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Celta 1x2 Real Madrid: Valverde salva Madrid no último suspiro da LaLiga

Tchouaméni abriu, Borja Iglesias empatou, e Valverde explodiu no 90+4' para garantir vitória que mantém o Real Madrid a um ponto do Barcelona na LaLiga.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
5 min de leitura
Celta 1x2 Real Madrid: Valverde salva Madrid no último suspiro da LaLiga
Ilustracao — Balaidos iluminado na noite do gol de Valverde que manteve o Real Madrid na disputa pelo titulo

Há momentos no futebol que parecem escritos com tinta de outro mundo. O Balaídos, com seus 22.048 torcedores, estava prestes a testemunhar mais um tropeço de um Real Madrid em frangalhos — dez desfalques, um time remendado, a crise pregada na testa. Então Federico Valverde pegou a bola no quarto minuto de acréscimo, bateu com fé e a trajetória se encarregou do resto. O Real Madrid venceu o Celta de Vigo por 2 a 1 na rodada 27 da LaLiga e permanece a um ponto do Barcelona na briga pelo título espanhol.

Para quem acompanhou o estado de emergência que antecedeu a partida, a vitória soa ainda mais improvável. Dez jogadores indisponíveis, escalação de improviso, pressão de um campeonato onde cada ponto vale uma eternidade. E ainda assim, Madrid saiu de Vigo com os três pontos guardados no bolso.

Gols e lances decisivos

O roteiro começou a favor dos visitantes ainda nos primeiros minutos. Aos 11', Alexander-Arnold tabelou em cobrança de escanteio curto com Arda Güler, que devolveu na medida para a entrada da área. Tchouaméni, sem hesitar, encheu o pé e mandou no ângulo, desviando no poste antes de entrar. Primeiro gol do francês em partida de LaLiga desde abril de 2024 — e que oportunidade para quebrar o jejum.

Mas o Celta, jogando em casa, não estava disposto a capitular. Aos 25', Williot Swedberg recebeu lançamento longo pela esquerda, deixou Alexander-Arnold para trás com facilidade e rolou para o centro. Borja Iglesias, na segunda trave, encostou com calma: 1 a 1. O Balaídos rugiu, e por longos 65 minutos Madrid conviveu com o espectro do empate — resultado que não o ajudaria na tabela.

Quando o árbitro já erguia os dedos para o quarto minuto adicional, Valverde recebeu a bola na entrada da área, ajeitou e bateu forte. A trajetória desviou em Marcos Alonso e enganou o goleiro Guaita. O uruguaio correu para a bandeira de escanteio, os reservas desceram das arquibancadas do banco de reservas e aquele canto da Galícia virou, por alguns minutos, um pedaço da Comunidade de Madrid.

Análise tática: sobreviver para vencer

Carlo Ancelotti esboçou um 4-3-3 compacto que, na prática, funcionou mais como um 4-5-1 nos momentos sem bola. Com tantas ausências na linha de frente e no meio, a proposta foi clara: segurar o Celta nos espaços e aproveitar a qualidade individual dos que restavam.

O Celta de Claudio Giráldez tentou pressionar alto nos primeiros 20 minutos e colheu frutos — o gol de empate nasceu exatamente dessa intensidade. Mas após o 1 a 1, a equipe galega recuou, confiou no placar e acabou sendo surpreendida pelo letal contragolpe madridista nos acréscimos. O time que sobrevive também vence: é o DNA do Real Madrid nas noites difíceis.

A entrada de Tchouaméni como volante mais adiantado foi uma aposta de Ancelotti que funcionou dos dois lados — o francês anotou o gol e ainda cobriu espaços importantes no meio. Arda Güler, aos 20 anos, voltou a mostrar que o talento não espera por ninguém: foi ele quem criou o lance do primeiro gol com a assistência na escanteio curto.

Tchouaméni, Güler e Valverde: heróis improváveis

Numa noite em que os titulares usuais não estavam disponíveis, três nomes escreveram a história do Madrid em Vigo. Tchouaméni, por vezes criticado por sua eficiência ofensiva, provou que pode ser decisivo — e, de quebra, assinou um golaço. Arda Güler seguiu evoluindo como a joia mais polida da Fábrica do Bernabéu.

Mas a noite pertenceu a Valverde. Federico, o uruguaio que nunca desiste, marcou no lance em que menos se esperava, confirmando aquilo que já virou truísmo no futebol espanhol: quando Madrid precisa, ele aparece. Não à toa, foi o mesmo Valverde que salvou o Real em situações similares nos últimos anos.

Para quem olha para o futuro — e o próximo desafio é o duelo das oitavas da Champions contra o Manchester City —, ver jovens e reservas respondendo sob pressão é um sinal encorajador.

Os números do Balaídos

EstatísticaCeltaReal Madrid
Posse de bola52%48%
Chutes (no gol)9 (3)11 (4)
Escanteios46
Faltas cometidas1412
Público22.048

O Celta criou mais do que o placar indica, mas esbarrou na solidez do goleiro madridista e na ineficiência nos momentos cruciais. Madrid, por sua vez, foi eficiente quando teve que ser — e isso, nas guerras de LaLiga, é o que mais importa.

Próximo compromisso: Elche em casa, com o título na mira

Com os três pontos garantidos no Balaídos, o Real Madrid retorna ao Bernabéu para receber o Elche no sábado, 14 de março, pela rodada 28 da LaLiga. Uma vitória pode, dependendo dos resultados do Barcelona, aproximar ainda mais a diferença no topo da tabela.

O calendário reserva para depois o clássico madridista contra o Atlético, no dia 22 de março — e, no horizonte, a Champions League com o Manchester City. Uma agenda que exige saúde e profundidade de elenco, dois itens que Madrid recuperará com o retorno dos desfalques.

Por ora, basta a alegria do 90+4'. O futebol, como a vida, reserva seus melhores capítulos para quando tudo parece estar perdido.

Fonte: ESPN | beIN Sports

Fonte: ESPN, beIN Sports, TNT Sports | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.