O melhor do futebol, todos os dias
Beirado Campo
Internacional

Hakimi lidera o Marrocos na revanche contra a França na Copa 2026

Quatro anos depois de a França encerrar o sonho marroquino no Catar, Achraf Hakimi volta a cruzar o caminho dos Bleus — agora como capitão de uma geração que não quer mais ser lembrada só pela ousadia. Nesta quinta, às 17h, em Boston, o lateral do PSG carrega o peso de um continente.

Marcos Vinícius SantosMarcos Vinícius Santos4 min de leitura
Hakimi lidera o Marrocos na revanche contra a França na Copa 2026
Achraf Hakimi, capitão do Marrocos, lidera a seleção na revanche contra a França pelas quartas da Copa 2026 — Foto: Reprodução / Wikipedia

Há confrontos que o sorteio arma, e há confrontos que o destino cobra. França e Marrocos, nesta quinta-feira, às 17h (Brasília), no Gillette Stadium, em Boston, pertencem à segunda categoria. Quatro anos depois de os Bleus interromperem a caminhada mais bonita que a África já viu numa Copa, os dois se reencontram nas quartas de final da Copa 2026 — e no centro dessa história, de novo, está Achraf Hakimi, o capitão que virou a bandeira de um país inteiro.

Hakimi, o capitão que carrega um continente

Em 2022, o Marrocos parou na França na semifinal, derrotado por 2 a 0, mas saiu do Catar como a primeira seleção africana a chegar entre as quatro melhores do planeta. Naquele time de heróis improváveis, Hakimi já era o rosto mais reconhecível — o menino que cobrava pênalti com uma cavadinha diante da Espanha e sorria como quem sabia estar reescrevendo a geografia do futebol.

Hoje, ele volta mais velho, mais decisivo e mais premiado. Nesta Copa, o lateral disputa seu terceiro Mundial e alcançou a marca de 11 jogos em Copas do Mundo, recorde de um jogador marroquino e uma das maiores presenças da história do futebol africano na competição. São 96 partidas pela seleção, 11 gols e 19 assistências — números de quem deixou de ser promessa para se tornar patrimônio.

De Madri para o mundo: o marroquino que a Espanha deixou escapar

A ironia é que Hakimi nasceu em Madri e se formou nas categorias de base do Real Madrid. A Espanha, que também está viva nesta Copa, poderia tê-lo chamado. Ele escolheu o Marrocos, o país dos pais, e transformou essa escolha num manifesto. Não há discurso mais eloquente sobre identidade no futebol moderno do que um garoto criado na Europa que decide carregar a camisa do continente que o mundo insiste em subestimar.

No Paris Saint-Germain, onde atua desde 2021, Hakimi construiu a legitimidade que faltava ao seu currículo. Foi peça central no bicampeonato da Liga dos Campeões, conquistada em 2025 e novamente em 2026 diante do Arsenal, e hoje é discutido entre os melhores laterais-direitos do planeta. Chega às quartas da Copa não como coadjuvante de luxo, mas como um dos jogadores mais completos ainda em campo no torneio.

A França no caminho, de novo

Do outro lado está o algoz de sempre. A França nunca perdeu para o Marrocos: em seis duelos, são quatro vitórias e dois empates. E o time de Mbappé chega embalado por uma campanha impecável — cinco vitórias em cinco jogos, 14 gols marcados e apenas dois sofridos. É a máquina mais azeitada da competição, favorita declarada, como já detalhamos ao mapear por que a França é a grande candidata ao título.

Mas o Marrocos de 2026 não é um repeteco nostálgico. A seleção avançou com autoridade, despachou o Canadá por 3 a 0 nas oitavas, com dois gols de Ounahi, e sustenta a mesma identidade que encantou o mundo há quatro anos: bloco defensivo compacto, transições afiadas e a certeza de que compensa em coletivo o que não tem em elenco milionário. Saibari, revelação da fase de grupos, deu novo fôlego ao ataque; Hakimi, subindo pela direita como um extremo disfarçado, segue sendo a válvula de escape ofensiva.

O que está em jogo às 17h

Vingar 2022 é uma frase bonita, mas incompleta. O que o Marrocos persegue é maior: superar a própria melhor campanha, chegar pela primeira vez a uma semifinal sem o gosto amargo da despedida. Para isso, precisará de um Hakimi inteiro nos dois lados do campo — travando Barcola e Dembélé na defesa, alimentando os contra-ataques no ataque —, e de uma dose daquela irracionalidade coletiva que faz seleções pequenas derrubarem gigantes.

A França parte na frente pela história, pelo elenco e pelo momento. O Marrocos aposta no que o dinheiro não compra: a fome de um país que provou, no Catar, que o teto que lhe impuseram era baixo demais. Os detalhes táticos do reencontro estão dissecados na nossa prévia de França x Marrocos. O resto é com Hakimi e os companheiros, às 17h, em Boston — onde uma revanche esperada por quatro anos finalmente terá seu segundo capítulo.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Que horas é França x Marrocos na Copa 2026?
A partida acontece nesta quinta-feira, 9 de julho, às 17h (horário de Brasília), no Gillette Stadium, em Boston, pelas quartas de final.
02
Quem é Achraf Hakimi?
É o lateral-direito e capitão do Marrocos, jogador do Paris Saint-Germain e bicampeão da Liga dos Campeões em 2025 e 2026.
03
O Marrocos já venceu a França em Copas do Mundo?
Não. Em seis confrontos, a França soma quatro vitórias e dois empates, incluindo o 2 a 0 na semifinal de 2022, no Catar.

Fonte: CNN Brasil, SofaScore, Rádio Itatiaia, 365scores · informações adicionais por Beira do Campo

#copa-2026#marrocos#achraf-hakimi#franca#psg

Quem escreve

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.