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Beirado Campo
Opinião

Volta do Brasileirão 2026: quem fez o dever de casa na janela

O Brasileirão volta nesta terça com o returno em aberto e uma verdade escancarada pela janela: enquanto o interior contratou como gente grande, alguns gigantes preferiram torcer para o milagre acontecer sozinho.

Neide FerreiraNeide Ferreira4 min de leitura
Volta do Brasileirão 2026: quem fez o dever de casa na janela
Ilustração — arquibancada vazia à espera do returno do Brasileirão 2026, que recomeça nesta terça-feira

A bola do Brasileirão volta a rolar nesta terça-feira depois de mais de um mês parada por causa da Copa do Mundo, e eu vou dizer o que ninguém do cartório quer dizer em voz alta: a janela de transferências não foi só um mercado de reforços. Foi um teste de caráter. E boa parte dos clubes grandes tirou nota vermelha.

Enquanto a bola descansava, o mercado trabalhou. Foram 45 contratações e 54 saídas só na Série A, segundo o balanço do ND Mais. Número bonito. O problema é olhar de perto e descobrir quem fez a lição e quem entregou a prova em branco.

O interior deu aula de gestão

Sabe quem mais se mexeu na parada? O Mirassol. Sete contratações e seis saídas, o elenco praticamente refeito para encarar a segunda metade da temporada. Podem torcer o nariz para o time do interior paulista, mas foi ele que tratou a janela como o que ela é: uma segunda largada. Enquanto isso, tem clube de camisa pesada que passou o recesso inteiro publicando foto de pré-temporada e pouca coisa mais.

O Cruzeiro, esse pelo menos abriu o cofre. A Raposa despejou perto de R$ 90 milhões e trouxe o lateral Gabriel Rojas e o atacante Gabriel Pec como as joias da vez — já detalhei a chegada de Rojas em outra análise. Concordem ou não com os valores, ali existe um projeto. Existe um plano para o returno. Existe alguém acordado no departamento de futebol.

E não foi só a Raposa. O São Paulo também entendeu o recado e voltou ao Brasileirão com o elenco reformulado, mexendo onde precisava mexer em vez de repetir o mantra preguiçoso de que "o grupo é bom e só faltou sorte". Sorte é o que os fracos chamam de trabalho alheio. Time sério não espera a sorte virar — vai atrás dela na janela, com contrato assinado e nome no boletim da CBF. O resto é conversa para maquiar dirigente acomodado.

Os gigantes que apostaram na preguiça

Agora vem a parte que dói. Flamengo, Santos e Red Bull Bragantino chegaram ao reinício sem anunciar um único reforço. Nenhum. Zero. E não me venham com o discurso de "o elenco já é forte", porque se o elenco fosse tão maravilhoso assim, metade desses times não teria tropeçado como tropeçou no primeiro turno.

O Flamengo ainda tem a desculpa de estar caçando alvo grande — a novela do Thiago Almada segue quente com a janela aberta —, mas desculpa não é reforço registrado no BID. É promessa. E promessa não marca gol, não tapa buraco na lateral e não segura contra-ataque em noite de returno decisivo.

Cada dia parado é um dia a menos de entrosamento antes de a conta chegar. A janela abriu no dia 20 de julho e só fecha no dia 11 de setembro. Tempo existe. Falta atitude.

O caso Corinthians é de chorar (ou rir)

E aí tem o Corinthians, que nem no departamento da preguiça se encaixa — porque no caso do Timão a inércia é forçada. O clube acumula três transfer bans, incluindo a punição da Fifa pela dívida com o Philadelphia Union no negócio do José Martínez e o castigo da CBF por atraso nas parcelas da CNRD. Resultado: proibido de registrar reforço, como já contei na análise do drama corintiano na janela.

É a diferença entre não querer e não poder. O Corinthians queria — mas colheu o que plantou anos de gestão financeira temerária. Um alerta luminoso para todo dirigente que acha que balanço é detalhe: uma hora a fatura chega, e ela chega no pior momento possível, que é com o campeonato recomeçando.

O returno não perdoa quem cochilou

Minha leitura é simples e vocês podem me cobrar em setembro: os times que trataram a janela como oportunidade vão largar na frente no returno, e os que trataram como formalidade vão passar as próximas semanas explicando em coletiva por que não se reforçaram. E não existe explicação bonita para preguiça.

O primeiro turno já mostrou onde cada um está machucado. A janela era a chance de passar o remédio. Quem passou, sai desta terça com vantagem. Quem preferiu economizar energia e torcer para o problema sumir sozinho vai descobrir, do jeito mais amargo, que no returno o problema não some — ele cresce.

A bola volta a rolar hoje. E, ao contrário de certos dirigentes, ela não tira férias.

Fonte: ND Mais, Lance!, meutimao · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.