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Sexta Europeia: Raphinha cai — e o Brasil precisa de outros heróis nas quartas

O melhor brasileiro da Champions cai às vésperas das quartas. Sem Raphinha, o Barcelona perde seu eixo — e o futebol brasileiro precisa que Vinicius, Marquinhos e Alisson preencham o espaço.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos5 min de leitura
Sexta Europeia: Raphinha cai — e o Brasil precisa de outros heróis nas quartas
Quartas de final da Champions League 2025/26 — Foto: Reprodução / UEFA

Existe uma cruel ironia no calendário do futebol de alto nível: ela se manifesta quando o atleta mais brilhante chega ao seu melhor momento — e então a natureza, impassível diante de qualquer narrativa, decide impor um limite. Raphinha chegou ao primeiro semestre de 2026 em um nível que só se vê uma vez a cada geração de brasileiros na Europa. Dezenove gols na Champions. A goleada de 7 a 2 sobre o Newcastle, com dois gols e duas assistências em uma noite que o Camp Nou preferirá não esquecer. Uma candidatura séria à Bola de Ouro que fazia a torcida do Barcelona sonhar com um prêmio que o clube não levantava há mais de uma década.

E então, no amistoso da Seleção Brasileira contra a França em 26 de março, uma distensão muscular na coxa direita. O melhor brasileiro da Champions League 2025/26 não vai estar nas quartas de final.

O que o Barcelona perde — e o que isso representa

Não é apenas um jogador. É o padrão de jogo do Barcelona que vai se reconfigurar a partir de agora. Raphinha era o fio condutor da pressão alta no lado direito, o homem que dava amplitude ao trio ofensivo e que, mais do que qualquer outro, convertia as ideias de Hansi Flick em resultados tangíveis. Sem ele, o Barcelona enfrenta o Atlético de Madrid — no Camp Nou na quarta-feira e no Metropolitano na semana seguinte — com uma lacuna que não existe substituto natural para preencher.

O Atlético é exatamente o tipo de time que pune ausências: defesa compacta, transição rápida, brutalidade organizada. Simeone vai montar sua armadilha costumeira no bloco médio-baixo, e o Barcelona vai precisar de criatividade e variação para não cair na armadilha. Pedri pode avançar. Dani Olmo pode assumir um papel mais central. Mas nenhum deles é Raphinha em abril de 2026.

Há um detalhe que merece atenção: antes das quartas, o Barcelona enfrenta o próprio Atlético de Madrid no sábado, pela La Liga, com o resultado da liga também em jogo. Os catalães lideram por cinco pontos, mas o contexto cria uma pressão tripla — poupar ou escalar? Preservar segredos táticos ou mostrar força? A rivalidade histórica entre os dois vai ganhar uma camada nova de complexidade neste fim de semana.

Vinicius, Marquinhos e Alisson — o Brasil que não caiu

Se Raphinha vai assistir do banco, o restante da delegação brasileira nas quartas de final mantém o Brasil como protagonista desta Champions.

Vinicius Jr. é o principal candidato a herdar o protagonismo. O Real Madrid abre as quartas na terça-feira contra o Bayern de Munique no Bernabéu — o confronto mais grandioso desta fase — e Vinicius chega com seis gols e três assistências em 2026. Os dois gols no Etihad, que liquidaram o Manchester City de Guardiola nas oitavas, foram o tipo de atuação que transforma atletas em lendas. O Bayern, por sua vez, joga o Der Klassiker neste sábado contra o Borussia Dortmund — um aquecimento tenso antes de vir a Madrid.

Há um componente que eleva ainda mais a narrativa: em março, torcedores do Benfica projetaram ofensas racistas contra Vinicius em um jogo em Lisboa. Vincent Kompany, técnico do Bayern, tomou partido público e declarou que o brasileiro "não tinha motivo para mentir" sobre os abusos que sofre. O adversário, neste caso, é o treinador que defendeu sua honra. O futebol, às vezes, oferece esses encontros carregados de significado que nenhum roteirista ousaria inventar.

Marquinhos capitaneia o PSG no duelo mais equilibrado desta fase: Paris contra Liverpool, no Parque dos Príncipes na quarta-feira. O capitão brasileiro já disputou 117 jogos na Champions e tem onze gols — mais do que qualquer zagueiro em atividade no torneio. Com o PSG em grande fase na Ligue 1, a missão de Marquinhos é transformar solidez em conquista.

Do outro lado do confronto, em Anfield duas semanas depois, estará Alisson. O goleiro brasileiro disputará as maiores partidas de sua vida com a camisa vermelha do Liverpool, clube que o alçou ao status de melhor goleiro do mundo. É, de certa forma, o encontro de duas gerações do futebol brasileiro na Europa: a pragmática sobriedade de Alisson contra o brilho criativo de Marquinhos.

Os brasileiros na Champions nunca estiveram tão presentes em tantos cenários decisivos ao mesmo tempo.

O que esperar das quartas — e onde o Brasil decide

Voltando ao Barcelona: a ausência de Raphinha não elimina os catalães, mas aumenta o risco. O time de Flick ainda tem o elenco mais talentoso do torneio nesta fase. O problema é que o Atlético de Simeone não perdoa time incompleto.

No Madrid, Vinicius tem o talento e a história para decidir o confronto mais histórico da fase. No PSG, Marquinhos tem a maturidade para ser o diferencial invisível que os grandes zagueiros representam em grandes jogos. E em Liverpool, Alisson pode salvar pontos que valem troféus.

A ironia de Raphinha estar fora é que ela amplifica, paradoxalmente, a presença brasileira nas quartas. Antes, havia um protagonista claro. Agora, o Brasil vai precisar de três ou quatro vozes cantando juntas para preencher o espaço que um só homem ocupava.

As quartas da Champions 2026 começam na terça-feira, com o Real Madrid de Vinicius recebendo o Bayern de Munique às 21h (horário de Brasília). Antes disso, o fim de semana oferece La Liga e Bundesliga como aperitivos.

Raphinha assiste. O Brasil torce. E a Champions, como sempre, vai nos dar a resposta que nenhum analista consegue prever.


Marcos Vinicius Santos cobre futebol europeu para o Beira do Campo todo sábado.

Fonte: UEFA, ESPN Brasil, BBC Sport · informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
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