Ancelotti encerra a era Neymar na Seleção e mira 2030
Um dia depois de Neymar dizer que não quer mais vestir a Amarelinha, Carlo Ancelotti confirmou o fim da geração que herdou: Casemiro, Danilo e Alex Sandro também não seguem. Marquinhos fica, Alisson será reavaliado e a virada de página começa nos amistosos contra a Austrália, em setembro.
Patrícia Mendes4 min de leitura
A resposta demorou menos de 24 horas. Um dia depois de Neymar dizer, na zona mista da Vila Belmiro, que não pretende mais vestir a Amarelinha, Carlo Ancelotti encerrou publicamente a era Neymar na Seleção Brasileira — e deixou claro que a decisão do camisa 10 não é um caso isolado, mas o primeiro nome de uma lista maior. Em entrevista à ESPN nesta quarta-feira, o italiano tratou a saída como o gatilho de uma troca de geração que já estava desenhada desde a eliminação para a Noruega.
Ancelotti confirma o fim do ciclo de Neymar
"Eu penso que jogadores como o Neymar, que já comentou ontem, e todo respeito pela decisão. Eu creio que a história, é uma geração se acaba e a outra tem que vir, tem que ser melhor que a última", disse o treinador.
A frase é de aceitação, mas Ancelotti não deixou de registrar a ressalva técnica que acompanhou Neymar durante toda a preparação para a Copa: "A única coisa que me incomodou é que o Neymar podia treinar nesse período, preparar-se melhor, podia estar melhor no primeiro jogo e não no quarto."
É uma cobrança coerente com o que se viu em campo. O camisa 10 chegou ao torneio sem ritmo de jogo acumulado e só apareceu de forma consistente quando o Brasil já estava no mata-mata — tarde demais. À CNN Brasil, o técnico resumiu o diagnóstico de forma mais ampla: com esta Copa acaba uma geração de jogadores muito importantes, começando por Neymar.
Os números que Neymar deixa na Amarelinha
Neymar sai como o maior artilheiro da história da Seleção: 80 gols e 58 assistências em 130 partidas oficiais, em quatro Copas do Mundo disputadas. No currículo com a camisa do Brasil estão a Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro olímpica de 2016, conquistada com a seleção sub-23 no Maracanã.
A despedida involuntária aconteceu em 5 de julho, na derrota por 2 a 1 para a Noruega pelas oitavas de final — jogo que a coluna da Neide dissecou em Brasil eliminado pela Noruega e que o portal havia antecipado em Brasil x Noruega: as oitavas da Copa 2026. O detalhe simbólico: a partida foi em Nova Jersey, o mesmo estado onde ele estreou pela Seleção principal, em 2010.
Quem sai, quem fica e quem entra na conta
O recado de Ancelotti vai além do camisa 10. O treinador sinalizou que Casemiro, Danilo e Alex Sandro também não devem seguir no ciclo de convocações — todos passaram dos 30 anos durante a Copa e formavam a espinha dorsal do grupo herdado de Dorival Júnior.
A régua, porém, não é apenas etária. Marquinhos foi citado como nome que permanece no grupo, sustentado pela regularidade no Paris Saint-Germain. E Alisson ficou em compasso de espera: a permanência dele será avaliada conforme o desempenho dos goleiros mais jovens nas próximas listas — uma disputa aberta, e não uma sucessão anunciada.
Do outro lado da conta, Ancelotti falou em aproximar o grupo principal da Seleção sub-20 e em acompanhar de perto a evolução dos jovens nos clubes. Vinicius Júnior, Estêvão, Endrick e Rayan formam o núcleo que sobrou da Copa e que agora ganha responsabilidade de protagonismo, não de promessa.
Austrália em setembro, Copa América em 2028
O primeiro teste do novo ciclo já tem data e endereço. A Seleção volta a campo em dois amistosos contra a Austrália: 25 de setembro, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, e 29 de setembro, no Suncorp Stadium, em Brisbane. É a primeira Data FIFA depois do Mundial e o momento em que a lista de Ancelotti vai revelar o tamanho real da reformulação.
O horizonte competitivo, segundo o italiano, é a Copa América de 2028 — primeiro torneio grande da nova geração e única chance de rodar um grupo inteiro em ambiente de decisão antes das Eliminatórias para 2030. Ancelotti tem contrato até o fim do próximo ciclo mundial, como o portal detalhou em Ancelotti fica na Seleção e abre novo ciclo rumo a 2030.
Neymar, por sua vez, segue no Santos, onde o futuro contratual continua em aberto — assunto tratado em Neymar, o retorno ao Santos e o cenário da MLS. A Seleção que ele deixa tem quatro anos para provar a tese de Ancelotti: que a geração seguinte precisa ser melhor do que a que acabou.
Fontes: Lance!, CNN Brasil e Band.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Neymar se aposentou da Seleção Brasileira?
- Sim. Na noite de 28 de julho de 2026, na Vila Belmiro, ele afirmou que não pretende mais jogar pela Seleção. Ancelotti confirmou o fim do ciclo no dia seguinte.
- Quantos gols Neymar fez pela Seleção Brasileira?
- Foram 80 gols e 58 assistências em 130 partidas oficiais. Nenhum jogador marcou mais vezes com a camisa do Brasil.
- Quais veteranos não seguem na Seleção com Ancelotti?
- Além de Neymar, o técnico sinalizou fim de ciclo para Casemiro, Danilo e Alex Sandro. Marquinhos deve permanecer e Alisson será reavaliado.
- Quando é o próximo jogo da Seleção Brasileira?
- Dois amistosos contra a Austrália: 25 de setembro em Townsville e 29 de setembro em Brisbane.
Fonte: Lance!, CNN Brasil, Band, Gazeta Esportiva · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Analista Tática
Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.


