Palmeiras no returno: 8 pontos em 18 e alerta no ataque
O empate por 1 a 1 com o Mirassol manteve o Palmeiras na liderança, mas expôs uma queda de rendimento: são oito pontos em seis jogos no returno e um ataque com pouca produção no Maião.
Thiago Borges5 min de leitura
O Palmeiras ainda lidera o Brasileirão 2026, mas os números do returno já mudaram o tom da campanha. O empate por 1 a 1 com o Mirassol, no domingo, levou o time a oito pontos em 18 possíveis na segunda metade do campeonato. Não é uma crise decretada por uma partida fora de casa; é um recorte de seis rodadas que pede atenção antes de a vantagem na ponta virar apenas memória.
No Maião, o Verdão teve mais posse e finalizou mais vezes, porém produziu menos chutes no alvo do que o adversário. O gol de Maurício aos 29 minutos do segundo tempo evitou a derrota depois de Eduardo abrir o placar. A igualdade mantém o Palmeiras com 51 pontos, quatro à frente do Flamengo, que tem um jogo a menos, segundo dados reunidos pelo ge.
Os números
O empate no Maião em números
Pontos no returno
8 de 18
Seis rodadas disputadas
Vantagem na liderança
4 pontos
Flamengo tem um jogo a menos
Finalizações
14 x 11
Palmeiras teve mais tentativas
Chutes no alvo
3 x 5
Mirassol foi mais preciso
Palmeiras no returno: a queda está nos pontos
O dado mais direto é também o mais importante. O Palmeiras fez oito dos 18 pontos que disputou desde o início do returno: aproveitamento de 44,4%. Para um líder, seis jogos não definem uma campanha inteira, mas são suficientes para deslocar a discussão de desempenho de uma impressão para um alerta mensurável.
O primeiro turno criou uma margem que ainda protege o time de Abel Ferreira. Em abril, a liderança parecia bem mais confortável, como registrou a análise dos números do Palmeiras na ponta. Agora, a distância é de quatro pontos e o principal perseguidor ainda possui uma partida pendente. A diferença não é pequena, mas deixou de ser uma licença para oscilar.
O empate em Mirassol também carrega a consequência da expulsão de Arthur nos acréscimos. O lateral recebeu o segundo amarelo e estará fora da próxima rodada do Brasileirão. Em uma fase em que o time já lida com desgaste e problemas físicos no setor ofensivo, a ausência reduz mais uma opção para a rotação.
O volume existiu, a precisão ficou com o Mirassol
Os números do jogo ajudam a separar posse de controle. O Palmeiras terminou com 52% da bola e 14 finalizações, contra 48% e 11 do Mirassol, segundo o tempo real do Lance!. Mas o recorte que mais explica a sensação do confronto é o dos chutes no alvo: cinco para os mandantes, três para os visitantes.
Isso não transforma cada conclusão em chance clara, nem invalida o peso da bola aérea que construiu o empate. Giay cruzou, Gustavo Gómez ganhou pelo alto e Maurício finalizou a jogada. O ponto é outro: o Palmeiras precisou buscar a reação tarde em uma partida na qual o Mirassol chegou com frequência semelhante, mesmo partindo de uma posição muito mais baixa na tabela.
O resultado oficial foi 1 a 1, pela 25ª rodada, com o jogo encerrado no estádio José Maria de Campos Maia, confirmação disponível na súmula e página da CBF. Eduardo marcou para o Mirassol no início do segundo tempo; Maurício respondeu aos 29 minutos. Não houve virada, mas houve uma inversão relevante de cenário: o líder saiu com um ponto e a impressão de ter escapado de uma derrota.
O ataque precisa recuperar referência e ritmo
O diagnóstico não se limita a Vitor Roque, mas o centroavante é parte central da discussão. Abel Ferreira reconheceu após a partida que o jogador não atravessa boa fase física, depois de voltar há cerca de um mês de uma recuperação de cirurgia no tornozelo. O técnico também descartou a necessidade imediata de buscar reforços para o setor.
A opção por resolver internamente eleva a responsabilidade do elenco disponível. Maurício deu a resposta no placar, Andreas Pereira participou da jogada de perigo defendida por Walter nos acréscimos e Gómez foi uma presença importante pelo alto. Ainda assim, a construção ofensiva não converteu o domínio territorial em uma sequência de chances claras.
É aí que o recorte do returno ganha relevância. Uma equipe pode empatar fora de casa contra um adversário organizado sem que isso seja sinal de colapso. O problema aparece quando o tropeço se junta a uma sequência de apenas oito pontos em 18 e a atuações em que o ataque depende de resolver tudo no fim. O líder ainda tem saldo para administrar; não tem mais margem para ignorar o padrão.
Copa do Brasil antes da próxima cobrança na Série A
O calendário não oferece muito tempo para correção. O Palmeiras enfrenta o Santos na quarta-feira, no jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil, antes de retornar ao Brasileiro. A partida de mata-mata pode alterar escalações, gestão de minutos e o nível de pressão para a rodada seguinte.
O empate contra o Mirassol, portanto, não encerra a discussão sobre o campeonato. Ele reposiciona a pergunta: o Palmeiras conseguirá transformar o volume em chances mais limpas e recuperar a regularidade que construiu sua liderança? A resposta virá com mais jogos, não com uma leitura isolada de domingo. Mas os oito pontos em 18 já são um número que o líder não pode tratar como ruído.
Fonte: ge · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

Analista de Dados
Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.


