Brasileirão 2026: volantes dominam a artilharia após Rodada 13
Carlos Vinícius lidera com 7 gols, mas o dado que mais chama atenção no Brasileirão 2026 é a sequência atrás dele: três volantes — Danilo, Christian e Edenílson — entraram na briga pela artilharia. Os números mostram uma inversão tática e por que defesas estão sofrendo com chegadas de segunda linha.


A planilha do Brasileirão 2026 conta uma história curiosa após 13 rodadas. Carlos Vinícius, do Grêmio, é o artilheiro isolado com 7 gols. Até aí, nada fora do padrão. O estranho começa logo abaixo dele: dos quatro maiores goleadores da competição, três jogam de volante — função historicamente associada a desarmes, recomposição e proteção da zaga, não a balançar a rede.
Danilo, do Botafogo, tem 6 gols em apenas 9 partidas pela Série A. Christian, do Cruzeiro, soma 5. Edenílson, também do Botafogo, marcou 4. Não é coincidência, não é uma rodada solta de números: é um padrão que se repete há semanas e está mudando a cara ofensiva do campeonato. Vamos abrir a planilha e entender o que está por trás desse fenômeno.
O retrato da artilharia após 13 rodadas
Antes de qualquer leitura tática, vale fixar os dados na cabeça. A foto do topo da tabela de goleadores é esta:
| # | Jogador | Time | Posição | Gols | Jogos |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Carlos Vinícius | Grêmio | Centroavante | 7 | — |
| 2 | Danilo | Botafogo | Volante | 6 | 9 |
| 3 | Christian | Cruzeiro | Volante | 5 | — |
| 4 | Edenílson | Botafogo | Volante/Meia | 4 | 11 |
Se a competição fosse decidida no critério "gols por posição esperada", teríamos um baque conceitual: três dos quatro nomes do topo deveriam, em tese, estar atrás dos atacantes na fila de goleadores. Não estão. E o caso do Botafogo é ainda mais curioso — Danilo, sozinho, tem mais gols na Série A que Arthur Cabral (4), o atacante titular do clube, e supera todos os atacantes do elenco somados em determinados recortes da temporada.
Os números não saem do nada. Vêm de chegada à área, finalização de fora e jogadas trabalhadas em transição. Mas o ponto é tático: as estruturas dos times brasileiros em 2026 estão liberando os volantes para serem agentes ofensivos, e as defesas adversárias ainda não calibraram a marcação para isso.
O que os números dizem sobre os volantes
Os dados individuais reforçam que não é estilo de finalização "de longe ou nada". Os três volantes chegam à área. Vejamos a planilha do trio:
| Métrica | Danilo | Christian | Edenílson |
|---|---|---|---|
| Gols (Brasileirão) | 6 | 5 | 4 |
| Assistências | 3 | 1 | 3 |
| Jogos | 9 | — | 11 |
| Passes decisivos | 13 | — | — |
| Recuperações de bola | 46 | — | — |
| Desarmes | — | 12 | 0 |
| Interceptações | — | 11 | — |
| Aproveitamento do time com ele em campo | — | — | 72,2% |
| Aproveitamento do time sem ele | — | — | 35,4% |
A combinação de números do Edenílson é a mais reveladora. O volante não fez nenhum desarme no Brasileirão 2026. Ele não está em campo para roubar bola — está para chegar como segundo homem na área e finalizar. O Botafogo aproveita 72,2% dos pontos quando ele joga e cai para 35,4% quando ele falta. Em uma amostra ainda pequena, é um dos efeitos individuais mais brutais da competição.
Christian é o equilíbrio do trio. No Cruzeiro, soma 12 desarmes e 11 interceptações, mostrando que ainda atende às funções clássicas de volante, mas se desloca para finalizar no momento certo. Já participa de um gol a cada três jogos disputados.
Danilo é a peça mais completa. Os 13 passes decisivos em 9 jogos colocam o camisa 8 do Botafogo entre os criadores mais produtivos da competição, e os 46 recuperações de bola provam que ele ainda joga a primeira função. Marca, distribui e ainda recompõe — combinação rara na Série A.
A inversão tática: por que volantes marcam mais agora
Existem três motivos estruturais para o fenômeno, e todos se encaixam:
1) Atacantes estão sendo marcados em zona alta. Defesas brasileiras subiram a linha em 2026. Times como Internacional, São Paulo e Palmeiras pressionam saída de bola e tentam criar duelos individuais com os centroavantes adversários antes mesmo de o jogo chegar ao terço final. Resultado: o atacante leva a marcação consigo e abre o corredor central.
2) O segundo homem está livre. O espaço entre a linha defensiva e o meio-campo adversário virou "terra de ninguém" em vários jogos do Brasileirão. Volantes que sobem em segunda linha encontram a bola sem marcação direta e finalizam em condição limpa. Edenílson contra Chapecoense fez exatamente isso nos dois gols que marcou na Rodada 12.
3) Os técnicos legitimaram o movimento. Diferente de anos anteriores, os comandantes não puxam o volante de volta. Renato Paiva no Botafogo, Leonardo Jardim no Cruzeiro e Mano Menezes no Grêmio (em diferentes momentos) construíram saídas de bola que acomodam um terceiro homem na área — geralmente um meio-campista vindo de trás.
A consequência é a planilha que mostramos no início. E os 7 gols de Carlos Vinícius, embora liderem, têm peso simbólico cada vez menor: o atacante representa o velho modelo, em que o "9" resolvia. Os 15 gols somados pelos volantes Danilo, Christian e Edenílson representam o novo desenho.
O caso Danilo: o motor do Botafogo
Vale isolar o caso Danilo porque ele é o representante mais escandaloso desse fenômeno. Aos 33 anos, com passagem por Palmeiras e Nottingham Forest, Danilo vive o ano mais artilheiro da carreira. Os 8 gols na temporada (somando todas as competições) já superam os 7 que ele havia feito em 2022, antes da venda para a Premier League.
A diferença é onde ele finaliza. Em 2022, marcava de fora da área e em chutes cruzados. Em 2026, está aparecendo nas costas dos volantes adversários, dentro da grande área. Foi assim contra o Internacional na Rodada 13, em jogo que terminou 2 a 2 — o golaço de fora de área comemorado com o técnico já viralizou, mas a posição em que partiu (entrelinhas, livre) é o que importa para a leitura tática.
Os 13 passes decisivos em 9 jogos completam o quadro: Danilo não é apenas oportunista. Ele é o jogador que decide as fases do Botafogo. Em uma reportagem recente, a CNN Brasil destacou que ele entrou no radar da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026 — e a conta fecha. Pelo menos em produção ofensiva por minuto, há poucos brasileiros melhores em sua posição.
Christian e Edenílson: precisão de oportunista
Christian, do Cruzeiro, é o menos midiático do trio, mas talvez seja o mais técnico. Os 5 gols no Brasileirão saíram de 8 finalizações no alvo — taxa de conversão acima de 60%, número absurdo para qualquer posição, ainda mais para um volante. O apelido "Motorzinho", que ganhou na Toca, descreve bem o estilo: volume de movimentação alto, presença constante na segunda linha, decisão fria nos minutos finais. Já liderou o ranking de gols decisivos da Raposa em 2026.
Edenílson é o caso oposto em estilo: chegou ao Botafogo na janela do meio do ano e em 11 jogos já marcou 4 e deu 3 assistências. Não desarma, não recompõe. É um meia clássico de área, daqueles que aparecem em terceiro tempo e finaliza. Em determinadas escalações do Botafogo, joga praticamente como segundo atacante — o que ajuda a entender os gols, mas também complica a categorização. Para efeitos da artilharia, está listado como volante porque inicia as jogadas pela linha de quatro do meio-campo.
O que isso muda para a Copa do Mundo 2026
Carlo Ancelotti precisa fazer uma convocação para a Copa em junho. A discussão pública gira em torno dos atacantes — quem leva, quem fica. Mas há uma leitura paralela: o Brasileirão 2026 está revelando que o próximo gol decisivo da Seleção pode sair do pé de um volante chegando em segunda linha, e não do centroavante.
Casemiro, Gerson, Bruno Guimarães e André já são nomes consolidados. Os números do Brasileirão sugerem que Danilo merece avaliação séria como camisa 8 ofensivo — função que existe quando o time não tem um meia-armador clássico no esquema. Christian e Edenílson estão um passo atrás na fila da Seleção, mas representam a tendência.
A artilharia, no fim do dia, é só a fotografia do que está acontecendo. Quem só olhar Carlos Vinícius perde a história. Comparado ao perfil ofensivo de Kevin Viveros no Athletico-PR, o domínio dos volantes é um contraponto: enquanto o colombiano cumpre o papel clássico do "9", o trio de meio-campistas está fazendo aquilo que, há cinco anos, seria estatisticamente improvável.
E quando os números se repetem por 13 rodadas, deixam de ser improvável e viram tendência. O Brasileirão 2026 já deu seu recado: na briga pelo gol, o segundo homem não chegou para descansar. Chegou para finalizar. Para acompanhar como Carlos Vinícius reage a esse cerco, vale revisar a evolução do artilheiro do Grêmio na temporada — e checar como a Rodada 13 redesenhou o G4.
Perguntas frequentes
- Quem é o artilheiro do Brasileirão 2026?
- Carlos Vinícius, atacante do Grêmio, lidera a artilharia com 7 gols em 13 rodadas e segue como referência ofensiva isolada na competição.
- Quantos volantes estão entre os maiores artilheiros do Brasileirão 2026?
- Três: Danilo (Botafogo) com 6 gols, Christian (Cruzeiro) com 5 e Edenílson (Botafogo) com 4. Os três aparecem entre os quatro maiores goleadores da Série A.
- Quantos gols Danilo tem no Brasileirão 2026?
- Danilo soma 6 gols em apenas 9 jogos pelo Botafogo na Série A, além de 3 assistências e 13 passes decisivos. Na temporada cheia, são 8 gols.
- Por que volantes estão marcando tantos gols no Brasileirão 2026?
- A chegada à área em segunda linha tem ficado livre porque defesas se preocupam em marcar atacantes e laterais. Volantes infiltrados aproveitam o espaço entre zaga e meio-campo adversário.
Fonte: Flashscore, Central da Toca, Fogo na Rede, GremioNews, CNN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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