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Vlahovic tem 8 milhões na mesa e espera um Barcelona mudo

O Besiktas colocou na mesa exatamente o que ele pediu: dois anos, 8 milhões líquidos por temporada e mais de 5 milhões de luvas. Vlahovic não respondeu. Espera o Barcelona, que perdeu Lewandowski, procura um camisa 9 e até agora não ligou. O prazo que ele mesmo deu vence esta semana.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos5 min de leitura
Vlahovic tem 8 milhões na mesa e espera um Barcelona mudo
Dusan Vlahovic, livre no mercado desde o fim do contrato com a Juventus em junho de 2026 — Foto: Reprodução / Wikipedia

Existe um tipo específico de silêncio no futebol, e Dusan Vlahovic está vivendo ele agora. É o silêncio de um telefone que não toca. O sérvio está livre no mercado desde 30 de junho, quando o contrato com a Juventus expirou sem renovação, e tem em mãos uma proposta que atende exatamente aquilo que pediu quando abriu as negociações. O problema é que a proposta vem de Istambul, e ele queria que viesse de Barcelona.

Segundo o jornal Record, que cita o diário espanhol Sport, o Besiktas colocou sobre a mesa dois anos de contrato, 8 milhões de euros líquidos por temporada e um bônus de assinatura acima de 5 milhões. Vlahovic recebeu, leu e não respondeu. Pediu tempo. O prazo que ele mesmo estabeleceu para decidir — a primeira semana de agosto — vence nos próximos dias.

O preço que Vlahovic pediu e o Besiktas aceitou

Vale a pena olhar os números lado a lado, porque eles contam a história inteira. Quando o sérvio começou a ouvir propostas, em julho, a exigência dele era clara: contrato de dois anos, cerca de 8 milhões de euros líquidos por temporada, mais luvas e comissões. Foi o que a Trivela apurou no fim do mês passado, também com base no Sport.

É difícil encontrar no mercado atual um caso em que o clube interessado tenha atendido o pedido com tanta precisão. O Besiktas não negociou para baixo, não ofereceu metade esperando encontrar no meio do caminho. Ofereceu o número cheio e ainda acrescentou as luvas. E recebeu como resposta um pedido de mais tempo.

O detalhe que dá sabor à história: o técnico do Besiktas é Vincenzo Italiano, contratado em junho de 2026 depois de duas temporadas no Bologna. Italiano treinou Vlahovic na Fiorentina, antes da transferência para Turim. Não é um clube distante mandando um fax — é um treinador que conhece o jogador tentando reconstruí-lo.

Por que o Barcelona não liga

A espera de Vlahovic tem uma lógica. O Barcelona perdeu Robert Lewandowski, cujo contrato também expirou em 30 de junho, e passou a temporada procurando um centroavante. A vaga existe. O interesse, não exatamente.

O clube catalão ouviu as condições do sérvio e não avançou. A prioridade da diretoria era Julián Álvarez, do Atlético de Madrid, uma operação que a própria imprensa espanhola descreve como cada vez mais difícil pelo valor de mercado e pela resistência dos madrilenhos em negociar. Vlahovic aparece na lista, mas como alternativa — e alternativa de quem já flexibilizou. No fim de julho, quando as conversas com o Barça travaram, ele passou a aceitar algo em torno de 6 milhões por temporada, desde que fosse um clube de peso das cinco grandes ligas.

É a segunda vez em poucas semanas que o ataque do Barcelona se reorganiza no vazio: Marcus Rashford se despediu sem que o clube exercesse a opção de compra, preferindo investir em outros nomes. A janela europeia está movimentada — Bruno Guimarães a caminho do Arsenal por valores que passam de 80 milhões de libras é a prova —, mas o dinheiro está circulando em posições que não são a de Vlahovic.

O que sobrou de quatro anos e meio em Turim

A Juventus pagou 70 milhões de euros à Fiorentina em janeiro de 2022, mais 10 milhões em bônus por metas, para tirar Vlahovic do rival toscano. Era o centroavante da década italiana, o herdeiro natural da vaga que Cristiano Ronaldo tinha acabado de deixar.

O saldo foram 68 gols e 15 assistências em quatro anos e meio. Não é um número vergonhoso, mas está longe do que se paga por 80 milhões. A última temporada, a 2025/26, terminou com apenas 10 gols e passou por lesões no adutor e na panturrilha. Em junho, Giorgio Chiellini, hoje dirigente do clube, encerrou o assunto em público com uma frase que soou a despedida definitiva: nas condições salariais atuais, Vlahovic não ficaria na Itália.

Quatro anos e meio depois, o jogador que custou 80 milhões vale zero em taxa de transferência. É a aritmética cruel do contrato que se deixa vencer.

O relógio de agosto

A janela de transferências europeia fecha em 1º de setembro, o que na teoria dá quase um mês. Na prática, não dá. Um centroavante que chega em meados de agosto perde a pré-temporada inteira, começa atrás fisicamente e passa dois meses correndo para alcançar o elenco — exatamente o que Vlahovic disse querer evitar quando estabeleceu o prazo da primeira semana do mês.

O cálculo dele é compreensível: aos 26 anos, uma assinatura com o Besiktas provavelmente encerra a chance de voltar às cinco grandes ligas em alto nível. É a decisão entre o dinheiro garantido agora e a porta que talvez nunca mais se abra.

Só que a porta que ele está segurando aberta pertence a um clube que não demonstrou vontade de atravessá-la. E o histórico recente do mercado é bem claro sobre o que costuma acontecer com atacantes livres que apostam alto em um telefonema que não vem: eles assinam em setembro, por menos, em um clube pior. Vlahovic tem alguns dias para não virar mais um.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Vlahovic está livre no mercado?
Sim. O contrato dele com a Juventus expirou em 30 de junho de 2026 e não foi renovado, então ele pode assinar com qualquer clube sem custo de transferência.
02
Quanto o Besiktas ofereceu a Vlahovic?
Dois anos de contrato com salário de 8 milhões de euros líquidos por temporada, mais um bônus de assinatura superior a 5 milhões de euros.
03
O Barcelona fez proposta por Vlahovic?
Não. Até 3 de agosto de 2026 o Barcelona apenas ouviu as condições do jogador, sem apresentar oferta formal.
04
Até quando Vlahovic pode escolher um clube?
A janela de transferências europeia fecha em 1º de setembro de 2026, mas o próprio jogador estabeleceu a primeira semana de agosto como prazo para decidir.

Fonte: Record, Trivela, Sport e O Gol · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

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