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Botafogo x Santos: o Peixe a um ponto do Z4 sem Neymar

Décimo segundo contra 15º, 22 pontos contra 21, e um Santos que desembarca no Rio com seis desfalques — Neymar e Gabigol entre eles. O Botafogo marca 1,82 gol por jogo e sofre exatamente a mesma coisa. Os números de um duelo que pesa muito mais para quem perder.

Thiago BorgesThiago Borges7 min de leitura
Botafogo x Santos: o Peixe a um ponto do Z4 sem Neymar
Nilton Santos recebe Botafogo x Santos na volta do Brasileirão — Foto: Reprodução / Gazeta Esportiva

O Brasileirão volta nesta quinta-feira e escolheu justamente a parte de baixo da tabela para reabrir as portas. Botafogo x Santos, às 19h30 no Nilton Santos, coloca frente a frente o 12º colocado, com 22 pontos, e o 15º, com 21 — dois times separados por um ponto na tabela e por praticamente nada em termos de projeto. O detalhe que muda o peso da noite: o Vasco, primeiro time dentro do Z4, tem 20. Uma derrota santista no Rio, somada a um tropeço alheio, empurra o Peixe para o buraco antes mesmo de a rodada terminar.

E o Santos chega desfalcado do que tem de melhor.

Ficha técnica

JogoBotafogo x Santos
CompetiçãoBrasileirão Série A — 19ª rodada
Data e horaQuinta-feira, 16/07/2026, às 19h30 (Brasília)
LocalEstádio Nilton Santos, Rio de Janeiro (RJ)
Onde assistirRecord (TV aberta), Premiere (pay-per-view) e CazéTV (YouTube)
TécnicosFranclim Carvalho (BOT) x Cuca (SAN)

Botafogo x Santos: 31 gols marcados, 31 sofridos

O retrato estatístico do Botafogo em 2026 cabe numa simetria quase cômica: em 17 jogos, o time marcou 31 vezes e foi vazado 31 vezes. Saldo zero. São 1,82 gol pró e 1,82 gol contra por partida — um dos ataques mais produtivos de toda a metade inferior da tabela convivendo com uma defesa que entrega tudo de volta.

Esse é o time que Franclim Carvalho assumiu e ainda não conseguiu equilibrar. Os 22 pontos em 17 rodadas dão média de 1,29 por jogo — ritmo que, esticado pelas 38 rodadas, terminaria perto dos 49 pontos. Sobra para não cair, não chega perto de nada. Para efeito de comparação, o Palmeiras lidera com 41 pontos: 19 a mais que o Glorioso, com o campeonato ainda na metade.

O problema do Botafogo não é criar. É que cada jogo dele vira uma corrida de quem erra menos atrás — e contra um Santos sem seus dois principais finalizadores, essa pode ser justamente a noite em que a defesa frágil encontra o adversário certo.

O Santos chega ao Rio pela metade

Cuca desembarcou no Rio com seis ausências, e duas delas são o time inteiro em termos de repertório ofensivo:

  • Gabigol — suspenso, após ser expulso na derrota para o Vitória, na Vila Belmiro. É o artilheiro do time na temporada.
  • Neymar — ganhou dias extras de descanso depois da Copa do Mundo e só se reapresenta ao CT Rei Pelé na sexta-feira, 24 horas depois do apito final deste jogo.
  • João Schmidt — vetado por desconforto na coxa direita.
  • Pepê Firmino — lesionado.
  • Moisés — segue com dores.
  • Gustavo Caballero — ainda sem condição de jogo.

Em abril, este portal analisou os dados da dependência do Santos em relação a Neymar e Gabigol. A tese envelheceu bem, e da pior maneira possível para o torcedor: sempre que a dupla falta, o time perde não só gols, mas a própria ideia de como chegar até eles. Rony e Barreal herdam a missão, e nenhum dos dois vive fase que sustente sozinho um ataque em jogo de seis pontos.

Some-se o calendário. Como já mostramos ao detalhar a maratona santista de quatro jogos em 12 dias, este é apenas o primeiro compromisso de uma sequência que atravessa Brasileirão e Sul-Americana sem respiro. Poupar não é opção quando o Z4 está a um ponto — mas rodar o elenco com seis desfalques também não é.

Escalações prováveis

O Santos deve ir a campo no 4-3-3, com Gabriel Menino improvisado na direita e Gustavo Henrique deslocado para a proteção da zaga:

Do lado do Botafogo, Franclim deve escalar um 4-4-2 com Léo Linck; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Huguinho, Cristian Medina, Lucas Villalba e Kauan Toledo; Matheus Martins e Lucas Emanuel. A dúvida está na dupla de ataque: Lucas Emanuel, atacante de 17 anos que fez 15 gols em 15 jogos pelo sub-17 e foi promovido à intertemporada, disputa a vaga com Kadir. Por isso o time da casa fica sem o campo tático aqui — quando a escalação tem uma incógnita real, o desenho engana mais do que informa.

Histórico do confronto

O retrospecto geral é santista e vem de longe: 117 jogos, 46 vitórias do Santos, 33 empates e 38 do Botafogo, com 196 a 163 no placar agregado. O primeiro duelo foi em 14 de abril de 1918, na Vila Belmiro, e terminou 8 a 2 para o Peixe — um número que hoje parece piada, mas está lá.

Só no Brasileirão, são 63 jogos: 24 vitórias do Santos, 20 empates e 19 do Botafogo. A vantagem histórica, porém, some quando o jogo é no Rio, onde o Glorioso venceu 14 vezes.

E o recorte recente inverte tudo. Nos últimos dez encontros, o Botafogo levou a melhor em quatro, o Santos em dois, e outros quatro terminaram empatados. O último foi em outubro do ano passado, no Rio: 2 a 2.

Pontos táticos

A faixa central do Santos é o teste. Willian Arão e Gustavo Henrique formam um miolo de contenção, não de construção — o que joga todo o peso criativo em Rollheiser. Se o Botafogo conseguir sombrear o argentino, o Santos vira um time que atravessa o campo só pelas pontas, com Miguelito e Barreal atacando um a um. É jogo de baixa taxa de conversão.

Os 31 gols sofridos do Botafogo têm endereço. Um time que leva 1,82 por partida costuma sofrer nas transições, e Alex Telles subindo pela esquerda deixa espaço que Miguelito sabe atacar. A questão é se o Santos, sem Gabigol, tem quem finalize a jogada depois de criá-la.

Bola parada pode decidir. Com dois ataques capengas — um por desfalque, outro por falta de método —, o cenário de 0 a 0 até os 70 minutos é plausível. Nessa situação, a altura de Luan Peres e Lucas Veríssimo vira arma santista, e é justamente onde a defesa do Botafogo tem falhado.

Palpite

O Botafogo joga em casa, tem o retrospecto recente a favor, e enfrenta um Santos sem seus dois melhores jogadores e com meio-campo montado para não perder — não para ganhar. O Santos, por outro lado, joga com a faca no pescoço, e times nessa situação costumam entregar 90 minutos de intensidade que a tabela não prevê.

O peso maior está nos desfalques. Sem Neymar e Gabigol, o Peixe precisaria de uma noite acima da curva de Rony e Barreal para vencer fora de casa — e nada nos últimos jogos sugere isso. Mas a defesa do Botafogo é generosa o bastante para transformar qualquer chegada em gol.

Palpite: Botafogo 1 x 1 Santos. Empate que não resolve a vida de ninguém, mantém o Peixe respirando por um ponto e deixa o Glorioso exatamente onde está: no meio, sem rumo. Se quiser entender como esse tipo de empate mexe na tabela lá na frente, vale revisar os critérios de desempate do Brasileirão 2026 — saldo de gols zerado, como o do Botafogo, não ajuda ninguém.

A rodada 19 ainda tem Vitória x Vasco no mesmo horário, o que significa que a briga contra o rebaixamento se resolve em paralelo. O Santos entra em campo sabendo que o resultado do outro jogo pode empurrá-lo para o Z4 mesmo sem ele perder.


Escalações e informações de desfalques confirmadas por Gazeta Esportiva e Lance!.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
Que horas é Botafogo x Santos?
A partida começa às 19h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira, 16 de julho, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.
02
Onde assistir Botafogo x Santos ao vivo?
A Record transmite em TV aberta, o Premiere no pay-per-view e a CazéTV no YouTube.
03
Neymar joga Botafogo x Santos?
Não. Ele ganhou dias extras de descanso após a Copa do Mundo e só se reapresenta ao Santos na sexta-feira, um dia depois do jogo.
04
Por que Gabigol está fora do jogo contra o Botafogo?
Gabigol cumpre suspensão automática após ser expulso na derrota do Santos para o Vitória, na Vila Belmiro.
05
Como Botafogo e Santos estão na tabela do Brasileirão?
O Botafogo é o 12º, com 22 pontos, e o Santos o 15º, com 21 — apenas um ponto acima do Vasco, que abre a zona de rebaixamento.

Fonte: Gazeta Esportiva, Lance!, VAVEL Brasil · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.