Samuel Lino no Flamengo: criação precisa ser coletiva
Disposto a atuar como meia na ausência de Arrascaeta, Samuel Lino oferece uma alternativa a Jardim. Neide defende o teste, com divisão de tarefas para preservar a força do ataque.
Neide Ferreira5 min de leitura
Samuel Lino no Flamengo pode ajudar a organizar o ataque durante a recuperação de Arrascaeta. Eu defendo que Leonardo Jardim considere essa alternativa, mas com uma condição: distribuir a criação entre os jogadores. Transferir toda a responsabilidade do uruguaio para um atacante seria exigir que uma mudança de posição resolvesse, sozinha, um problema coletivo.
A discussão ganhou um elemento concreto no sábado, 3 de outubro. Depois do amistoso da Seleção com a Índia, Lino se colocou à disposição para atuar como meia, conforme o relato do ge. O mesmo relato registra que Jardim ainda não havia conversado com ele sobre a mudança. Temos uma possibilidade oferecida pelo jogador, não uma escalação anunciada pelo treinador.
Samuel Lino no Flamengo: disponibilidade abre uma opção
Gosto da disposição de quem aceita outra função para ajudar o time. Isso amplia o trabalho da comissão técnica e evita tratar cada ausência como uma ordem para repetir o desenho anterior com outro nome. Uma equipe pode encontrar respostas diferentes quando perde uma referência.
Minha defesa do teste não depende de declarar Lino o melhor jogador do campeonato. Também não depende de transformar seus gols pela Seleção em prova definitiva de que será um armador no clube. Finalizar e organizar são tarefas que podem se encontrar, mas uma não comprova automaticamente a outra.
O que me interessa é a possibilidade de combinar funções. Se Lino receber mais por dentro, quem dará largura pela esquerda? Quem oferecerá apoio para ele não precisar dominar sempre cercado? Quem ocupará a área quando o atacante recuar? São critérios para avaliar uma eventual escolha, não a descrição de um plano já confirmado por Jardim.
A ausência de Arrascaeta pede divisão de tarefas
O Flamengo informou em 1º de outubro que a cirurgia para corrigir a fratura no punho esquerdo de Arrascaeta foi concluída com sucesso. O comunicado explica que o clube acompanhará a recuperação. Não fixa uma data de retorno aos jogos; eu também não vou fixar.
A reportagem do UOL desta segunda-feira, 5 de outubro, apresenta Carrascal e Paquetá como opções para a vaga. Essa informação impede reduzir a conversa a uma escolha obrigatória por Lino. Há alternativas, e cabe ao treinador avaliar como elas funcionam juntas.
Prefiro que essa avaliação comece pelas tarefas: aproximar os setores, oferecer passe entre as linhas, acelerar quando houver espaço e manter apoio ao portador da bola. Um jogador pode participar de várias delas. O conjunto, porém, precisa continuar oferecendo caminhos quando esse jogador for marcado.
O registro sobre a cirurgia de Arrascaeta ajuda a acompanhar o fato médico. A discussão esportiva deve respeitar esse acompanhamento, sem usar a urgência do calendário como justificativa para antecipar a volta do meia.
O contra-argumento: mudar Lino pode enfraquecer a ponta
A objeção merece atenção: deslocar um atacante para o centro pode tirar uma solução de outra faixa do campo. Se a mudança produzir um buraco na esquerda, o Flamengo apenas terá mudado o problema de lugar. Não basta preencher a posição deixada por Arrascaeta no papel.
Por isso, minha proposta é testar uma combinação, não decretar uma substituição permanente. Uma função mais interior pode ser útil em determinados momentos e desnecessária em outros. Também pode coexistir com movimentos de outros jogadores, sem exigir que Lino passe a partida inteira longe da ponta.
Não tenho informação de treino que permita cravar esse encaixe. O que defendo é um critério de cobrança: observar se o time oferece mais linhas de passe e consegue criar chances, em vez de julgar a escolha apenas pelo rótulo de meia ou ponta. Colocar um nome numa posição não explica o funcionamento do ataque.
A volta de Gonzalo Plata ao grupo é outro elemento do contexto do elenco. Ela não confirma titularidade, nem define como Jardim distribuirá os jogadores. Recuperação, disponibilidade e escolha técnica precisam ser acompanhadas separadamente.
Jardim precisa construir uma resposta de equipe
A retomada contra o Santos dá urgência à conversa, mas não autoriza anunciar uma formação. Para acompanhar os compromissos e o cenário do campeonato, o leitor pode consultar a agenda de futebol e a tabela do Brasileirão.
Minha posição é favorável a considerar Lino na criação, desde que a decisão preserve o equilíbrio do ataque. Carrascal, Paquetá e os demais jogadores disponíveis precisam fazer parte da solução. Até uma boa atuação individual se torna mais útil quando encontra apoio, movimento e espaço oferecidos pelos companheiros.
Arrascaeta fará falta, e reconhecer isso não obriga o Flamengo a procurar uma cópia. Jardim deve montar uma resposta com o elenco que tiver à disposição. Lino ofereceu ajuda; o time precisa oferecer condições para que essa ajuda funcione. A responsabilidade pela criação deve continuar sendo de uma equipe inteira.
Fonte: ge (3/10), UOL (5/10) e Flamengo (1/10); conferência em 5/10/2026 · informações adicionais por Beira do Campo
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