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Inglaterra 6x4 França: o bronze mais louco da história da Copa

A Inglaterra abriu 4 a 0 no primeiro tempo, viu a França empurrar o jogo até os acréscimos e venceu por 6 a 4 em Miami. Saka fez três, Mbappé fez dois e passou Messi na artilharia histórica das Copas. Dez gols numa partida que ninguém queria jogar.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos5 min de leitura
Inglaterra 6x4 França: o bronze mais louco da história da Copa
Saka comemora o hat-trick ao lado de Bellingham na vitória inglesa em Miami — Foto: Reprodução / Lance

Existe uma piada antiga sobre a disputa do terceiro lugar: é o único jogo de futebol em que os dois times entram em campo torcendo para que o árbitro apite o fim mais cedo. Alguém precisa avisar Bukayo Saka. Neste sábado, no calor pesado do Hard Rock Stadium, em Miami, a Inglaterra venceu a França por 6 a 4 e transformou o prêmio de consolação da Copa do Mundo 2026 na partida mais insana do torneio — dez gols, um 4 a 0 desfeito pela metade e um recorde histórico caindo no meio da bagunça.

Nada disso estava no roteiro. O jogo tinha tudo para ser protocolar, duas seleções derrotadas nas semifinais cumprindo tabela 24 horas antes da decisão que não é delas. Foi o contrário: um festival aberto, mal defendido e absolutamente irresistível.

Quatro gols em 45 minutos e um jogo aparentemente resolvido

A Inglaterra não deu tempo de a França se organizar. Aos 3 minutos, Declan Rice já tinha aberto o placar. Aos 18, Ezri Konsa fez o segundo. E então Saka assumiu o jogo: um gol aos 37 e outro no primeiro minuto dos acréscimos do primeiro tempo, fechando um 4 a 0 que parecia sentença de morte.

O que se viu naqueles 45 minutos foi uma França irreconhecível. Os mesmos jogadores que haviam sido eliminados pela Espanha na semifinal num jogo tático e travado entraram em Miami com a cabeça em qualquer lugar menos no gramado. Didier Deschamps mandou quatro jogadores para o intervalo e não voltou com nenhum deles.

A França do segundo tempo e o retorno de Mbappé

As quatro substituições no intervalo mudaram tudo. Aos 48 minutos, Kylian Mbappé descontou. Aos 54, Bradley Barcola fez o segundo. Aos 66, Mbappé de novo — e de repente um 4 a 0 tinha virado 4 a 3 com quase meia hora pela frente.

Foi o trecho mais estranho da partida: a Inglaterra, que havia sido cirúrgica por 45 minutos, recuou de forma inexplicável e passou a assistir. Thomas Tuchel gesticulava na beira do campo enquanto os franceses empilhavam chegadas. O empate parecia questão de tempo.

Não veio. Aos 87, Saka converteu um pênalti, completou o hat-trick e devolveu o respiro inglês: 5 a 3. Dembélé ainda diminuiu para 5 a 4 já nos acréscimos, e Jude Bellingham matou o assunto dois minutos depois, fechando o 6 a 4 num jogo que só parou porque o cronômetro acabou.

Mbappé passa Messi — por 24 horas, pelo menos

Os dois gols de Mbappé em Miami valem mais do que a derrota custa. O francês chegou a 22 gols em Copas do Mundo, ultrapassando Lionel Messi, que tem 21, e assumindo isolado o topo da artilharia histórica do torneio. Aos 27 anos, na terceira Copa, ele já deixou para trás Klose, Ronaldo e Pelé.

Há uma ressalva do tamanho do MetLife Stadium: Messi joga a final contra a Espanha neste domingo. Um gol argentino na decisão empata a conta. Dois, e Mbappé volta a ser o segundo. É o tipo de recorde que se conquista sabendo que ele pode durar exatamente um dia — e talvez seja isso que explique a fúria com que o francês jogou o segundo tempo de um jogo que, no papel, não valia nada.

Na artilharia específica da Copa 2026, Mbappé fechou sua participação com 10 gols, número que praticamente carimba a Chuteira de Ouro. Bellingham chegou a 7, e Saka, com o hat-trick, deu um salto tardio na tabela.

O que fica para a Inglaterra

Terceiro lugar não é título, e ninguém em Londres vai fingir que é. A eliminação para a Argentina na semifinal segue sendo a história dessa campanha inglesa — mais uma geração enorme que chegou perto e parou antes.

Mas há algo a se guardar. Saka saiu do Mundial com um hat-trick numa partida em que a maioria dos astros pediria dispensa. Konsa e Rice, dois jogadores de perfil defensivo, marcaram. E Tuchel encerra seu primeiro grande torneio no comando com uma campanha de semifinal e um jogo final que, apesar do sufoco, os ingleses controlaram do início ao fim — até resolverem parar de controlar.

Para a França, é a segunda Copa consecutiva terminando em frustração, e o debate sobre a sucessão de Deschamps vai dominar o noticiário francês a partir de segunda-feira. Perder um jogo de 4 a 0 pela metade e ainda assim sair derrotado é o resumo perfeito de um mês inteiro em que a seleção mais talentosa da Europa nunca pareceu inteira.

Ficha do jogo

JogoFrança 4 x 6 Inglaterra
CompetiçãoCopa do Mundo 2026 — disputa do 3º lugar
LocalHard Rock Stadium, Miami (EUA)
Gols da FrançaMbappé (48' e 66'), Barcola (54'), Dembélé (90'+6')
Gols da InglaterraRice (3'), Konsa (18'), Saka (37', 45'+1' e 87' pênalti), Bellingham (90'+8')

Amanhã, no MetLife Stadium, Espanha e Argentina decidem a Copa. Depois do que aconteceu em Miami, qualquer coisa que a final entregar vai parecer comportada.


Fontes: Lance, ESPN Brasil e Gazeta Esportiva.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Qual foi o resultado de França x Inglaterra na Copa 2026?
A Inglaterra venceu a França por 6 a 4 no Hard Rock Stadium, em Miami, e ficou com o terceiro lugar da Copa do Mundo de 2026.
02
Quem marcou os gols de Inglaterra 6x4 França?
Pela Inglaterra, Saka marcou três vezes, além de Rice, Konsa e Bellingham. Pela França, Mbappé fez dois, e Barcola e Dembélé completaram.
03
Mbappé é o maior artilheiro da história das Copas?
Com os dois gols em Miami, Mbappé chegou a 22 gols em Mundiais e passou Messi, que tem 21 e ainda joga a final de domingo.
04
Quem disputa a final da Copa do Mundo 2026?
Espanha e Argentina decidem o título neste domingo, 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Fonte: Lance, ESPN Brasil e Gazeta Esportiva · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.