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Opinião

Final feminina: a torcida precisa ficar depois da taça

A mobilização para São Paulo x Corinthians merece ser celebrada. Neide defende que clubes e organização usem a decisão para construir uma relação contínua com quem chega à arquibancada.

Neide FerreiraNeide Ferreira5 min de leitura
Final feminina: a torcida precisa ficar depois da taça
Troféu e medalhas do Brasileirão Feminino A1 de 2026, antes da decisão entre São Paulo e Corinthians — Foto: Luciana Vermell/CBF

A final feminina entre São Paulo e Corinthians merece festa, mas a melhor homenagem às jogadoras será fazer a torcida voltar quando a taça não estiver em disputa. Minha cobrança para clubes e organização é essa: aproveitar a atenção da decisão para construir hábito. O estádio não pode ser uma vitrine montada para uma tarde e desmontada assim que termina a entrega das medalhas.

Neste sábado, 3 de outubro, o MorumBIS recebe a volta da final do Brasileiro Feminino A1, às 16h30 de Brasília. O horário e o local foram reconferidos no comunicado do São Paulo publicado em 2 de outubro e no serviço do ge de hoje. Esta coluna é escrita antes da partida. Não há aqui público final, recorde confirmado ou campeã antecipada.

Final feminina: mobilização é começo, não certificado

Na tarde de 2 de outubro, a CBF informou mais de 38 mil ingressos vendidos. Esse é um retrato datado da comercialização, não uma contagem de pessoas que passaram pelas catracas neste sábado. A distinção parece pequena, mas evita transformar expectativa em estatística consumada.

Eu celebro a mobilização. Uma decisão com torcida envolvida oferece um encontro poderoso entre clube, atletas e público. Só não aceito que um número divulgado antes do jogo funcione como certificado de que todas as dificuldades da modalidade foram resolvidas. Uma final mede a atração daquela final. Para entender continuidade, será preciso observar outros jogos e outros momentos da temporada.

O desafio que proponho começa depois da fotografia: como convidar de novo quem acompanhou a equipe pela primeira vez? Que informação essa pessoa encontrará sobre o próximo compromisso? O caminho até o ingresso estará claro? São perguntas para planejamento, não acusações de que os clubes tenham falhado em cada uma dessas tarefas.

Acesso precisa virar uma experiência simples

A Ticketmaster anunciou a distribuição gratuita de uma cota de ingressos que adquiriu para a decisão. A iniciativa tem escopo específico. Não significa gratuidade geral, nem autoriza prometer disponibilidade a qualquer torcedor no momento em que ele procura entrada.

Vejo valor em ações que abrem uma porta. Minha exigência é que a porta tenha continuidade: comunicação compreensível, orientação sobre acesso e um convite para conhecer a equipe além do clássico decisivo. Distribuir ingresso pode aproximar alguém do estádio; acompanhar essa aproximação é um trabalho diferente, que não se prova apenas pela quantidade de entradas oferecidas.

Também me incomoda tratar presença como prova de pureza torcedora. Há quem acompanhe pela televisão, quem trabalhe no horário e quem não consiga fazer o deslocamento. Clube algum ganha vínculo duradouro constrangendo essas pessoas. Prefiro facilitar caminhos e informar opções a estabelecer uma competição moral entre quem foi ao estádio e quem ficou em casa.

O jogo merece atenção pelo que acontece em campo

Uma boa campanha de divulgação deve apresentar as jogadoras, os estilos das equipes e as razões esportivas para acompanhar. Meu pedido é que o futebol feminino seja tratado como futebol: com disputa, escolhas técnicas e histórias que merecem interesse próprio. A atleta não precisa carregar a obrigação de provar o valor de uma modalidade inteira a cada passe.

Quem procura os cenários esportivos encontra nossa análise dos números e das contas da final. O registro da classificação corintiana diante do Bahia ajuda a recuperar uma etapa anterior da campanha. Essas leituras cumprem outra função: dar contexto ao confronto, sem reduzir a coluna de hoje a uma repetição do serviço da partida.

Quero que essa curiosidade sobreviva ao apito. Que o torcedor reconheça uma jogadora na próxima escalação, procure acompanhar sua equipe e descubra outras partidas. Isso é uma ambição editorial e esportiva; não estou anunciando aumento de audiência, receita ou frequência que ainda não foi medido.

Uma final é excepcional; a relação pode ser contínua

O contra-argumento é justo: uma rodada comum não tem a mesma atração de uma decisão, e esperar arquibancadas iguais em todos os jogos seria uma cobrança artificial. Concordo. A meta não precisa ser reproduzir o tamanho da festa. Precisa ser aproveitar a oportunidade para tornar o acompanhamento mais fácil e mais constante.

Minha proposta aos clubes é testar convites para o compromisso seguinte, divulgar programação com clareza e avaliar se quem veio uma vez retorna. À organização, cabe pensar como tornar o calendário inteligível para o público. A agenda do portal reúne a programação disponível; a informação sobre partidas deve ajudar a planejar o acompanhamento, sem prometer cobertura completa de toda a temporada.

Vou celebrar a decisão pelo futebol e pela torcida que ela mobiliza. Mas o compromisso que defendo não termina com a campeã. O melhor legado deste sábado será uma relação que continue quando não houver medalha à espera. A festa merece uma tarde grande. As jogadoras merecem atenção durante o caminho inteiro.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
A venda de ingressos confirma o público da final feminina?
Não. O número de entradas comercializadas antes da partida não substitui a contagem de pessoas presentes no estádio.
02
Qual número de ingressos a CBF divulgou em 2 de outubro?
A entidade informou mais de 38 mil ingressos vendidos para a volta da final do Brasileiro Feminino A1 de 2026, no MorumBIS.
03
A Ticketmaster anunciou ingressos gratuitos para a final?
A empresa anunciou a distribuição gratuita de uma cota que adquiriu para São Paulo x Corinthians. A ação não significa que todos os ingressos sejam gratuitos.

Fonte: CBF, São Paulo FC, ge e Ticketmaster; conferência em 3 de outubro de 2026 · informações adicionais por Beira do Campo

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