O melhor do futebol brasileiro, todos os dias
Beira do Campo
BEIRADO CAMPO
Brasileirão

Corinthians no Z4: pior ataque do Brasil e nove jogos sem vencer

O Timão entrou na zona de rebaixamento após um 0x0 com o Vitória que nem partida parecia. Nove rodadas sem vencer, oito gols em doze jogos e um ataque que ofende até quem não é corintiano. A Segunda da Neide não vai ter piedade.

Neide Ferreira
Neide Ferreira
5 min de leitura
Corinthians no Z4: pior ataque do Brasil e nove jogos sem vencer
Ilustração — Estádio vazio ao entardecer, símbolo do vazio ofensivo do Timão no Brasileirão 2026

Nove rodadas sem vencer. Oito gols em doze jogos. Zero finalizações na direção do gol num domingo de abril no Barradão. Se você é corintiano e estava assistindo àquele 0×0 com o Vitória, parabéns pela resiliência — porque eu já teria desligado a TV na metade do primeiro tempo.

O Corinthians entrou na zona de rebaixamento do Brasileirão 2026, e não tem como dourar essa pílula. Não é azar. Não é falta de sorte. É incompetência coletiva, institucional e, acima de tudo, ofensiva — no sentido mais literal da palavra.

Um ataque que ofende até quem não torce pelo Timão

Vamos falar dos números porque eles não mentem, não tem diretor para desmentir e não aparece no Twitter para dar explicação.

O Corinthians tem oito gols em doze rodadas. Oito. Enquanto isso, o Palmeiras — líder da competição — já marcou o dobro. O Flamengo, com um jogo a menos, se aproxima rapidamente da marca de 20 gols. Oito gols é o tipo de número que faz técnico europeu pedir demissão envergonhado.

E no jogo contra o Vitória? O Timão não acertou uma única finalização no gol adversário em 90 minutos. Noventa minutos. Uma hora e meia de futebol, no sentido mais frouxo que essa palavra pode ter. Nem por acidente o Corinthians levou perigo ao goleiro rubro-negro.

Com dois vitórias, seis empates e quatro derrotas — aproveitamento de míseros 33% —, o Timão ocupa a 17ª colocação, ao lado de times que, ao contrário do Corinthians, pelo menos têm a desculpa de ser recém-promovidos. O Cruzeiro, que vinha no mesmo buraco, se safou exatamente nesta rodada. O Timão ficou para trás.

A herança serve de desculpa por quanto tempo?

Sim, Fernando Diniz chegou há pouco. Sim, ele ainda está montando o time, ajustando peças, pregando filosofia de jogo num grupo que herdou de outro treinador. Isso é real, e seria desonesto da minha parte ignorar.

Mas Diniz chegou ao clube com o problema exposto: a crise de nove jogos sem vencer já estava instalada bem antes de ele aparecer por Parque São Jorge. E nos dois jogos sob seu comando — os empates sem gols com Palmeiras e Vitória — o que o torcedor viu foi exatamente o mesmo Corinthians que existia antes: sem criação, sem finalização, sem identidade.

A herança pesa, claro. Mas ela não joga. Quem joga são os mesmos jogadores que estão ali há meses, e que coletivamente produziram o pior ataque de uma Série A em anos recentes.

Se o problema fosse só o técnico, trocar o técnico resolveria. Mas o Corinthians já trocou. Não resolveu.

O elenco como espelho do problema

Jesse Lingard estreou com algum alvoroço, virou notícia e não se consolidou como titular. O time não tem um centroavante que assunte defesa nenhuma. O meio-campo é lerdo na saída de bola e improdutivo na chegada. E o calendário — com Copa do Brasil e Libertadores — não dá trégua para Diniz montar um grupo minimamente coeso.

O Brasileirão não é competição de fim de ano. O Z4 agora pode virar Z4 em dezembro se o time não reagir rapidamente. Em anos anteriores, entrar no buraco cedo custou caro a clubes maiores do que o Corinthians pensa ser hoje.

A situação do Grêmio, que também patina no Z4 com uma crise numérica preocupante, mostra que grandes do Brasil sofrem quando o elenco não acompanha o orçamento e o torcedor espera mais do que o time consegue entregar.

O Corinthians, porém, tem uma agravante: a torcida. Uma das maiores do país, fiel até nas horas mais sombrias, merece pelo menos ver o time chegar ao gol adversário. Merece uma finalização por jogo que seja.

Ou reage agora, ou explica para a Segunda Divisão

O próximo compromisso do Timão no Brasileirão é contra o Vasco, no dia 26 de abril, em casa. Um duelo direto. Um daqueles jogos que, no linguajar popular, é de seis pontos.

Perder — ou pior, empatar em 0×0 de novo — pode colocar o Corinthians numa posição que levaria meses para se recuperar psicologicamente. A janela de recuperação existe, mas ela está ficando menor a cada rodada.

Fernando Diniz tem qualidade. Tem história. Tem proposta de jogo. Mas qualidade sem eficiência ofensiva é só posse de bola bonita que não vale ponto. O torcedor corintiano merece mais do que uma equipe que passa 90 minutos tocando a bola horizontalmente enquanto a tabela vai empurrando o Timão para baixo.

Na rodada que virou o Brasileirão de cabeça para baixo, com virada do Fluminense, zebra do Mirassol e goleada do Bragantino, o Corinthians fez o mais adequado: sumiu em campo e não perturbou ninguém — nem o adversário.

Esse Corinthians, com todo respeito que tenho pela grandeza histórica do clube, está longe demais do time que sua torcida merece ver. E isso, meus caros, não é culpa do árbitro.

Perguntas frequentes

Por que o Corinthians caiu para o Z4 do Brasileirão 2026?
O Corinthians empató com o Vitória por 0x0 na 12ª rodada e, com a vitória do Cruzeiro no mesmo dia, caiu para a 17ª colocação com 12 pontos, entrando na zona de rebaixamento.
Quantos jogos o Corinthians está sem vencer no Brasileirão?
Nove jogos consecutivos sem vitória no Brasileirão 2026, acumulando apenas 2 vitórias, 6 empates e 4 derrotas em 12 rodadas.
Qual é o aproveitamento do Corinthians no Brasileirão 2026?
33% de aproveitamento em 12 rodadas, com 12 pontos conquistados. O pior ataque da Série A: apenas 8 gols marcados.
Quem é o técnico do Corinthians atualmente?
Fernando Diniz, que assumiu o cargo recentemente e somou dois empates sem gols em suas primeiras partidas — 0x0 com o Palmeiras e 0x0 com o Vitória.

Fonte: Gazeta Esportiva | Informações adicionais por Beira do Campo

#corinthians#brasileirao-2026#z4#rebaixamento#crise#opiniao
Neide Ferreira
Neide Ferreira

Colunista

Neide Ferreira, 58 anos de paixão pelo futebol. Colunista que não tem medo de falar o que pensa. Voz da torcida, defensora do futebol raiz e inimiga da hipocrisia no esporte.