Barcelona bate Atlético 3x0 mas é eliminado da Copa del Rey
Marc Bernal marcou duas vezes e Raphinha converteu pênalti, mas o 4x0 da ida no Metropolitano foi grande demais. Atlético de Madrid vai à final da Copa del Rey.


O Camp Nou fez a sua parte. A torcida urrou, o time correspondeu, e o placar chegou onde a matemática pedia. Mas às 23h de Barcelona — 20h de Brasília —, quando o árbitro apitou o fim do jogo, a Copa del Rey seguiu seu caminho sem o Barcelona. O Atlético de Madrid, mesmo derrotado por 3 a 0, avançou ao global de 4 a 3. E o espetáculo ficou como testemunha muda de uma noite que quase mudou tudo.
Marc Bernal marcou duas vezes. Raphinha converteu do pênalti. Lamine Yamal foi irrefreável. O Camp Nou viveu aquele estado de suspensão coletiva em que 90 mil pessoas acreditam no impossível. E o impossível chegou até a beira da concretização — antes de Juan Musso fechar a porta com a autoridade de quem sabe exatamente o que está defendendo.
Os gols e os lances que mantiveram a chama acesa
Barcelona entrou em campo precisando de quatro gols sem sofrer — um ato de equilíbrio entre a crença e o abismo. E começou a construir essa ponte aos 29 minutos, quando Lamine Yamal arrancou pela direita com a petulância de quem não leu o roteiro e rolou para Marc Bernal, que finalizou sem hesitação.
O segundo gol veio nos acréscimos do primeiro tempo, tingido de pênalti e de um nome brasileiro. Pedri foi derrubado por Marc Pubill dentro da área, e Raphinha — o capitão que voltou da lesão para tentar o milagre — foi à marca. Converteu com serenidade. 2 a 0 no placar do jogo. 2 a 4 no global. A diferença tinha caído para dois gols, e o intervalo chegou com o Camp Nou em estado de agitação controlada.
Na volta do vestiário, o Barcelona seguiu pressionando. O Atlético de Diego Simeone, montado em um 5-4-1 defensivo, com Giuliano Simeone como ala-direito no esquema, soube absorver o bombardeio. Musso foi a rocha. O goleiro argentino fez intervenções providenciais antes dos 60 minutos que, se não tivessem acontecido, teriam transformado aquela noite em algo diferente.
Mas o terceiro gol veio mesmo. Aos 72 minutos, João Cancelo cruzou da esquerda e Bernal apareceu novamente para completar. O Camp Nou explodiu. 3 a 0. 3 a 4 no agregado. Faltava um gol para a prorrogação — e mais um para eliminar o Atlético.
Esse gol nunca chegou. Simeone segurou o placar. A Copa del Rey ficou com Madri.
Marc Bernal e a história que ninguém esperava escrever
Há algo de poético na trajetória de Marc Bernal que transcende os dois gols desta noite. O meio-campista espanhol, de apenas 18 anos, chegou à La Masia ainda criança vindo de Berga, na Catalunha. Estreou na La Liga em agosto de 2024 e, dez dias depois, rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.
Foram 383 dias longe dos campos. O retorno veio em setembro de 2025, ainda discreto, ainda em processo de reencontro com o próprio corpo. O primeiro gol pelo time principal saiu em 7 de fevereiro de 2026 — pouco mais de três semanas antes desta semifinal.
Nesta terça-feira, Bernal não apenas marcou duas vezes. Ele foi o coração pulsante de um time que se recusou a morrer. E se o Barcelona não avançou, não foi por falta de tentativa — foi porque o Atlético de Madrid, de quem falamos em detalhes no artigo sobre Griezmann e o mercado de inverno, construiu uma fortaleza na primeira mão que ninguém derrubou.
O muro de Musso e o sistema de Simeone
A análise tática desta noite passa, obrigatoriamente, pelo goleiro argentino Juan Musso. Simeone apostou em um sistema que abdicava de qualquer pretensão ofensiva — cinco defensores, quatro médios em linha — para canalizar toda a energia na proteção do placar agregado.
Durante o segundo tempo, Barcelona criou ao menos três situações claras que deveriam ter sido gols. Musso saiu vencedor de cada uma. Não foi sorte: foi leitura de jogo e intervenções de categoria. Em um momento em que o Camp Nou e o mundo olhavam para Raphinha e Bernal como os protagonistas da noite, foi o goleiro que escreveu o capítulo decisivo.
A Remontada — palavra que o futebol espanhol carrega com peso histórico desde 2017 — ficou a um gol de acontecer. E esse gol ausente se tornará, com o tempo, uma das grandes "e se" do Barcelona na temporada 2025-26.
Raphinha e o papel do brasileiro na noite europeia
A missão que Raphinha assumiu publicamente antes desta partida — de liderar o time em uma virada considerada impossível — foi cumprida dentro das suas possibilidades. O capitão voltou de lesão, marcou o pênalti crucial que reacendeu a esperança no Camp Nou e manteve a postura de liderança durante toda a partida.
Não bastou. Mas é preciso dizer que o futebol brasileiro em solo europeu segue escrevendo páginas de relevância — não apenas com Raphinha, mas com toda a geração de brasileiros que hoje figura nas grandes ligas. Para uma visão mais ampla desse cenário, vale retornar ao nosso levantamento sobre brasileiros nas oitavas da Champions League 2026.
Números da partida
| Estatística | Barcelona | Atlético |
|---|---|---|
| Gols na noite | 3 | 0 |
| Gols no agregado | 3 | 4 |
| Posse de bola | 68% | 32% |
| Finalizações | 22 | 3 |
| Finalizações no alvo | 8 | 1 |
| Escanteios | 11 | 1 |
Gols: Marc Bernal (29'), Raphinha pen. (45+4'), Marc Bernal (72')
O que vem a seguir
O Atlético de Madrid avança à final da Copa del Rey 2026, onde aguarda o vencedor do confronto entre Real Sociedad e Athletic Bilbao. Simeone conquista mais um troféu de passagem à final em uma temporada que, com Griezmann ainda presente, prometia ser de transição — e acabou sendo de triunfo.
Para o Barcelona, a temporada segue com La Liga e Champions League na mira. A derrota doerá — mas, em noites como esta, o Camp Nou lembra ao mundo por que é um dos endereços mais especiais do futebol planetário.
Fonte: Al Jazeera Sports, Barca Blaugranes, World Soccer Talk | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


