Opinião: o Bahia precisa parar de vender ilusão na Libertadores
Mais uma vez, o Esquadrão de Aço caiu na fase preliminar da competição continental. Chega de promessas vazias e desculpas esfarrapadas.

Coluna de Dona Cleia | Publicada toda segunda e quinta
Alguém precisa falar a verdade: o Bahia está virando especialista em passar vergonha na Libertadores.
Não é a primeira vez. Não é a segunda. É a terceira eliminação em quatro anos na fase preliminar da competição. E dessa vez, a derrota veio dentro de casa, na Fonte Nova lotada, contra um time chileno que mal consegue completar três passes seguidos no campeonato local.
A culpa não é do Rogério Ceni. Não é dos jogadores. É de uma cultura de conformismo que se instalou no clube há anos.
O mesmo filme de sempre
O Bahia perdeu o jogo de ida por 1 a 0 no Chile. Voltou para Salvador prometendo "reverter a situação". A torcida comprou a ideia — como sempre compra. Encheu a Fonte Nova. Cantou os 90 minutos. E viu o time errar passe atrás de passe, criar praticamente nada e ser eliminado com um simples 1 a 0 no agregado.
O gol do O'Higgins, aliás, foi um presente. Uma saída de bola errada, uma recuperação no meio-campo e uma finalização de quem não acreditava que ia fazer. O Bahia, com todo o seu investimento, com todo o seu "projeto", não conseguiu fazer o básico: marcar um gol em 180 minutos contra um adversário modesto.
Isso é inaceitável para um clube que se vende como grande.
O "projeto" que não sai do papel
Desde que o Grupo City assumiu as operações, o discurso mudou. Agora o Bahia fala em "processo", em "longo prazo", em "construção". Bonito no papel. Mas na prática, o time continua o mesmo: irregular, sem personalidade, incapaz de vencer quando a pressão aumenta.
Gastou milhões em contratações. Trouxe jogadores de nome. Montou um elenco teoricamente superior aos adversários. Mas na hora que precisa mostrar futebol, some.
A eliminação de ontem não foi azar. Foi o retrato fiel de um time que não sabe jogar sob pressão. Um time que entra em campo com a mentalidade de quem já está derrotado.
A desculpa da altitude já não cola mais
Nos últimos anos, a justificativa para as eliminações preliminares sempre foi a mesma: a altitude. "Ah, mas jogamos em La Paz", "ah, mas o estádio estava a 3 mil metros". Dessa vez, não tinha altitude. Dessa vez, o jogo era em Salvador, no calor, com a torcida a favor.
E aí, qual é a desculpa agora?
Não tem. Não existe justificativa para um time brasileiro da Série A, com investimento milionário, perder para o O'Higgins. Não existe explicação plausível para um clube que sonha em ser grande ser eliminado três vezes em quatro anos na porta da competição.
O que muda agora?
Nada. Isso é o pior. Daqui a pouco começa o Campeonato Brasileiro, o Bahia vai ganhar alguns jogos em casa, a torcida vai esquecer essa eliminação e o ciclo se repete no ano que vem.
Mas chega uma hora que a paciência acaba. O torcedor do Bahia merece respeito. Merece um time que honre a camisa. Merece parar de ouvir promessas vazias sobre "projetos" e "processos" enquanto vê o time passar vergonha ano após ano.
A Libertadores não é lugar para ilusionistas. Ou o Bahia muda de verdade, ou vai continuar sendo o clube que vende sonho e entrega pesadelo.
E a culpa não é da altitude. É da cabeça.
Dona Cleia é colunista do portal. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade da autora e não necessariamente refletem a posição editorial do portal.
Fontes consultadas: ge.globo.com, ESPN Brasil, site oficial do Bahia
Fonte: ge.globo / ESPN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Cléia Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.
