Mercado da bola: Memphis vira agosto sem contrato assinado
O contrato de Memphis com o Corinthians venceu na sexta e a renovação até 2028 seguia sem assinatura. Mayke foi à Justiça contra o Santos, Boto pediu paciência por Almada e o Sport fechou com Willian Oliveira.
Renato Caldeira6 min de leitura
O mercado da bola virou o mês com a novela mais longa da janela ainda sem ponto final. O contrato de Memphis Depay com o Corinthians expirou nesta sexta-feira, 31 de julho, e o clube chegou ao fim do prazo sem a assinatura da renovação que negocia desde a parada da Copa. O acordo existe no papel — o que falta é a caneta.
Não foi o único nó da semana. Mayke levou o Santos para a Justiça, o Flamengo continuou empurrando a negociação por Thiago Almada sem prazo definido e o Sport fechou o sexto reforço para a Série B. A janela brasileira segue aberta até 11 de setembro, e o segundo mês começa com mais pendências do que anúncios.
Negociações quentes do mercado da bola
🟡 Memphis Depay — Corinthians
O caso mais delicado. O vínculo do holandês acabou na sexta e a renovação, encaminhada desde o fim de julho, ainda não foi formalizada. O novo contrato prevê mais duas temporadas, até 2028, com uma novidade em relação ao anterior: metas de desempenho atreladas ao recebimento integral do salário. A Gazeta Esportiva aponta uma dívida de cerca de R$ 42 milhões do clube com o jogador como o principal entrave da negociação — outras publicações citam números diferentes, o que recomenda cautela com qualquer valor fechado.
O detalhe jurídico que destrava tudo: o Corinthians tem três transfer bans em vigor, mas entende que a extensão de um vínculo já existente não configura registro de novo atleta. Se essa leitura se confirmar na prática, Memphis fica mesmo com as punições ativas. É o mesmo tipo de amarra que travou Iago e Domingos Duarte no São Paulo, só que aqui o efeito seria neutro.
O técnico Fernando Diniz disse que as conversas caminham bem. A reapresentação do atacante, inicialmente prevista para quinta-feira, foi adiada enquanto as partes acertam os últimos detalhes. Escrevemos sobre o acordo encaminhado e a assinatura que não veio três dias atrás — e a situação segue exatamente onde estava, com o calendário agora contra o clube.
🟡 Thiago Almada — Flamengo
O diretor de futebol José Boto voltou a falar do argentino na quarta-feira e escolheu o tom da paciência. "É um jogador que nos interessa, é um jogador que nós estamos a trabalhar", disse. E completou: "Não é uma contratação fácil por vários motivos, mas estamos a trabalhar e eu estou confiante."
A dificuldade tem nome: os direitos econômicos de Almada estão divididos entre Atlético de Madrid e Botafogo, o que transforma qualquer proposta em negociação de três pontas. Boto foi direto ao dizer que boas condições exigem tempo. Não há valores confirmados por fontes oficiais, e por isso não vamos publicar os números que circulam. O Flamengo é o único clube grande do país que ainda não anunciou reforço nesta janela — e ganhou uma janela de 11 dias sem jogo para resolver isso com calma.
✅ Willian Oliveira — Sport
O único fechamento efetivo do dia. O volante de 33 anos, que estava no Coritiba, assinou até o fim de 2027 e volta à Ilha do Retiro. É o retorno a um clube onde já passou, e chega como peça de experiência para a sequência da Série B. Em 2026, ele soma 15 partidas pelo Coritiba sem participação em gols.
Saídas e disputas: o caso Mayke
O lateral-direito Mayke acionou o Santos na Justiça pedindo a rescisão indireta do contrato, que vai até o fim de 2027. As tentativas de acordo amigável naufragaram na quarta-feira, e cada lado conta uma versão.
Pelo jogador, o advogado João Henrique Chiminazzo afirmou que o clube mudou os termos na hora de assinar: "Surpreendentemente, na hora de formalizar o acordo, o Santos apresentou uma proposta cerca de 25% inferior ao que havia sido ajustado, além de modificar condições relevantes."
Pelo clube, a leitura é outra: o Santos aponta exigências dos representantes do atleta como o ponto de ruptura, incluindo o pagamento de honorários advocatícios e a manutenção da comissão dos empresários mesmo após a rescisão — algo que a diretoria entendia como encerrado.
Mayke está fora dos planos de Cuca desde junho e disputou apenas oito partidas na temporada. É um caso que interessa a quem procura lateral-direito de graça no segundo semestre: se a rescisão sair pela via judicial, ele entra no mercado ainda dentro da janela.
Panorama: uma janela de saídas, não de chegadas
O balanço mais recente do mercado, publicado pelo Lance no dia 21 de julho, ajuda a enquadrar o momento. Foram 99 movimentações entre os 20 clubes da Série A — 54 saídas contra 45 chegadas. O saldo negativo diz muita coisa sobre o momento financeiro do futebol brasileiro: os elencos estão encolhendo, não crescendo.
Os movimentos de maior peso até aqui:
| Clube | Reforço | Origem |
|---|---|---|
| Cruzeiro | Gabriel Pec, Gabriel Rojas | LA Galaxy, Racing |
| Fluminense | Thiago Silva, Hulk | Porto, Atlético-MG |
| Palmeiras | Barboza | Botafogo |
| Grêmio | Jovane Cabral | Estrela Amadora |
O Cruzeiro foi quem mais investiu. O Fluminense fez o movimento mais barulhento sem gastar em transferência: Thiago Silva e Hulk chegaram sem custo de aquisição, com o peso todo na folha salarial. O Mirassol liderou em volume puro, com 13 trocas no elenco.
E há um padrão claro entre os grandes: quem já tinha investido pesado no início do ano segurou a carteira agora. O Palmeiras, que recusou a proposta do Aston Villa por Allan, tem se comportado mais como vendedor relutante do que como comprador. O Flamengo adotou a mesma postura de cautela.
Restam seis semanas de janela. O que os próximos dias devem definir é se o Corinthians consegue transformar um acordo verbal em documento assinado, se o Flamengo tem paciência suficiente para esperar Almada, e quantos jogadores como Mayke vão precisar de um juiz para trocar de clube. Para quem quiser acompanhar as regras do calendário, detalhamos o funcionamento desta janela quando ela abriu, em 20 de julho.
Fonte: Gazeta Esportiva, Lance, O Tempo · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

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Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


