Novorizontino na final do Paulistão: a zebra que não é acidente
A classificação do Novorizontino para a primeira final de Paulistão de sua história não é sorte. É resultado de um trabalho sério que os grandes clubes deveriam observar.


Coluna de Neide Ferreira | Publicada aos sábados
Alguém precisa falar a verdade: o Novorizontino não é mais uma zebra. E a eliminação do Corinthians na semifinal do Paulistão não foi acidente. Foi o resultado previsível de um time que joga futebol sério contra outro que, apesar de ter elenco mais caro, parece perdido em campo.
O Tigre de Novo Horizonte, fundado em 2010 — sim, você leu certo, há apenas 16 anos — está na primeira final de Campeonato Paulista de sua história. E não foi por sorte do sorteio. O time de Enderson Moreira foi o melhor da primeira fase, tem o artilheiro da competição (Robson, com 7 gols) e eliminou o Corinthians com a mesma receita que usou durante todo o estadual: organização tática, intensidade e humildade para entender suas limitações.
O que o Novorizontino tem que os grandes não têm
Vamos combinar: o Corinthians tem um elenco que custou dezenas de milhões. Memphis Depay, Rodrigo Garro, Gabriel Paulista. Nomes que, no papel, deveriam massacrar um time que até poucos anos atrás disputava a Série D do Brasileiro. Mas futebol não se joga no papel.
O Novorizontino tem algo que está em falta nos grandes clubes brasileiros: clareza de ideias. Enderson Moreira montou um time que sabe exatamente o que fazer em campo. A defesa é sólida — sofreu apenas 6 gols em 13 jogos. O contra-ataque é mortal. E os jogadores, sem estrelismo, cumprem o que é pedido.
Compare com o Corinthians de Dorival Júnior. Um time que, apesar de ter acabado de ganhar a Copa do Brasil, parece sem identidade. Memphis Depay, que deveria ser o diferencial, sumiu no jogo. Rodrigo Garro, que tem qualidade, furou uma chance clara aos 19 minutos do segundo tempo. E a defesa? Bem, a defesa deixou Mayk, um lateral-esquerdo, livre na segunda trave para marcar o gol da classificação.
A história que ninguém esperava
O Novorizontino foi fundado em 2010, fruto da fusão entre o Grêmio Esportivo Novorizontino e o Guarani Futebol Clube. Em 16 anos de existência, o clube já conquistou acesso da Série D para a Série B do Brasileiro e agora chega à final do Paulistão. É uma ascensão meteórica que deveria servir de lição.
Enquanto isso, os grandes clubes brasileiros continuam queimando dinheiro com contratações milionárias que não rendem em campo. O Corinthians tem um dos maiores orçamentos do país, mas foi eliminado por um time que provavelmente gasta em um ano o que o Timão gasta em um mês de folha salarial.
O que muda para o Corinthians
A eliminação dói, mas talvez seja o melhor que podia acontecer. O Corinthians tem agora quase duas semanas para reorganizar o time antes do Brasileirão. O próximo jogo é só no dia 11 de março, contra o Coritiba. Dorival Júnior precisa aproveitar esse tempo para encontrar um time que, até agora, não convenceu.
Porque vamos ser honestos: ganhar a Copa do Brasil foi importante, mas o futebol apresentado pelo Corinthians em 2026 está longe de ser convincente. E se o time não melhorar, mais zebras como a do Novorizontino vão acontecer.
A final que ninguém esperava
O Novorizontino aguarda o vencedor de Palmeiras x São Paulo, que se enfrentam neste domingo em Barueri. Seja quem for o adversário, o Tigre entra em campo sem pressão. E isso é perigoso.
Uma final de Paulistão entre Novorizontino e... bem, qualquer um dos dois, já é histórica. Mas uma vitória do time do interior seria algo ainda maior. Seria a prova de que, no futebol, organização e trabalho sério ainda vencem dinheiro e estrelismo.
E talvez seja exatamente isso que o futebol paulista — e o brasileiro — precise lembrar.
Fontes consultadas: ge.globo.com, ESPN Brasil, Estadão, site oficial da FPF
Neide Ferreira é colunista do portal. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade da autora e não necessariamente refletem a posição editorial do portal.
Fonte: ge.globo / ESPN Brasil / Estadão | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


