Grêmio no Z4: os números da queda no Brasileirão 2026
Quatro jogos sem vencer, 14 gols sofridos nas primeiras dez rodadas e dependência excessiva de Carlos Vinícius. Os dados revelam por que o Grêmio afundou na zona de rebaixamento após a derrota para o Cruzeiro.


O Grêmio encerrou o sábado (18) na zona de rebaixamento do Brasileirão 2026 — uma posição que contraria tudo que se esperava de um clube com elenco reformulado e ambições declaradas de brigar pelo título. A derrota por 2 a 0 para o Cruzeiro, no Mineirão, com gols de Christian e Lucas Romero no segundo tempo, foi o quarto jogo sem vitória do Tricolor gaúcho. E os números contam exatamente o que os olhos já vinham sinalizando.
O que os dados revelam sobre o Grêmio de 2026
O retrato estatístico do Grêmio no Brasileirão tem três marcas dominantes: defesa vazada, ataque dependente de um único jogador e incapacidade sistemática de vencer fora de Porto Alegre.
No setor defensivo, os números são alarmantes. Nas primeiras dez rodadas, o Tricolor havia sofrido 14 gols — um dos piores desempenhos do campeonato nessa janela. Para comparação, o Palmeiras, líder isolado com 26 pontos, tinha concedido menos da metade naquele mesmo recorte. Nenhum candidato a escapar do rebaixamento consegue sustentar uma média superior a um gol sofrido por jogo ao longo de 38 rodadas.
Na ponta ofensiva, a fotografia é igualmente reveladora. Carlos Vinícius soma 7 gols em 12 rodadas, lidera a artilharia do Brasileirão e é responsável por aproximadamente metade dos tentos do Grêmio na competição. O centroavante está em forma extraordinária — mas um time de primeira divisão não pode depender de um único homem para manter a cabeça fora d'água. Quando Vinícius não marca, o Grêmio fica estático. Esse dado, cruzado com a vulnerabilidade defensiva, forma a equação de uma crise.
A síndrome fora de casa
O problema do Grêmio como visitante já havia sido documentado ainda em março, quando o clube acumulava zero vitórias em todos os jogos fora de Porto Alegre. A análise mostrava um time capaz de competir na Arena, mas que trocava a identidade ao jogar longe. Dois meses depois, a síndrome permanece intacta.
As quatro rodadas mais recentes — que compõem a sequência atual sem vitória — foram todas disputadas fora de casa ou em terreno neutro. A derrota por 2x1 para o Palmeiras na rodada 9 foi a primeira fratura. O Gre-Nal 452, que terminou 0 a 0 no Beira-Rio, mostrou um Grêmio capaz de se defender mas sem criatividade para decidir. E a derrota para o Cruzeiro foi o ponto mais baixo: dois gols sofridos no segundo tempo, nenhuma resposta.
No total do Brasileirão 2026, o Grêmio não conquistou nenhuma vitória como visitante. É o tipo de estatística que explica, por si só, um rebaixamento — quando o time só consegue pontos em casa, qualquer sequência de jogos fora funciona como uma hemorragia na tabela.
O roteiro que se repete
A expressão "filme repetido pelo terceiro ano consecutivo" circulou nos portais especializados esta semana, e não sem razão. Em 2024 e 2025, o Grêmio também viveu períodos de instabilidade no Brasileirão que colocaram o clube em situação delicada no segundo turno. A diferença era que havia tempo para se recuperar.
Em 2026, a preocupação é que os padrões negativos — defesa porosa, dependência de Vinícius, nulidade fora de casa — estejam mais arraigados do que antes. O clube chegou ao campeonato com um novo técnico e promessas de reformulação. Os dados de abril não confirmam essa promessa ainda.
Há um agravante conjuntural: o Grêmio perdeu a oportunidade de sair do Z4 justamente ao ser derrotado pelo time que estava na mesma posição. O Cruzeiro, que chegou ao Mineirão dentro da zona de rebaixamento, encontrou a saída com dois gols no segundo tempo. O Tricolor gaúcho saiu de lá sem resposta e sem pontos.
O que precisaria mudar
Os números apontam caminhos claros, embora nenhum deles seja simples de executar. Taticamente, o Grêmio precisa distribuir melhor as responsabilidades ofensivas. Reduzir a dependência de Carlos Vinícius não é diminuí-lo — é criar condições para que os demais atacantes e meias pontuem. Um centroavante que sozinho responde por metade dos gols do time é simultaneamente o maior ativo e o maior ponto de ruptura do sistema.
Defensivamente, a meta imediata é conter o sangramento. Nenhum time que chega a 20 gols sofridos antes da metade do campeonato escapa do rebaixamento com tranquilidade. O Grêmio já ultrapassou 14 com menos de metade das rodadas jogadas.
E, mais urgente que tudo: uma vitória fora de casa. Sem isso, qualquer rodada com jogos fora do Olimpico ou da Arena representa risco real. O calendario não facilita: a Sul-Americana e a Copa do Brasil ainda disputam espaço no mês. O Brasileirão espera pelo Tricolor gaúcho que somava 11 pontos após a oitava rodada — mas que, desde então, perdeu o rumo nos dados e nos resultados.
A rodada 13 chega no próximo fim de semana. Os números dizem que o Grêmio não tem margem para mais empates.
Perguntas frequentes
- Grêmio está na zona de rebaixamento do Brasileirão 2026?
- Sim. Após a derrota por 2x0 para o Cruzeiro na rodada 12, o Grêmio entrou na zona de rebaixamento com quatro jogos consecutivos sem vencer.
- Quem é o artilheiro do Grêmio no Brasileirão 2026?
- Carlos Vinícius lidera tanto a artilharia do Grêmio quanto do Brasileirão 2026, com 7 gols em 12 rodadas — aproximadamente metade dos tentos do clube na competição.
- Quantos gols o Grêmio sofreu no Brasileirão 2026?
- O Grêmio sofreu 14 gols nas primeiras dez rodadas do Brasileirão 2026, um dos piores saldos defensivos da Série A no período.
- Qual é a sequência recente do Grêmio no Brasileirão?
- O Grêmio acumula quatro jogos sem vitória: derrota para o Palmeiras na rodada 9, empates nas rodadas 10 e 11, e derrota por 2x0 para o Cruzeiro na rodada 12.
Fonte: GrêmioNews, FutebolInterior | Informações adicionais por Beira do Campo

Analista de Dados
Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.


