Balanço do Palmeiras: déficit de R$ 124 mi no semestre
O clube previa fechar junho no vermelho em R$ 19,37 milhões e fechou em R$ 124 milhões. A despesa saiu praticamente como planejada — a receita é que não veio: R$ 87,13 milhões em vendas de atletas contra R$ 242,4 milhões orçados e uma premiação que despencou sem o Mundial de Clubes.
Renato Caldeira5 min de leitura
O Palmeiras divulgou o balanço do primeiro semestre de 2026 e há um número que resume o exercício: déficit de R$ 124 milhões. O orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo previa fechar junho no vermelho em R$ 19,37 milhões — um rombo controlado, quase decorativo, do tipo que se corrige no segundo semestre com uma venda razoável. O que apareceu é seis vezes maior.
A leitura fácil seria a de um clube que perdeu a mão nos gastos. Não é o caso, e é justamente isso que torna o balanço do Palmeiras mais incômodo do que um estouro de folha salarial.
O déficit do Palmeiras é seis vezes maior que o orçado
As despesas operacionais do semestre somaram R$ 608 milhões, contra R$ 607 milhões orçados. Um desvio de R$ 1 milhão em seis meses é, para qualquer padrão de gestão de futebol brasileiro, precisão de relojoeiro.
O problema está do outro lado da conta. A receita líquida operacional ficou em R$ 432,35 milhões, quando o orçamento apontava R$ 619,07 milhões. São R$ 186,7 milhões que simplesmente não entraram no caixa.
| Linha | Realizado | Orçado |
|---|---|---|
| Receita líquida operacional | R$ 432,35 mi | R$ 619,07 mi |
| Vendas de atletas | R$ 87,13 mi | R$ 242,4 mi |
| Publicidade e patrocínio | R$ 109,11 mi | R$ 133,73 mi |
| Programa Avanti | R$ 35,55 mi | R$ 41,73 mi |
| Despesas operacionais | R$ 608 mi | R$ 607 mi |
| Resultado | −R$ 124 mi | −R$ 19,37 mi |
Junho isolado deu a dimensão da curva: R$ 37,08 milhões de receita contra R$ 91,22 milhões de despesa, um déficit mensal de R$ 58,10 milhões. Quase metade do buraco do semestre se formou em trinta dias.
O que o balanço do Palmeiras mostra sobre as vendas de atletas
A linha decisiva é a de negociação de atletas. O clube projetou R$ 242,4 milhões em vendas no primeiro semestre e realizou R$ 87,13 milhões — pouco mais de um terço.
É aqui que a comparação com 2025 explica quase tudo. No ano passado o Palmeiras faturou R$ 1,783 bilhão em receita bruta e fechou com superávit de R$ 292 milhões, apoiado em duas pernas: R$ 602 milhões em vendas de atletas — 40% de toda a receita bruta, com Estêvão para o Chelsea, Vitor Reis para o Manchester City e Richard Ríos para o Benfica — e um salto de 374% em premiações, empurrado pelo Mundial de Clubes nos Estados Unidos.
Nenhuma das duas pernas existe em 2026. As premiações caíram de R$ 165,9 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 16,4 milhões agora. E a fila de vendas grandes não se formou: o elenco foi blindado no pós-Copa, como o clube já havia sinalizado ao montar a janela de julho, e o mercado europeu não bateu à porta com os valores pedidos.
A despesa não explodiu — a entrada encolheu
O departamento de futebol profissional consumiu R$ 559,79 milhões no semestre e devolveu R$ 358,22 milhões em receita. Dentro da despesa, três linhas concentram o peso: pessoal e encargos sociais (R$ 195,94 milhões), amortização de direitos de atletas comprados (R$ 153,79 milhões) e direitos de imagem (R$ 71,24 milhões).
Amortização é o detalhe que costuma passar batido e que aqui merece atenção. Ela é a conta diferida das contratações caras feitas quando o dinheiro do Mundial estava no caixa: o clube paga hoje, em resultado contábil, aquilo que comprou ontem. Enquanto a receita extraordinária existia, a linha era absorvida sem drama. Sem ela, aparece inteira.
O Palmeiras não está sozinho nesse ajuste. O balanço do Flamengo divulgado na semana passada mostrou déficit de R$ 33,8 milhões com investimento recorde em elenco, e o novo regime de solvência da CBF — que já produziu a primeira advertência da ANRESF — encurtou o espaço para empurrar desequilíbrio com a barriga.
O que resta do orçamento de 2026
O orçamento cheio do ano projeta R$ 1,2 bilhão de receita e superávit de R$ 11,2 milhões. Para chegar perto disso, o clube depende de duas variáveis no segundo semestre, e as duas passam por decisão de terceiros.
A primeira é a janela. Faltam mais de R$ 155 milhões só para cumprir a meta de vendas do primeiro semestre, e cada mês sem transação relevante empurra o número para dezembro.
A segunda é o desempenho em campo, que vira premiação. O Palmeiras entra no jogo de volta das oitavas da Copa do Brasil com 3 a 0 construídos na ida contra o Fortaleza e uma vaga encaminhada — cada fase adiante é receita que não depende de negociar jogador. É pouco perto de um Mundial, mas é o que está sob controle.
O balanço não descreve um clube quebrado. Descreve um clube que orçou 2026 como se 2025 fosse repetível.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Qual foi o déficit do Palmeiras no primeiro semestre de 2026?
- R$ 124 milhões. O orçamento aprovado pelo clube previa um déficit de R$ 19,37 milhões para o período.
- Quanto o Palmeiras arrecadou com venda de jogadores em 2026?
- R$ 87,13 milhões até o fim de junho, contra uma meta orçamentária de R$ 242,4 milhões para o mesmo período.
- Por que a receita de premiações do Palmeiras caiu tanto?
- Em 2025 o clube disputou o Mundial de Clubes nos Estados Unidos e faturou R$ 165,9 milhões em prêmios no primeiro semestre. Em 2026, sem o torneio, foram R$ 16,4 milhões.
- O Palmeiras gastou mais do que o previsto em 2026?
- Não. As despesas operacionais somaram R$ 608 milhões contra R$ 607 milhões orçados. O rombo veio da receita, que ficou R$ 186,7 milhões abaixo do planejado.
Fonte: ESPN Brasil, Band e InfoMoney · informações adicionais por Beira do Campo
Quem escreve

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Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


