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Suíça nas quartas da Copa após 72 anos encara a Argentina

A Suíça bateu a Colômbia nos pênaltis em Vancouver e voltou às quartas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1954. O prêmio é duro: encara a Argentina de Messi no sábado, em Kansas City.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
4 min de leitura
Suíça nas quartas da Copa após 72 anos encara a Argentina
Suíça comemora a classificação nos pênaltis diante da Colômbia — Foto: Reprodução / CNN Brasil

Há times que entram numa Copa do Mundo para cumprir tabela e há times que entram para escrever uma linha na própria história. A Suíça nas quartas da Copa de 2026 pertence à segunda categoria. Depois de segurar a Colômbia por 120 minutos e sobreviver à loteria dos pênaltis em Vancouver, a seleção de Murat Yakin fez o que nenhuma geração helvética conseguia desde 1954: alcançou o mata-mata final de um Mundial. Setenta e dois anos de espera resolvidos numa cobrança de Manuel Akanji.

Uma noite de nervos em Vancouver

O placar de 0 a 0 no BC Place não conta a tensão da noite. Foram 90 minutos ásperos, uma prorrogação sem gols e, então, o roteiro que a Suíça conhece bem: os pênaltis. Coube a Gregor Kobel, o goleiro do Borussia Dortmund, o momento de herói ao defender a cobrança de Cucho Hernández. Antes, Davinson Sánchez já havia carimbado o travessão na primeira batida colombiana. Do outro lado, os suíços não tremeram — e Akanji, com a frieza de quem cobra pênalti no aquecimento, converteu a decisiva para o 4 a 3.

Foi o desfecho cruel para uma Colômbia que sonhava repetir 2014, seu melhor resultado em Copas. A jornada dos cafeteros terminou como começou o duelo: no detalhe. Quem quiser rever como a vaga foi decidida pode conferir a cobertura de Colômbia x Suíça nas oitavas, um jogo que se recusou a ter dono até a última batida.

1954, a memória que a Suíça carregava

Para entender o tamanho do feito, é preciso voltar sete décadas. A última vez que a Suíça pisou nas quartas de uma Copa foi em 1954, justamente o Mundial que o país organizou. Naquele torneio, os anfitriões protagonizaram a partida com mais gols da história das Copas — uma derrota de 7 a 5 para a Áustria, batizada de "Batalha do Calor" pelo sol escaldante de Lausanne. Desde então, foram tentativas frustradas, quedas nas oitavas e uma sensação recorrente de teto de vidro.

Esta é apenas a quarta vez que a Suíça chega tão longe num Mundial, e nas três anteriores nunca passou de fase. Yakin, técnico frequentemente questionado em casa, entrega agora à torcida algo que Ottmar Hitzfeld e Vladimir Petković, seus antecessores de currículo mais glamouroso, não conseguiram. O DNA suíço de solidez defensiva, encarnado por Kobel no gol e por uma retaguarda disciplinada, foi o combustível de uma campanha construída na paciência.

O prêmio se chama Argentina

O bônus por tanta resistência tem nome e sobrenome pesados. Nas quartas, a Suíça encara a Argentina, que chegou ao mata-mata em ritmo de sofrimento e redenção. A campeã sul-americana precisou de uma virada épica por 3 a 2 sobre o Egito para seguir viva — um jogo em que Lionel Messi voltou a decidir e a albiceleste mostrou que, mesmo tropeçando, sabe se levantar na hora exata. Os números daquela virada estão detalhados na nossa análise de Argentina x Egito nas oitavas.

O confronto está marcado para sábado, 11 de julho, às 22h de Brasília, no Arrowhead Stadium, em Kansas City. No papel, é davi contra golias: de um lado, a seleção mais estrelada do planeta, com Messi conduzindo talvez sua última cartada em Copas; do outro, um coletivo que transformou organização e sangue-frio em arma. Mas o futebol suíço aprendeu, nos pênaltis contra a Colômbia, que decisão nenhuma se ganha no papel.

Para quem quer situar o duelo dentro do chaveamento completo do torneio, vale revisitar o panorama das quartas de final da Copa 2026. A Suíça é a zebra assumida da chave — e zebras, quando cruzam o gramado de um Mundial, costumam obrigar os favoritos a jogar de verdade.

O que esperar do jogo

A leitura tática do sábado será fascinante. A Argentina tende a dominar a posse e empurrar a Suíça para o próprio campo, apostando na inspiração de Messi e na profundidade de seus atacantes. A resposta de Yakin já foi ensaiada diante da Colômbia: bloco compacto, transições rápidas com Dan Ndoye pelos lados e a certeza de que Kobel pode salvar o que passar. Se o jogo chegar aos pênaltis outra vez, os suíços terão motivos de sobra para acreditar.

O que ninguém pode negar é que a Suíça nas quartas da Copa deixou de ser uma nota de rodapé. Setenta e dois anos depois, o país voltou a ter o direito de sonhar num sábado de julho — e a Argentina, por mais favorita que seja, foi avisada.

Perguntas frequentes

Quando é Argentina x Suíça nas quartas da Copa 2026?
O jogo está marcado para sábado, 11 de julho de 2026, às 22h de Brasília, no Arrowhead Stadium, em Kansas City.
Como a Suíça se classificou para as quartas da Copa 2026?
A Suíça empatou em 0 a 0 com a Colômbia no tempo normal e na prorrogação e venceu por 4 a 3 na disputa de pênaltis, em Vancouver.
Há quanto tempo a Suíça não chegava às quartas de uma Copa?
A última vez havia sido em 1954, quando o país sediou o torneio. São 72 anos de espera até esta classificação em 2026.

Fonte: CNN Brasil, Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.