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Bahia tem quatro empates seguidos: o que os números mostram

O Bahia chegou a quatro empates consecutivos e nove igualdades em 22 rodadas do Brasileirão. Os números explicam por que o time segue no G6, mas perdeu margem na disputa por Libertadores.

Thiago BorgesThiago Borges6 min de leitura
Bahia tem quatro empates seguidos: o que os números mostram
Bahia chega a quatro empates consecutivos no Brasileirão, sequência que freou a campanha na disputa por vaga continental — Foto: Reprodução / ge

Bahia tem quatro empates seguidos no Brasileirão 2026, e a sequência merece mais atenção do que a aparência de estabilidade sugere. O 0 a 0 com o Vasco, pela 22ª rodada, levou o Tricolor a nove igualdades em 22 partidas. A tabela oficial da CBF registra a equipe em sexto, com 33 pontos: ainda dentro do G6, mas com menos folga para transformar uma campanha de permanência em vaga continental.

Empatar não é, por definição, um mau resultado. Há pontos que protegem um time em uma tabela apertada e há partidas em que um empate fora de casa é valioso. O problema aparece quando a repetição troca a oportunidade de aproximação por uma rotina de meio passo. Nos últimos quatro compromissos de liga, o Bahia ficou no 1 a 1 com Atlético-MG e Corinthians, no 0 a 0 com Fluminense e Vasco. São quatro pontos somados em 12 possíveis.

O recorte novo muda a leitura da prévia de Bahia x Vasco, publicada antes da rodada. Naquele momento, havia um aviso sobre três empates consecutivos; agora a série ganhou mais um capítulo, tornou-se a maior sequência do clube na Série A desde 1986 e passou a cobrar uma resposta imediata no calendário.

Os números

A campanha do Bahia após a 22ª rodada

Pontos

33

6º lugar em 22 jogos

Empates

9

Maior total do Brasileirão até aqui

Sequência atual

4

Atlético-MG, Corinthians, Fluminense e Vasco

Campanha

8V · 9E · 5D

33 pontos em 66 possíveis

Fonte: CBF e ge, atualização de 12 de agosto de 2026

Bahia tem quatro empates seguidos e um ponto de inflexão

A campanha não se desmanchou. O Bahia venceu oito jogos, perdeu cinco e continua à frente de boa parte dos concorrentes por uma vaga na Libertadores. Mas a conta mostra por que o quarto empate muda o tom: os nove empates equivalem a pouco mais de 40% dos jogos disputados. Não é só uma característica de estilo; é uma quantidade que limita o salto na classificação quando os adversários diretos vencem.

O levantamento do ge aponta que o clube já igualou, em apenas 22 rodadas, os nove empates que acumulou em todo o Brasileirão de 2025. A marca atual também lidera o campeonato: Fluminense, Corinthians e Internacional aparecem com oito. Isso não diminui a relevância de estar no G6; apenas explica por que o time pode se sentir pressionado mesmo sem atravessar uma sequência de derrotas.

Há uma diferença importante entre não perder e ganhar ritmo. Em pontos corridos, as duas coisas convivem por algum tempo, mas não têm o mesmo efeito. Quatro empates preservam quatro pontos. Duas vitórias e duas derrotas no mesmo intervalo renderiam seis. O dado não é uma defesa automática de risco ou de jogo aberto; é um lembrete de que a escolha entre controlar uma partida e atacá-la precisa considerar o contexto de tabela.

O caso do Bahia é particularmente interessante porque a equipe passou a série sem colapsar defensivamente. Os placares foram curtos e não houve goleada. Ainda assim, o ataque não converteu domínio territorial ou volume em uma vantagem decisiva. Contra o Vasco, o placar zerado completou uma sequência que tirou oito pontos da referência de aproveitamento máximo. A questão para o trabalho de Rogério Ceni não é abandonar a organização: é encontrar uma forma de aumentar a taxa de jogos decididos a favor.

O mando pesa mais do que parece

Seis dos nove empates foram em Salvador. O ge registra quatro vitórias, seis igualdades e duas derrotas do Bahia como mandante: 18 pontos em 12 partidas, campanha de 50%. É um número funcional para não sair da zona de classificação, mas modesto para uma equipe que pretende sustentar vaga na Libertadores usando a Arena Fonte Nova como alavanca.

Fora de casa, o cenário é mais eficiente. São quatro vitórias, três empates e três derrotas, também com 50% de aproveitamento, mas em dez jogos. A campanha visitante está entre as melhores do campeonato, segundo o mesmo levantamento. O contraste é revelador: o Bahia foi competitivo quando precisou sobreviver longe de seus domínios, porém deixou escapar pontos em casa justamente onde deveria criar diferença.

Isso ajuda a evitar uma conclusão apressada de que a sequência é só azar. O futebol tem variância, e um pênalti perdido ou uma defesa extraordinária podem mudar uma rodada. Quatro resultados consecutivos, porém, já oferecem material para revisão. Há uma pergunta objetiva para os próximos jogos: o time está produzindo chances suficientes contra blocos baixos e conseguindo manter presença na área quando o adversário aceita o empate?

Sem dados de finalizações e chances claras consistentes entre as fontes consultadas, não seria responsável responder isso com uma sentença definitiva. A tabela, por outro lado, é clara: a margem para novos empates em casa diminuiu. É nessa fronteira que uma análise de desempenho precisa separar prudência de acomodação.

Chapecoense é o próximo teste da reação

O próximo compromisso será contra a Chapecoense, no domingo, 16 de agosto, às 11h, na Arena Condá, pela 23ª rodada. A data, o horário e o local constam na tabela detalhada da competição. É uma partida fora, terreno no qual o Bahia tem extraído seus melhores números, mas também uma oportunidade para interromper a série antes que ela vire uma narrativa maior do que a própria campanha.

O objetivo não precisa ser recalcular o campeonato inteiro a cada rodada. A disputa pelas vagas da Libertadores será definida por uma combinação de posições, títulos de copas e desempenho de vários clubes. Para o Bahia, a tarefa mais concreta é menos grandiosa: voltar a vencer uma partida de liga e fazer a boa posição atual refletir uma trajetória ascendente, não uma sequência que estaciona.

Os nove empates não anulam as oito vitórias. Mas eles determinam o tipo de resposta que o time precisa dar. O Bahia continua no G6 porque construiu uma base antes dessa série; para permanecer ali, precisa recuperar a diferença entre competir bem e levar os três pontos.

Fonte: ge, CBF e SofaScore · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.