Quinta Polêmica: Cruzeiro no Z4 com elenco de campeão
Ganhou o Mineiro, tem o elenco mais caro da história do clube, mas o Cruzeiro está no Z4 com dois pontos em cinco rodadas do Brasileirão. Neide quer saber: quem responde por isso?


Quinta-feira. Hora de falar o que ninguém quer ouvir. O Cruzeiro tem dois pontos em cinco jogos do Brasileirão 2026. Dois pontos. O mesmo Cruzeiro que acabou de conquistar o Campeonato Mineiro, que investiu pesado no elenco mais caro de sua história, que tem Tite — sim, o técnico da Copa de 2022 — sentado no banco. Dois pontos e zero vitórias. Alguém me explica isso, porque eu estou esperando há semanas.
O Cruzeiro no Z4: Números que Dói Repetir
Vamos aos fatos, porque quando a situação é essa, os dados não mentem. Cinco jogos, zero vitórias, dois empates e três derrotas. 19º lugar — na beira da lanterna. A derrota para o Flamengo por 2 a 0 no Maracanã, com Pedro e Carrascal destruindo o que sobrou da defesa azul, foi o golpe mais recente. E olha a ironia: foi exatamente uma semana depois de o Cruzeiro bater o Atlético-MG e conquistar o Mineiro. Uma semana. Que montanha-russa é essa?
Para completar o quadro: o Cruzeiro mal terminou a rodada e o torcedor já estava calculando o que o Vasco precisava fazer para colar a Raposa na lanterna. Isso não é crise com cara de ressaca. É catástrofe em câmera lenta.
Tite, Pedrinho e a Conta que Não Fecha
Pedrinho BH pôs a boca no trombone para bancar Tite logo depois do título mineiro: "O Tite é o nosso técnico, não vamos trocar." Bonito, corajoso, firme. Durou menos de uma semana. Depois da goleada sofrida no Maracanã, o tom virou conversa de corredor: torcedores relataram que o dono da SAF sinalizou que vai avaliar os próximos três jogos. Três jogos. Então virou prazo agora?
A ESPN Brasil revelou que o risco de demissão de Tite é real, mesmo com o apoio público da diretoria. Isso não é gestão de futebol. É apagar incêndio com declaração de imprensa.
Mas tem um capítulo desta história que pouca gente para para analisar direito. Leonardo Jardim pediu para sair alegando "problemas pessoais". A diretoria, de bom coração, abriu mão da multa rescisória. Dias depois, Jardim estava assinando em outro clube. Pedrinho levou um belo de um chapéu — e o pior é que ele mesmo abriu a porta. Quando você facilita a saída de um treinador em condições suspeitas, assume um risco enorme. O Cruzeiro assumiu e está pagando a conta agora.
O Contra-Argumento Existe — Só Não Convence
Vou ser honesta: existe defesa possível para o Cruzeiro. São cinco rodadas, o campeonato é longo, o Mineiro foi conquistado há uma semana e o desgaste físico é real. Times que começam mal viram o jogo no segundo turno — já aconteceu, não é impossível. O próprio Tite tem histórico de trabalhar bem sob pressão.
Mas cá entre nós: que base o torcedor cruzeirense tem para confiar nisso agora? Essa mesma torcida viu o clube cair para a Série B há poucos anos, lutou para se reconstruir, e está hoje assistindo ao elenco mais caro da história do clube — montado para brigar lá em cima — empatar com times do meio da tabela e tomar gol em série. O raio-x do Brasileirão 2026 já apontava que alguns dos chamados favoritos carregavam contradições sérias desde o início. O Cruzeiro era o maior exemplo.
"É cedo demais para julgar" soa muito vazio quando você tem zero vitórias e a torcida organizada está pedindo cabeça no microfone.
A Resposta que Falta está no Espelho da Diretoria
Quinta Polêmica desta semana tem endereço certo: a gestão do Cruzeiro. Pedrinho, com toda a boa vontade que trouxe ao clube, precisa entender que administrar futebol não é igual a fechar negócio no mercado imobiliário. A decisão de deixar Jardim sair de graça, no timing que saiu, foi erro de avaliação. Manter Tite sem uma cobrada dura — antes do Mineiro, quando os resultados no Brasileirão já preocupavam — foi outro.
O Cruzeiro não está mal por falta de dinheiro. Está mal por falta de decisão firme na hora certa. E isso, meus caros, nenhum técnico do mundo resolve sozinho.
Pedrinho prometeu reavaliar em três jogos. Estou com o calendário aberto.
Fonte: ESPN Brasil, O Tempo, Gazeta Esportiva, CNN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


