera. E Raphinha já avisou: beija o escudo até o último dia.
Fonte: ESPN | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


