PSG e Atlético nas semis: as quartas da Champions ficam para a história
Dembélé destrói o Liverpool em Anfield e garante o PSG nas semifinais com 4-0 no agregado. Atlético resiste à virada do Barcelona com 10 e avança pelo fio.


Anfield ardeu, o Metropolitano tremeu, e no fim desta terça-feira de Champions League a poeira baixou com duas certezas: o PSG e o Atlético de Madrid estão nas semifinais da edição 2025/26. Uma noite que tinha tudo para ser de drama foi, ao contrário, uma declaração de poder — com Ousmane Dembélé como protagonista do roteiro mais bonito da competição.
Dembélé escreve sua obra-prima em Anfield
Os 53.000 de Anfield chegaram ao estádio apostando em alguma reação. O Liverpool precisava de pelo menos dois gols para empatar o agregado — e sabia que teria de marcar primeiro. Durante uma hora e meia, os Reds tentaram. Pressionaram, criaram, até acertaram a trave. Mas ali estava Gianluigi Donnarumma, inabalável.
Aos 72 minutos, Khvicha Kvaratskhelia recebeu na esquerda, cortou para dentro e rolou para Ousmane Dembélé, que bateu de primeira no canto. O gol matou a partida — e às 72 minutos da virada, ao mesmo tempo que entrava um pênalti na telinha do VAR a favor do Liverpool, o árbitro desfez a jogada. O estádio protestou. O PSG respirou.
No acréscimo, a sentença final: Dembélé recebeu em profundidade, conduziu com calma e fuzilou para fazer 0-2. Agregado 0-4. Missão cumprida com soberania.
O campeão defensor da Champions não tomou um gol sequer nas quatro partidas das quartas. É o tipo de estatística que define uma candidatura ao título.
"Jogamos como uma grande equipe. Sabemos o que podemos fazer quando estamos concentrados." — Ousmane Dembélé, após o jogo
Para o Liverpool, o adeus precoce deixa perguntas: em um momento em que o futebol inglês atravessa uma crise de identidade europeia, perder para o PSG com essa margem é um sinal de alerta que vai além desta temporada.
Atlético segura o furacão Barcelona
No Metropolitano, a equação era diferente mas o thriller foi equivalente. O Atlético chegava para o jogo de volta com a vantagem de 2-0 construída em Barcelona — um resultado que parecia confortável, mas ficou longe disso nos primeiros 24 minutos desta terça.
Lamine Yamal — o fenômeno de 17 anos que não para de crescer — abriu o placar com um corte e uma finalização de quem não tem medo de nada. Antes dos 25 minutos, Ferran Torres fez 0-2 e deixou tudo igual no agregado. O Metropolitano ficou em silêncio. Simeone gesticulava na beira do campo.
Foi então que Marcos Llorente, veterano e nunca descartado, achou Ademola Lookman com um passe milimétrico na saída do sistema. O nigeriano tocou com precisão cirúrgica: 1-2 no placar do jogo, 3-2 no agregado. O Atlético estava novamente na frente.
O Barcelona tentou mais uma vez empurrar o peso. Mas aos 79 minutos, Eric García entrou pesado em Sørloth dentro da área e recebeu cartão vermelho direto. Com dez homens, a missão se tornou impossível. O 1-2 no placar do jogo foi o 3-2 que enviou o Atlético às semifinais pela primeira vez em quase uma década.
Simeone, que conhece esse torneio como ninguém na Espanha, ergueu o punho. O bloco baixo, a intensidade, a saída em contra-ataque — tudo funcionou como devia quando mais importava.
Números que contam a história
Liverpool 0-2 PSG — Agregado: 0-4
| Stat | Liverpool | PSG |
|---|---|---|
| Chutes (no alvo) | 8 (2) | 7 (4) |
| Posse de bola | 58% | 42% |
| Gols | 0 | 2 |
| Gols no agregado | 0 | 4 |
Atlético Madrid 1-2 Barcelona — Agregado: 3-2 (Atlético avança)
| Stat | Atlético | Barcelona |
|---|---|---|
| Gols no jogo | 1 | 2 |
| Gols no agregado | 3 | 2 |
| Jogadores expulsos | 0 | 1 (Eric García) |
| Jogadores em campo (2º tempo) | 11 | 10 |
Semifinais à vista — e mais drama vem por aí
O PSG e o Atlético garantiram suas vagas. Mas a chave de semifinais ainda depende do que acontecer nesta quarta-feira (15/04): Real Madrid visita o Bayern de Munique precisando virar um 1-2 do jogo de ida, enquanto o Arsenal recebe o Sporting de Lisboa.
Os confrontos das semifinais serão definidos após os sorteios da UEFA. Os jogos de ida estão programados para 28 e 29 de abril, com a volta em 5 e 6 de maio.
Uma coisa é certa: seja qual for o cruzamento, o PSG chega como grande favorito. Os franceses — como analisado nesta coluna após a ida contra o Liverpool — têm construído um projeto de dominância continental que hoje encontrou sua confirmação mais expressiva.
O Atlético, por sua vez, chega como o outsider perfeito. Raça, organização e Simeone no banco são suficientes para assustar qualquer um que estiver no caminho.
A Champions de 2026 está chegando ao ponto em que o futebol vira arte — ou tragédia.
Fonte: ESPN, NBC Sports, Al Jazeera | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


