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Segunda da Neide: sem Rodrygo, a convocação de hoje define o Brasil na Copa

Ancelotti anuncia a última lista da Seleção antes da Copa hoje às 15h30. Com Rodrygo destruído e Neymar instável, o Brasil ainda não sabe com quem vai jogar no Mundial.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
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Segunda da Neide: sem Rodrygo, a convocação de hoje define o Brasil na Copa
Ancelotti comanda a Seleção Brasileira — Foto: Reprodução / CNN Brasil

Hoje às 15h30, Carlo Ancelotti senta na frente de um microfone e anuncia a última convocação da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo. A última. Sem segunda chance, sem mais rodada de testes. Daqui a pouco mais de três meses, o Brasil entra em campo nos Estados Unidos contra o mundo inteiro.

E o que temos até agora? Rodrygo fora com o joelho destruído. Neymar disputou três partidas pelo Santos em 2026 e convenceu metade da torcida — e enganou a outra. Ancelotti tem 13 nomes na bagagem e oito vagas abertas. Oito vagas. Num país de 200 milhões de torcedores loucos de futebol, ainda estamos decidindo oito vagas faltando menos de cem dias para a bola rolar.

Pode respirar. A Neide está aqui.

O buraco que Rodrygo deixou na convocação

Rodrygo rasgou o ligamento cruzado anterior e o menisco lateral do joelho direito. Cirurgia feita, prognóstico de 9 a 12 meses. Copa do Mundo 2026 — cancelada para ele.

É uma perda enorme que boa parte do debate nacional ainda não entendeu direito. Não se trata só de substituir uma posição: Rodrygo era o jogador do Real Madrid que conectava o meio com o ataque, que aparecia na pressão, que sabia exatamente o que fazer quando o jogo ficava feio. Tinha acumulado oito gols no ciclo atual — mais do que qualquer outro atacante da lista — e carregava a camisa 10 em algumas partidas com uma naturalidade que nenhum outro candidato demonstra com a mesma consistência.

Substituto direto? Não existe. Gabriel Martinelli vai brigar pela esquerda, Endrick tem o nome cotado, Rayan do Bournemouth entrou na pré-lista. São opções, não são Rodrygo. A convocação de hoje vai revelar se Ancelotti já assimilou essa diferença ou ainda está esperando um milagre que não vai chegar.

Aqui vale uma consulta nos números da Seleção neste ciclo — eles mostram como o ataque brasileiro depende demais de jogadores que criam de forma individual, e perder o principal deles nesse quesito é um golpe sério.

Neymar na Copa: para de enrolar e toma uma decisão

Aqui é onde preciso ser honesta, mesmo que doa.

Neymar tem 34 anos. Voltou ao Santos depois de cirurgia no joelho esquerdo. Jogou três partidas em 2026. No clássico contra o Corinthians no sábado, ficou apagado na maior parte do tempo. E antes que alguém venha na minha menção dizer que "deu passes bonitos" — passes bonitos não ganham Copa do Mundo.

A questão nunca foi a qualidade do Neymar. A questão é se ele ainda tem corpo para suportar um torneio que começa em junho e vai até julho, com jogos de 90 minutos contra Alemanha, França, Argentina e Croácia — que por sinal o Brasil enfrenta em amistoso no dia 31, em Orlando.

Ancelotti disse a coisa certa: só convoca o Neymar em maio se ele estiver 100% fisicamente. Correto. Mas o torcedor brasileiro precisa parar com a pressão emocional em torno disso, porque essa pressão atrapalha mais do que ajuda. O Ney merece nosso carinho. A Seleção merece nossa clareza.

E tem uma pergunta que quase ninguém está fazendo: com Rodrygo fora e Neymar em espera, quem é o camisa 10 do Brasil em junho? Essa resposta, Ancelotti precisa ter hoje — ou pelo menos sinalizá-la.

Eu já levantei o problema do atacante de área nesta coluna de março. O ataque continua mal resolvido. E agora perdemos mais uma peça importante.

O que esperar da lista de hoje

O Brasil enfrenta França no dia 26 e Croácia no dia 31, nos Estados Unidos. Dois adversários de respeito para calibrar a equipe antes do torneio. Os convocados de hoje precisam ser homens prontos para jogar, não cobais de experimento.

Entre os desfalques certos: Éder Militão (lesionado), Vanderson, Caio Henrique e Bruno Guimarães também fora. São quatro titulares da espinha dorsal que não estarão disponíveis. Quatro. Isso não é um problema pequeno — é uma crise de elenco disfarçada de "rotatividade normal".

O que quero ver confirmado na lista:

  • Martinelli como titular da ponta esquerda — chega de rodeio, o menino do Arsenal é o melhor disponível na posição
  • Endrick com oportunidade real — não é mais menino, está sendo utilizado no Lyon, merece minutos de verdade
  • Definição na lateral-esquerda — sem Caio Henrique, alguém precisa assumir de vez

O que não quero ver: convocações de "respeito ao nome" sem embasamento no que aconteceu nos últimos meses. Copa não é homenagem. Copa é missão.

A última convocação de Ancelotti antes da Copa

Às 15h30 de hoje, o Brasil vai saber quem somos.

Ancelotti é um técnico de elite com títulos de sobra. Não venho aqui duvidar da competência do homem. Venho cobrar o que é razoável: depois de cinco convocações e um ciclo inteiro, chegou a hora de parar de experimentar e de decidir. O torneio não vai esperar.

A Copa do Mundo de 2026 começa em 86 dias. O Brasil tem talento — isso nunca foi a dúvida. O problema histórico desta Seleção é saber usar o que tem, construir uma identidade que resista à pressão dos grandes jogos e não desmoronar quando o adversário aperta.

Rodrygo não vai estar lá. Neymar pode ou não estar. O que tem de estar é um plano claro.

Senão, vamos chegar nos Estados Unidos como chegamos em outras Copas: com muito talento individual, sem identidade coletiva — e saindo nas quartas com cara de surpreso.

E eu já enjoei desse filme.

Fonte: CNN Brasil, ESPN Brasil, Lance! | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.