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Grupo do Brasil na Copa 2026: Marrocos, Escócia e Haiti

Um semifinalista, uma seleção que ficou 28 anos longe de Copas e uma zebra caribenha que não jogava um Mundial desde 1974. O Grupo C parece tranquilo para Ancelotti, mas os números mostram que Marrocos é uma armadilha real no caminho do Brasil rumo às oitavas.

Thiago Borges
Thiago Borges
6 min de leitura
Grupo do Brasil na Copa 2026: Marrocos, Escócia e Haiti
Ilustração — o Grupo C coloca Brasil, Marrocos, Escócia e Haiti em rota de colisão na Copa do Mundo 2026

O Grupo do Brasil na Copa 2026 junta três histórias muito diferentes: um semifinalista recente, uma seleção que ficou 28 anos no ostracismo e uma zebra caribenha que não pisava num Mundial desde 1974. No papel, a chave com Marrocos, Escócia e Haiti soa confortável para a equipe de Carlo Ancelotti — quinta colocada do ranking da FIFA e única do grupo entre as dez primeiras do mundo. Os números, porém, contam uma história menos tranquila do que o senso comum sugere.

A logística do Grupo C já está definida. O Brasil estreia em 13 de junho, um sábado, contra o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Depois pega o Haiti em 19 de junho, na Filadélfia, e fecha a primeira fase diante da Escócia em 24 de junho. Enquanto isso, a delegação fecha a reta final de preparação nos Estados Unidos com o último amistoso marcado contra o Egito. A pergunta que interessa aqui é objetiva: o que dizem os dados sobre quem o Brasil vai encontrar pela frente?

Os números do Grupo C

A distância entre o topo e a base da chave é grande, mas não uniforme. Há um degrau curto entre Brasil e Marrocos e um abismo até Escócia e Haiti.

SeleçãoRanking FIFAÚltima CopaMelhor campanhaPrincipais nomes
Brasil2022 (quartas)PentacampeãoVini Jr., Raphinha, Rodrygo
Marrocos11º2022 (4º lugar)Semifinal (2022)Hakimi, Brahim Díaz
Escócia36º1998 (fase de grupos)Fase de gruposMcTominay, Robertson
Haiti84º1974 (fase de grupos)Fase de gruposDuckens Nazon, Wilson Isidor

Seis posições separam Brasil e Marrocos no ranking. São 79 posições entre o Brasil e o Haiti. Esse desenho importa porque, no novo formato de 48 seleções, avançam os dois primeiros de cada grupo mais os oito melhores terceiros colocados — ou seja, escorregar não elimina automaticamente, mas a posição final define o lado do chaveamento no mata-mata. Terminar em primeiro tende a render um adversário mais palatável nas oitavas.

Marrocos: o semifinalista que já bateu o Brasil

O Marrocos é o nome que tira o sono de qualquer favorito. Em 2022, no Catar, virou a primeira seleção africana a chegar a uma semifinal de Copa, eliminando Espanha e Portugal no caminho. A espinha dorsal daquele time segue de pé: o lateral Achraf Hakimi, do PSG, e o meia Brahim Díaz, do Real Madrid, lideram um elenco acostumado a decidir em torneios grandes.

O detalhe que pesa é histórico e recente. Em março de 2023, o Marrocos recebeu o Brasil em Tânger e venceu por 2 a 1 — o único confronto entre as seleções neste ciclo. Não foi amistoso qualquer: escancarou a dificuldade brasileira contra blocos defensivos compactos e transições rápidas, exatamente o cardápio marroquino. Os 11º colocados do ranking não vão ao MetLife para administrar; vão para repetir a dose. É o jogo que define o tom da chave e, possivelmente, a liderança do grupo.

Escócia: 28 anos de espera e um meio-campo de elite

A Escócia volta a uma Copa do Mundo pela primeira vez desde a França-1998, encerrando um jejum de quase três décadas. O recorte do elenco de Steve Clarke é interessante para quem gosta de dado: o meio-campo é quase todo forjado nas principais ligas europeias. Scott McTominay, do Napoli, virou referência ofensiva depois de uma temporada de produção goleadora rara para um volante; o capitão Andy Robertson segue titular do Liverpool; e nomes como Billy Gilmour, John McGinn e Kieran Tierney dão lastro de Premier League e Serie A.

Há, porém, um teto histórico que a Escócia nunca rompeu: em todas as participações anteriores, os escoceses caíram ainda na fase de grupos. O objetivo declarado é alcançar o mata-mata pela primeira vez. Como o duelo com o Brasil fecha a chave, em 24 de junho, é provável que a vaga escocesa esteja em jogo justamente contra a Seleção — cenário que costuma transformar um time tecnicamente limitado, mas intenso, num adversário incômodo.

Haiti: a zebra que o Brasil pega na Filadélfia

O Haiti é o retrato do romantismo do novo formato. Disputa apenas a segunda Copa de sua história e a primeira desde 1974 — quando, na Alemanha Ocidental, perdeu os três jogos para Itália, Polônia e Argentina, com saldo de 2 gols marcados e 14 sofridos. Para chegar a 2026, terminou em primeiro do seu grupo nas Eliminatórias da Concacaf, à frente de Honduras, Costa Rica e Nicarágua, um feito que ninguém previa.

Em termos de elenco, o caribenho aposta no faro do artilheiro Duckens Nazon e ganhou um reforço de peso na reta final com Wilson Isidor, atacante do Sunderland, da Inglaterra. O retrospecto contra o Brasil é assustador para o lado haitiano: a Seleção goleou o Haiti por 7 a 1 na Copa América Centenário de 2016 e por 6 a 0 no amistoso da paz, em 2004. Pelos números, o jogo de 19 de junho, na Filadélfia, é a rodada em que o Brasil deveria reforçar o saldo de gols — variável que pode decidir a liderança em caso de empate em pontos com o Marrocos.

O caminho do Brasil até as oitavas

Cruzando ranking, tradição e momento, o roteiro mais provável é o Brasil avançar em primeiro, com o Marrocos brigando pela segunda vaga e Escócia e Haiti disputando o papel de melhor terceiro. Mas três fatores reduzem a margem brasileira. O primeiro é o histórico recente contra o Marrocos. O segundo é a lesão de Neymar, que tira do Ancelotti uma peça de criação logo na largada — assunto que já pesa desde a definição da lista final. O terceiro é o próprio formato inflado, que divide opiniões sobre a Copa de 48 seleções e tornou a fase de grupos mais longa e imprevisível.

A leitura fria é a de sempre: favoritismo não é sinônimo de tranquilidade. O Brasil chega como apenas o quinto favorito ao título e abre o Mundial contra o time que melhor sabe explorar suas fragilidades. Se passar pelo Marrocos no dia 13, o grupo vira formalidade. Se tropeçar, a conta de saldo de gols contra Haiti e Escócia entra em cena — e aí os números do Grupo C deixam de ser detalhe para virar a diferença entre liderar a chave ou cair no lado pesado do chaveamento. O guia completo do torneio na ESPN ajuda a acompanhar como a chave se desenha rodada a rodada.

Perguntas frequentes

Quais são os adversários do Brasil na Copa 2026?
No Grupo C, o Brasil enfrenta Marrocos (13/06), Haiti (19/06) e Escócia (24/06), todos os jogos nos Estados Unidos.
Quando e onde o Brasil estreia na Copa do Mundo 2026?
A estreia é em 13 de junho, sábado, contra Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
O Brasil já perdeu para Marrocos?
Sim. Em março de 2023, o Marrocos venceu o Brasil por 2 a 1 em Tânger, no único confronto recente entre as seleções.
Qual é o adversário mais frágil do grupo do Brasil?
O Haiti, 84º colocado no ranking da FIFA, disputa apenas a segunda Copa de sua história e é o time de menor tradição da chave.

Fonte: ESPN, CNN Brasil, FIFA, Goal, Sofascore | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.