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Brasileirão 2026: os números do campeonato mais goleador em anos

109 gols em 37 jogos, média de 2,95 por partida e nenhum 0x0 até a 3ª rodada. Os dados das primeiras semanas revelam um Brasileirão 2026 diferente de tudo o que vimos recentemente.

Thiago Borges
Thiago Borges
5 min de leitura
Brasileirão 2026: os números do campeonato mais goleador em anos
Ilustração — Estádio brasileiro sob os holofotes, cenário de um dos inícios de Brasileirão mais goleadores da história

Quatro rodadas. Trinta e sete partidas. Cento e nove gols. Se havia dúvida sobre se o Brasileirão 2026 seria diferente dos anteriores, os números das primeiras semanas eliminam qualquer questionamento. A média de 2,95 gols por jogo é a mais alta para um início de Série A desde 2019 — bem acima dos 2,40 registrados no mesmo período em 2025.

Não é coincidência. É estrutura, elencos, e um campeonato que entrou em campo com sede de gol.

O que os números dizem: um campeonato em modo ofensivo

O dado mais emblemático das quatro primeiras rodadas é simples: nenhum jogo terminou 0 a 0 até a terceira rodada. Para quem acompanha o futebol brasileiro há anos, sabe o quanto isso é incomum. O famoso "segurão" que marcou tantas edições parece ter dado lugar a equipes dispostas a arriscar.

O fator casa, como esperado, segue influente: 43% das partidas terminaram em vitória do mandante, com apenas 24% de triunfos visitantes. Mas o dado que mais chama atenção é outro — o time da casa abriu o placar primeiro em 57% dos confrontos. Ou seja, as equipes saíram para jogar desde o apito inicial, sem esperar o adversário tomar o jogo.

O resultado é um campeonato que já acumula mais gols em suas primeiras quatro rodadas do que o Brasileirão 2025 inteiro tinha no mesmo ponto. Para quem gosta de dados, este começo é um presente.

Tabela e classificação: trio de ferro paulista faz história

A classificação após quatro rodadas traz uma marca histórica: pela terceira vez no formato de pontos corridos, Palmeiras, São Paulo e Corinthians ocupam simultaneamente as três primeiras posições do Brasileirão no início do torneio.

PosTimePtsJVEDGPGCSG
1Palmeiras104310125+7
2São Paulo10431062+4
3Corinthians74211

O Palmeiras é o mais eficiente: 12 gols marcados em quatro jogos, com Vitor Roque confirmando o porquê custou tanto. O São Paulo impressiona pelo outro lado: apenas 2 gols sofridos em quatro partidas, a melhor defesa do campeonato até aqui. Roger Machado, que chegou para substituir Crespo, começa em grande estilo.

Já os números do Corinthians revelam uma campanha sólida que explica por que o clube está no G4 — e que não deve ser tratada como coincidência.

Do outro lado da tabela, o Flamengo preocupa. O clube tem a pior média de gols sofridos entre os grandes de 2026: considerando todos os compromissos do ano (Carioca, Supercopa, Recopa e as rodadas do Brasileirão), foram 17 gols em 12 partidas, média de 1,4 por jogo. É o retrato de uma defesa que precisa de ajustes urgentes, independentemente do que o novo ciclo técnico vier a propor.

Artilharia e destaques individuais

A artilharia já revela surpresas. O líder compartilhado é um nome esperado e um que ningúem apostaria no começo do ano:

PosJogadorTimeGols
1Carlos ViniciusGrêmio4
1DaniloBotafogo4
3Vitor RoquePalmeiras2+

Carlos Vinicius segue sendo um dos fenômenos do futebol brasileiro. Como já analisamos aqui no portal, o centroavante do Grêmio acumula uma média de gols absurda desde que chegou ao clube — e o Brasileirão começa a provar que não é fluke.

Mas o nome que mais surpreende é Danilo. O volante do Botafogo — sim, um volante — divide a liderança da artilharia com quatro gols. É a prova de que o futebol de posição praticado por Martín Anselmi libera o jogador de marcação para chegar com perigo na área adversária.

Gabigol, no Santos, tenta reencontrar o caminho do gol em mais uma fase de sua carreira. Pedro, no Flamengo, busca ser o porto seguro de um ataque que precisa de referência. A 5ª rodada — que começa hoje à noite — pode embaralhar esse ranking.

Contexto e comparações: por que 2026 é diferente

Três fatores explicam o volume ofensivo:

1. Nomes de peso nas áreas: O retorno de Gabigol ao Santos, a chegada de Vitor Roque ao Palmeiras e a continuidade de Carlos Vinicius no Grêmio criaram um campeonato com artilheiros de peso em várias franjas da tabela. Mais atacantes de qualidade = mais gols.

2. Elencos robustecidos pelo mercado: O Brasileirão se tornou a segunda liga que mais investe no mundo em 2026. Esse dinheiro se traduz em jogadores de maior qualidade técnica, que tomam decisões melhores na última linha. O resultado aparece no placar.

3. Mudança de mentalidade: Equipes como Chapecoense — recém-promovida — e Mirassol, que já provaram que podem jogar bola na elite, contribuem para um campeonato mais aberto. Não há mais "times de viagem" esperando o 0x0.

O Remo, de volta à Série A pela primeira vez desde 2005 (mais de 32 anos fora), representa esse novo mapa do futebol nacional — e já apontou que não veio para ser figurante.

Conclusão: a 5ª rodada e o que esperar

Os dados das quatro primeiras rodadas pintam um Brasileirão 2026 que vai exigir atenção constante. Nenhuma posição está consolidada, nenhuma defesa é inexpugnável, e o placar 0x0 parece ter virado pecado.

A 5ª rodada começa hoje com jogos de alto impacto: Flamengo enfrenta o Cruzeiro no Maracanã, Vasco recebe o Palmeiras, e Atlético-MG mede forças com o Internacional — que tenta finalmente sair do zero de vitórias no campeonato. Cada partida pode redefinir o topo e o fundo da tabela.

Em um Brasileirão como esse, um empate pode custar caro. Um gol pode mudar tudo.

Os números do campeonato até aqui autorizam o otimismo. Que venham mais 34 rodadas assim.

Fonte: CBF, Sofascore, Diário do Peixe, Transfermarkt, CNN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.