Coudet no River Plate: ex-técnico do Inter estreia hoje contra o Huracán
Eduardo Coudet, que marcou época no Internacional e no Atlético-MG, assume hoje o comando do River Plate na estreia oficial contra o Huracán pelo Torneo Apertura 2026.


Oito anos depois de pendurar as chuteiras como jogador no River Plate, Eduardo "Chacho" Coudet voltou à casa — desta vez como técnico. Nesta quinta-feira, 12 de março, ele comanda seu primeiro jogo oficial pelo clube portenho contra o Huracán, pela Fecha 10 do Torneo Apertura 2026, no Monumental de Núñez. A partida é o ponto de partida de uma reconstrução que Buenos Aires espera há meses.
A missão não é simples. O River que Coudet encontrou está longe do que acostumou seus torcedores: sem Copa Libertadores em 2025, sem título e com a sombra pesada deixada pela segunda e traumática saída de Marcelo Gallardo.
O fim da segunda era Gallardo: "Dor na alma"
A demissão de Gallardo foi o tipo de notícia que para o futebol argentino. O técnico mais vitorioso da história do River pediu demissão em 23 de fevereiro após acumular apenas três vitórias em 15 jogos — uma sequência que incluiu dez derrotas. A gota d'água foi a derrota para o Vélez no dia 22.
"Dor na alma", disse Gallardo na despedida. A frase resumiu o estado de um relacionamento que virou contradição: o maior ídolo da história recente voltou em agosto de 2024 para uma segunda passagem e não conseguiu reviver o ciclo anterior (2014-2022), onde acumulou catorze títulos e dois troféus da Libertadores.
O ciclo encerrou sem glória: o River ficou fora dos torneios continentais em 2026 — algo impensável no vocabulário Millonario até pouco tempo atrás. A direção precisava agir rápido.
Coudet: o técnico que o Brasil ajudou a formar
A chegada de Eduardo Coudet ao River Plate não é uma aposta no desconhecido. É o retorno de um ídolo que construiu no Brasil boa parte da credibilidade que o trouxe de volta ao Monumental como técnico.
Coudet jogou pelo River entre 1999 e 2004, conquistando cinco títulos: o Apertura 1999 e os Clausuras de 2000, 2002, 2003 e 2004. Enzo Francescoli, atual diretor técnico do clube, foi companheiro de vestibário — e foi ele quem conduziu a negociação para a contratação, fechada com contrato até o final de 2027.
Como treinador, foi no Brasil que Coudet se destacou em alto nível pela primeira vez. No Internacional, entre dezembro de 2019 e novembro de 2020, construiu um trabalho sólido: 46 jogos, 24 vitórias, o time liderando o Brasileirão no momento da saída, com vaga nas oitavas da Libertadores e nas quartas da Copa do Brasil. A passagem pelo clube gaúcho abriu as portas para o Celta de Vigo e para o mercado europeu.
A volta ao Brasil veio em 2023, desta vez pelo Atlético Mineiro. O projeto não chegou ao fim, mas o período no Galo reafirmou o estilo que Coudet carrega: pressão alta, transições rápidas e intensidade física acima da média. Antes de aceitar o River, estava no Deportivo Alavés, na Espanha.
O mercado de técnicos sul-americanos está aquecido. A janela doméstica brasileira, aberta até 27 de março, movimenta clubes e profissionais dos dois lados do continente — e o Brasil segue sendo vitrine decisiva para treinadores que querem visibilidade internacional.
Estreia contra o Huracán e o desafio pela frente
O River de Coudet entra hoje em campo pressionado, mas com um detalhe favorável: o torcedor quer acreditar. A apresentação do técnico, em 4 de março, foi recebida com otimismo no Monumental — alívio depois de semanas de turbulência e incerteza.
O adversário desta Fecha 10 é o Huracán, de campanha irregular no Apertura. Para Coudet, um adversário manejável para ajustar o time sem a pressão máxima de um clássico ou rival direto. Mas o River não tem folga na tabela: precisa de pontos para sair da zona incômoda em que se meteu durante o período de Gallardo.
Segundo fontes próximas ao clube, Coudet quer recuperar o ritmo de pelo menos dois ou três jogadores que perderam confiança e regularidade nas últimas rodadas, e pretende dar mais autonomia ofensiva ao ataque — algo que o estilo de Gallardo na segunda passagem claramente não entregou.
O cenário é familiar para quem acompanha o movimento de técnicos na América do Sul. Enquanto Coudet reestreia no River Plate, no Brasil o Flamengo também trocou de treinador recentemente, sinalizando que os grandes clubes do continente não têm paciência para ciclos de reconstrução prolongados — a pressão por resultado imediato é regra, não exceção.
Para Coudet, a missão é devolver identidade ao maior clube argentino. E o caminho começa hoje à noite, contra o Huracán.
Fonte: Infobae, CNN Brasil, Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

Editor-chefe
Jornalista esportivo com 15 anos de experiência cobrindo futebol brasileiro. Ex-repórter da Gazeta Esportiva e colaborador do Lance!. Especialista em mercado da bola e bastidores dos grandes clubes.


