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Palmeiras caiu do trono e Abel tem 90 minutos para se explicar

O Palmeiras perdeu para o Vasco, saiu da liderança e agora enfrenta o Mirassol em seu primeiro jogo no Allianz Parque em 2026. Neide cobra resposta de Abel — sem desculpas, sem enrolação.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
4 min de leitura
Palmeiras caiu do trono e Abel tem 90 minutos para se explicar
Ilustração — Allianz Parque iluminado aguarda a resposta do Palmeiras no Brasileirão 2026

Admitir que o Palmeiras caiu do trono dói. Dói mais ainda quando quem derrubou foi o Vasco de Renato Gaúcho — em sua primeira partida no comando do Cruzmaltino — com direito a virada e dois gols em 11 minutos no segundo tempo. O tapa foi dado, o São Paulo aproveitou, e agora o Verdão acorda neste domingo com três pontos a menos que o rival. Hoje à noite, no Allianz Parque, Abel Ferreira tem exatamente 90 minutos para mostrar que aquilo foi um tropeço isolado — e não um sintoma de algo maior.

O Vasco deu a rasteira e o São Paulo nem precisou pedir

A derrota por 2 a 1 em São Januário na quinta-feira foi humilhante no timing. O Palmeiras foi ao intervalo em vantagem — Flaco López abriu o placar aos 40 minutos —, mas saiu do campo virado. Thiago Mendes empatou aos 63 e Cuiabano decidiu aos 74. Renato Gaúcho sorriu no banco, os torcedores do Vasco comemoraram como se fosse título, e o São Paulo, sentado confortavelmente na poltrona do líder, não precisou fazer absolutamente nada.

O Palmeiras entregou a liderança sem que o rival precisasse ganhar naquele dia. É o tipo de presente que dói no orgulho — e que Abel sabe que não pode se repetir.

Os números que ninguém quer ver no Allianz

Olha a tabela do Brasileirão 2026 após a quinta rodada: São Paulo com 13 pontos, Palmeiras com 10, Fluminense também com 10. O Verdão saiu de líder invicto para terceiro colocado empatado em menos de uma semana. Abel vai dizer que é cedo, e matematicamente ele está certo. Mas futebol não é só matemática — futebol é narrativa, pressão e quem aguenta melhor a temperatura.

O problema de hoje vai além do placar da última rodada. A lista de ausências é longa: Vitor Roque segue em tratamento no tornozelo, e Murilo, Paulinho e Figueiredo também ficam fora. Com o elenco limitado, a escalação provável traz Carlos Miguel; Khellven, Gustavo Gómez, Bruno Fuchs e Piquerez; Marlon Freitas, Andreas Pereira, Maurício e Arias; Flaco López e Ramón Sosa. É um time capaz, mas longe do Palmeiras dominante que se esperava para o Brasileirão.

O São Paulo, por sua vez, tem a melhor defesa do torneio — apenas dois gols sofridos em cinco jogos — e joga à noite em Bragança contra o RB Bragantino. Se o Palmeiras tropeçar de novo e o Tricolor vencer, a distância vai para seis pontos em março. Seis pontos. Em março.

A defesa de Abel tem lógica — até certo ponto

Há quem diga — e não é bobagem — que uma derrota em cinco rodadas não justifica pânico. O Palmeiras foi campeão paulista, Abel Ferreira renovou contrato até dezembro de 2027 e o clube montou um elenco com qualidade para brigar o ano inteiro. Uma noite ruim em São Januário não apaga três vitórias e um empate anteriores.

Tudo bem. O contra-argumento faz sentido. Mas ele tem um limite.

O Mirassol que virá ao Allianz Parque hoje à noite já mostrou que não é figurante: empatou em 2 a 2 com o Santos na última rodada. E vai chegar ao estádio sem o peso da expectativa, sem a pressão da torcida nas costas, sem o São Paulo respirando no cangote. Já o Palmeiras vai entrar em campo com tudo isso sobre os ombros.

Hoje o Allianz Parque não aceita desculpa

A questão não é se o Palmeiras vai ganhar do Mirassol. É com que cara o time vai jogar. Um Palmeiras confiante, dominante, que faz 2 ou 3 a 0 e manda um recado claro pro São Paulo: a liderança vai voltar. Ou um Palmeiras tenso, travado, que precisa de gol nos acréscimos para sair do sufoco e sai mais questionado do que entrou.

Hoje é o primeiro jogo do Palmeiras no Allianz Parque em 2026. A torcida esperou esse momento. Nenhum palmeirense vai pagar ingresso para ver o time titubear contra equipe do interior.

Neide avisa com clareza: se o Verdão gaguejar em casa contra o Mirassol, o debate sobre o que Abel pode ou não pode vai se arrastar até a próxima Data FIFA — e com razão. O São Paulo está lá, risonho, contando os pontos enquanto a turma do Allianz discute formação.

Noventa minutos. Estádio lotado. Adversário sem desfalques de peso. Zero desculpa disponível.

Abel, o palco é seu. Use bem.

Fonte: Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

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Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.