Corinthians no Z4: pior ataque do Brasil e nove jogos sem vencer
O Timão entrou na zona de rebaixamento após um 0x0 com o Vitória que nem partida parecia. Nove rodadas sem vencer, oito gols em doze jogos e um ataque que ofende até quem não é corintiano. A Segunda da Neide não vai ter piedade.


Nove rodadas sem vencer. Oito gols em doze jogos. Zero finalizações na direção do gol num domingo de abril no Barradão. Se você é corintiano e estava assistindo àquele 0×0 com o Vitória, parabéns pela resiliência — porque eu já teria desligado a TV na metade do primeiro tempo.
O Corinthians entrou na zona de rebaixamento do Brasileirão 2026, e não tem como dourar essa pílula. Não é azar. Não é falta de sorte. É incompetência coletiva, institucional e, acima de tudo, ofensiva — no sentido mais literal da palavra.
Um ataque que ofende até quem não torce pelo Timão
Vamos falar dos números porque eles não mentem, não tem diretor para desmentir e não aparece no Twitter para dar explicação.
O Corinthians tem oito gols em doze rodadas. Oito. Enquanto isso, o Palmeiras — líder da competição — já marcou o dobro. O Flamengo, com um jogo a menos, se aproxima rapidamente da marca de 20 gols. Oito gols é o tipo de número que faz técnico europeu pedir demissão envergonhado.
E no jogo contra o Vitória? O Timão não acertou uma única finalização no gol adversário em 90 minutos. Noventa minutos. Uma hora e meia de futebol, no sentido mais frouxo que essa palavra pode ter. Nem por acidente o Corinthians levou perigo ao goleiro rubro-negro.
Com dois vitórias, seis empates e quatro derrotas — aproveitamento de míseros 33% —, o Timão ocupa a 17ª colocação, ao lado de times que, ao contrário do Corinthians, pelo menos têm a desculpa de ser recém-promovidos. O Cruzeiro, que vinha no mesmo buraco, se safou exatamente nesta rodada. O Timão ficou para trás.
A herança serve de desculpa por quanto tempo?
Sim, Fernando Diniz chegou há pouco. Sim, ele ainda está montando o time, ajustando peças, pregando filosofia de jogo num grupo que herdou de outro treinador. Isso é real, e seria desonesto da minha parte ignorar.
Mas Diniz chegou ao clube com o problema exposto: a crise de nove jogos sem vencer já estava instalada bem antes de ele aparecer por Parque São Jorge. E nos dois jogos sob seu comando — os empates sem gols com Palmeiras e Vitória — o que o torcedor viu foi exatamente o mesmo Corinthians que existia antes: sem criação, sem finalização, sem identidade.
A herança pesa, claro. Mas ela não joga. Quem joga são os mesmos jogadores que estão ali há meses, e que coletivamente produziram o pior ataque de uma Série A em anos recentes.
Se o problema fosse só o técnico, trocar o técnico resolveria. Mas o Corinthians já trocou. Não resolveu.
O elenco como espelho do problema
Jesse Lingard estreou com algum alvoroço, virou notícia e não se consolidou como titular. O time não tem um centroavante que assunte defesa nenhuma. O meio-campo é lerdo na saída de bola e improdutivo na chegada. E o calendário — com Copa do Brasil e Libertadores — não dá trégua para Diniz montar um grupo minimamente coeso.
O Brasileirão não é competição de fim de ano. O Z4 agora pode virar Z4 em dezembro se o time não reagir rapidamente. Em anos anteriores, entrar no buraco cedo custou caro a clubes maiores do que o Corinthians pensa ser hoje.
A situação do Grêmio, que também patina no Z4 com uma crise numérica preocupante, mostra que grandes do Brasil sofrem quando o elenco não acompanha o orçamento e o torcedor espera mais do que o time consegue entregar.
O Corinthians, porém, tem uma agravante: a torcida. Uma das maiores do país, fiel até nas horas mais sombrias, merece pelo menos ver o time chegar ao gol adversário. Merece uma finalização por jogo que seja.
Ou reage agora, ou explica para a Segunda Divisão
O próximo compromisso do Timão no Brasileirão é contra o Vasco, no dia 26 de abril, em casa. Um duelo direto. Um daqueles jogos que, no linguajar popular, é de seis pontos.
Perder — ou pior, empatar em 0×0 de novo — pode colocar o Corinthians numa posição que levaria meses para se recuperar psicologicamente. A janela de recuperação existe, mas ela está ficando menor a cada rodada.
Fernando Diniz tem qualidade. Tem história. Tem proposta de jogo. Mas qualidade sem eficiência ofensiva é só posse de bola bonita que não vale ponto. O torcedor corintiano merece mais do que uma equipe que passa 90 minutos tocando a bola horizontalmente enquanto a tabela vai empurrando o Timão para baixo.
Na rodada que virou o Brasileirão de cabeça para baixo, com virada do Fluminense, zebra do Mirassol e goleada do Bragantino, o Corinthians fez o mais adequado: sumiu em campo e não perturbou ninguém — nem o adversário.
Esse Corinthians, com todo respeito que tenho pela grandeza histórica do clube, está longe demais do time que sua torcida merece ver. E isso, meus caros, não é culpa do árbitro.
Perguntas frequentes
- Por que o Corinthians caiu para o Z4 do Brasileirão 2026?
- O Corinthians empató com o Vitória por 0x0 na 12ª rodada e, com a vitória do Cruzeiro no mesmo dia, caiu para a 17ª colocação com 12 pontos, entrando na zona de rebaixamento.
- Quantos jogos o Corinthians está sem vencer no Brasileirão?
- Nove jogos consecutivos sem vitória no Brasileirão 2026, acumulando apenas 2 vitórias, 6 empates e 4 derrotas em 12 rodadas.
- Qual é o aproveitamento do Corinthians no Brasileirão 2026?
- 33% de aproveitamento em 12 rodadas, com 12 pontos conquistados. O pior ataque da Série A: apenas 8 gols marcados.
- Quem é o técnico do Corinthians atualmente?
- Fernando Diniz, que assumiu o cargo recentemente e somou dois empates sem gols em suas primeiras partidas — 0x0 com o Palmeiras e 0x0 com o Vitória.
Fonte: Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

Colunista
Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.


