Wolverhampton x Liverpool: FA Cup e a revanche no Molineux
Três dias após a derrota de 2 a 1 na Premier League, o Liverpool volta ao Molineux para decidir a vaga nas oitavas da FA Cup. Análise tática, escalações e palpite.


Três dias. É o tempo que separa uma derrota humilhante de uma chance de redenção. O Liverpool foi ao Molineux na terça-feira, tomou 2 a 1 do Wolverhampton na Premier League — com gol sofrido de André nos acréscimos — e agora retorna ao mesmo estádio nesta sexta-feira (6), às 17h (de Brasília), para decidir quem avança à 5ª rodada da Copa da Inglaterra.
O jogo contra o Wolverhampton x Liverpool na FA Cup 2025/26 tem peso diferente dos duelos de campeonato. Para os Reds, trata-se do último torneio em que uma taça ainda parece possível nesta temporada. Para os Wolves, é mais uma oportunidade de provar que não são apenas os lanterna da Premier League que todo mundo pisa — mas um time que, nas copas, sabe o que está fazendo.
Ficha Técnica
| Campo | Detalhe |
|---|---|
| Jogo | Wolverhampton x Liverpool |
| Competição | FA Cup 2025/26 — 5ª Rodada |
| Data | Sexta-feira, 06/03/2026 |
| Horário | 17h (Brasília) |
| Local | Molineux Stadium, Wolverhampton, Inglaterra |
| Árbitro | Farai Hallam |
| Onde assistir | Disney+ |
O Momento das Equipes
O Liverpool chegou à temporada 2025/26 como um dos candidatos naturais ao título. Tinha acabado de ser campeão inglês, investiu pesado no mercado de verão europeu e tinha na liderança de Arne Slot uma continuidade tática clara. O que aconteceu desde então, no entanto, foi uma decepção progressiva.
Na Premier League, os Reds ocupam apenas o 5º lugar — fora da zona de classificação direta para a Champions League da próxima temporada. O ataque, antes tão fluido, não encontrou consistência. A defesa cometeu erros que em outros anos seriam impensáveis. E os tropeços se acumularam em momentos decisivos.
O departamento médico é um problema crônico neste momento. Para a partida contra o Wolverhampton, Slot não poderá contar com Conor Bradley, Giovanni Leoni, Stefan Bajcetic, Wataru Endo e Alexander Isak. A boa notícia é que Florian Wirtz voltou aos treinos após lesão e foi relacionado — mas não deve ser titular. O alemão, uma das contratações mais esperadas do verão, deve aparecer no banco como opção para os minutos finais.
Com tantas ausências, o treinador precisará de soluções criativas para romper a solidez tática dos Wolves. A FA Cup, neste contexto, não é apenas uma competição: é o que sobrou de uma temporada que prometeu muito mais.
O Wolverhampton vive uma esquizofrenia de resultados que seria cômica se não fosse tão real. Na Premier League, estão colados à lanterna faz meses, sem volume de gol suficiente para escapar da zona de rebaixamento. Já nas copas, o mesmo time parece jogar em outra divisão.
Na Copa da Liga Inglesa, eliminaram West Ham e Everton antes de cair apenas nas penalidades contra o Chelsea (4 a 3 nas pênaltis, após 3 a 3 no tempo normal). Na FA Cup, foi ainda mais categórico: 6 a 1 sobre o Shrewsbury Town, 1 a 0 sobre o Grimsby Town — e agora chegam ao jogo mais difícil da copa com a moral reforçada pela vitória de 2 a 1 sobre o Liverpool na terça-feira.
Rodrigo Gomes marcou o primeiro e André fechou a conta nos acréscimos. O Molineux teve sua noite. Agora, o desafio é confirmar que aquilo não foi obra do acaso.
Escalações Prováveis
Liverpool (4-2-3-1): Alisson; Gomez, Konaté, Van Dijk, Robertson; Gravenberch, Jones; Salah, Szoboszlai, Ngumoha; Chiesa
Alisson Becker continua como referência entre as traves dos Reds — o goleiro brasileiro mantém regularidade mesmo com a temporada irregular ao redor dele. Veja como outros brasileiros têm se destacado no futebol europeu nesta temporada. Slot deve promover rotação moderada: com Wirtz fora do onze titular, Chiesa recebe a responsabilidade de movimentar a linha adversária. Rio Ngumoha, joia da formação do clube, pode ser surpresa no setor ofensivo.
Wolverhampton (3-5-2): Sam Johnstone; Mosquera, Santiago Bueno, Krejcí; Tchatchoua, Mateus Mané, André, João Gomes, Møller Wolfe; Rodrigo Gomes, Armstrong
O técnico dos Wolves deve repetir praticamente o mesmo time que bateu o Liverpool na Premier League. A mudança confirmada está na meta: Sam Johnstone, que é titular nos jogos de copa, entra no lugar de José Sá. André e João Gomes formam uma dupla de volantes brasileiros que tem sido crucial na organização do meio-campo dos Wolves — dois nomes que merecem atenção especial para quem segue o futebol inglês.
Wolverhampton x Liverpool: Histórico na Copa da Inglaterra
Os dois clubes têm um histórico específico e curioso na FA Cup. São nove confrontos ao total nesta competição — e o equilíbrio entre as equipes é real.
O Liverpool venceu em 1929, 1952 e chegou às oitavas em 1939. Os Wolves conquistaram a partida em 1939, 1949 e — os mais memoráveis para a nova geração — em 2017 e 2019, com o mesmo placar de 2 a 1 nas duas ocasiões. Não por coincidência, é exatamente o placar que os Wolves fizeram na Premier League nesta semana.
O Molineux Stadium, nessas noites de copa, tem uma aura particular. A torcida dos Wolves, mesmo frustrada com a campanha no campeonato, comparece em peso e cria uma atmosfera que complica a vida de qualquer visitante, especialmente para um Liverpool que chega abalado.
Pontos Táticos
A análise tática deste jogo passa por uma pergunta fundamental: o Liverpool consegue encontrar respostas diferentes em 72 horas?
O sistema dos Wolves é previsível mas muito eficiente: bloco médio compacto, André e João Gomes controlando o centro do campo e impedindo a progressão adversária, e transições rápidas pelas pontas com Rodrigo Gomes e Tchatchoua. Foi exatamente assim que o Liverpool foi desequilibrado na terça-feira — perdendo a bola no meio, sofrendo contra-ataque e sendo punido em dois momentos.
Para romper este esquema, o Liverpool precisa de velocidade nas trocas de passes, presença nos espaços entre as linhas e — principalmente — consistência para manter o pé na área adversária por períodos prolongados. Szoboszlai como meia ofensivo entre as linhas é o jogador mais indicado para ser esse catalisador.
O ponto fraco dos Wolves continua sendo a posse de bola prolongada. Quando forçados a defender por longos períodos, os erros aparecem. A questão é se o Liverpool, com as ausências que tem, consegue sustentar essa pressão durante os 90 minutos.
Outro fator relevante é a gestão física. O Liverpool disputou muitos jogos nas últimas semanas com um elenco já enxuto. O Wolves, jogando melhor nas copas e com o plantel completo, chega descansado para este tipo de decisão. A possibilidade de prorrogação está no radar — e nesse cenário, o banco dos Wolves pode ser determinante.
Enquanto este duelo define uma vaga nas oitavas da FA Cup, o Real Madrid e o Manchester City se preparam para o clássico mais aguardado das oitavas da Champions League — mais um sinal de que março está sendo o mês mais intenso do futebol europeu.
Palpite
Os modelos estatísticos apontam para 66,5% de probabilidade de vitória do Liverpool, com 18,7% de chance de empate e apenas 14,6% para os Wolves repetirem o feito. Os números favorecem os Reds.
Mas o futebol não se joga no papel. O Wolverhampton mostrou que tem capacidade e confiança para bater o Liverpool, e o Molineux é um fator a mais na conta.
A tendência é que o Liverpool, pressionado pela necessidade e com o orgulho ferido, encontre uma performance mais organizada do que na terça-feira. Salah deve ser o grande protagonista na criação, e Szoboszlai o responsável por transformar o domínio em gols.
Palpite: Liverpool vence por 2 a 1, avança às oitavas da FA Cup e dá um passo importante para salvar a temporada. Mas os Wolves vão fazer jus ao que têm mostrado nas copas — e o jogo vai longe antes de ser decidido.
Fonte: Sports Mole, The Is Anfield, Liverpool FC | Informações adicionais por Beira do Campo

Analista Tática
Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.


