Memphis quer camarote e 20% dos títulos para renovar
O contrato de Memphis Depay com o Corinthians venceu em 31 de julho sem assinatura. A Gazeta Esportiva detalhou nesta tarde o que ainda trava o acordo — e não é o salário: é camarote na Neo Química Arena, dias de evento no estádio e uma fatia da premiação de cada título.
Renato Caldeira4 min de leitura
Na sexta-feira passada o Corinthians perdeu o prazo. O contrato de Memphis Depay venceu em 31 de julho e o novo vínculo, dado como acertado desde o fim de julho, continua sem assinatura. O holandês acordou nesta segunda-feira sem registro no clube — e a Gazeta Esportiva publicou hoje a lista que explica por que a caneta não saiu do bolso.
O detalhe que muda a leitura da novela: o impasse deixou de ser salário faz tempo.
O que Memphis pede além do dinheiro
A apuração dos repórteres André Costa e Tiago Salazar detalha uma minuta que passeia bem longe do departamento de futebol. Memphis pede um camarote na Neo Química Arena. Pede também dois dias por ano para realizar eventos próprios no estádio, ficando com metade da bilheteria do que organizar. Há cláusula de uniforme: Nike nos jogos em casa, com exceção aberta para usar chuteira da Puma, sua patrocinadora pessoal.
Existe ainda uma verba auxiliar de R$ 250 mil, sujeita a prestação de contas — o que passar disso é descontado do salário.
Duas exigências são as que realmente emperram. A primeira, o holandês pediu percentual da premiação de um eventual Mundial de Clubes conquistado em até três anos, valendo mesmo que ele já tivesse deixado o clube. O Corinthians recusou. A segunda é o nó atual: Memphis quer 20% da premiação de cada título que o time levantar. É esse número que as partes ainda não fecharam.
A conta que o Corinthians teria de fechar
O pacote em discussão soma cerca de R$ 70 milhões por duas temporadas, somando salários, luvas e direitos de imagem. O teto sobe para algo perto de R$ 84 milhões quando entram as metas comerciais — são R$ 14 milhões em receita de marketing que o próprio clube precisa gerar. Se a captação passar disso, a divisão fica em 80% para o jogador e 20% para o Corinthians.
Do outro lado da mesa, a diretoria colocou uma trava de desempenho: para acionar os bônus, Memphis precisa atuar em pelo menos metade das partidas e cumprir no mínimo 45 minutos em cada uma. A cláusula não é gratuita. O atacante acumula histórico de lesões desde que chegou e o departamento médico tem ressalvas quanto a um problema crônico no joelho — os exames com o Dr. Ricardo Galloti foram tratados internamente como decisivos para a renovação.
O holandês já concedeu bastante nessa negociação: aceitou reduzir o salário mensal, abriu mão de encargos, juros e correções sobre a dívida de aproximadamente R$ 42 milhões em bonificações atrasadas e topou parcelar o valor ao longo do novo contrato. Foi o movimento que destravou a conversa em julho, quando o acordo foi dado como fechado à espera da assinatura. O que não estava no noticiário era a segunda página da minuta.
Por que o Corinthians aceita negociar nesse patamar
Porque a alternativa é pior. Um clube com R$ 2,7 bilhões em dívidas e três bloqueios simultâneos para registrar atletas não repõe um camisa 10 no mercado. A leitura da diretoria é que prorrogar vínculo de quem já é do elenco não configura inscrição nova e escapa da punição — tese que só será testada de verdade na hora de protocolar o registro, agora que o contrato antigo caducou.
Há resistência interna. Conselheiros e sócios questionam bancar esse nível de contrapartida para um jogador de 32 anos com o histórico físico dele. Fernando Diniz, por sua vez, já disse em coletiva que confia na permanência.
O que acontece agora
Quatro minutas já foram trocadas entre as partes, duas voltaram com sugestões de alteração. O Corinthians trabalha com prazo de quatro a cinco dias para bater o martelo. Memphis ainda não confirmou quando desembarca no Brasil para os exames médicos, e sem reapresentação não há assinatura nem registro.
O elenco de Diniz encara o Internacional pelas oitavas da Copa do Brasil nesta noite, no Beira-Rio, sem contar com ele. Se o impasse dos 20% se arrastar, a próxima data a marcar no calendário não é a da assinatura — é a do fim da janela.
Tira-dúvidas
Perguntas frequentes
- Memphis Depay ainda tem contrato com o Corinthians?
- Não. O vínculo anterior venceu em 31 de julho de 2026 e o novo contrato ainda não foi assinado. O holandês está sem registro no clube desde então.
- O que Memphis Depay está pedindo para renovar com o Corinthians?
- Além do pacote salarial, ele pede camarote na Neo Química Arena, dois dias por ano para eventos próprios no estádio com metade da bilheteria e uma fatia da premiação dos títulos conquistados.
- Quanto custa a renovação de Memphis para o Corinthians?
- A proposta em discussão gira em torno de R$ 70 milhões por duas temporadas entre salários, luvas e direitos de imagem, podendo chegar a R$ 84 milhões com as metas de marketing.
- O transfer ban impede o Corinthians de registrar Memphis?
- A diretoria entende que não, por tratar a renovação como prorrogação de vínculo e não como contratação nova. O clube tem três bloqueios simultâneos em vigor.
Fonte: Gazeta Esportiva, CNN Brasil, FOX Sports · informações adicionais por Beira do Campo
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