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Athletico-PR 4x1 Botafogo: goleada e vice-liderança no Brasileirão

Viveros marcou dois, Esquivel balançou a rede de escanteio direto e a torcida entoou olés enquanto o Botafogo afundava na crise e no Z-4.

Patrícia Mendes
Patrícia Mendes
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Athletico-PR 4x1 Botafogo: goleada e vice-liderança no Brasileirão
Athletico-PR goleia o Botafogo na Ligga Arena e assume a vice-liderança — Foto: Reprodução / ESPN

A Ligga Arena virou uma festa de goleada. Aos 3 minutos, Viveros já atacava. Aos 48 do primeiro tempo, marcava de novo. Quando Esquivel cobrou escanteio e a bola entrou direto no ângulo no segundo tempo, a torcida do Athletico-PR não precisou mais gritar nome de jogador — só entoou "olé". O Botafogo saiu da Arena da Baixada por 4 a 1, afundado no Z-4, sem técnico fixo e sem nenhuma resposta coletiva para os problemas que se acumulam semana após semana.

O jogo atrasado da 5ª rodada virou um termômetro preciso do momento dos dois clubes: o Furacão em alta, com a terceira vitória seguida e a vice-liderança; o Fogão em queda livre, com apenas seis pontos em sete jogos e uma crise que vai muito além do campo.

Gols e lances decisivos

O Athletico entrou com energia desde o apito inicial. Aos 3 minutos, Viveros recebeu pelo lado direito, cortou para dentro e bateu rasteiro — sem chance para Raul. O gol precoce impôs o ritmo do jogo.

O Botafogo, porém, acordou perto do intervalo. Aos 42', Edenilson aproveitou rebote dentro da área após confusão na zaga atleticana e empatou. O alívio durou seis minutos. No acréscimo do primeiro tempo, Viveros recebeu na frente em contra-ataque, desta vez com menos pressão, e bateu cruzado para recolocar o Athletico à frente: 2 a 1.

O segundo tempo foi só do Furacão. Logo aos 4', Juan Aguirre subiu mais que todo mundo numa bola parada e cabeceou sem chances para o goleiro. Aos 36', veio o lance que selou a noite: Esquivel cobrou escanteio, a bola viajou em trajetória caprichosa e encobriu Raul antes de bater no fundo — gol olímpico. A torcida foi ao delírio.

A tática que expôs o Botafogo

Odair Hellmann montou o Athletico com pressing alto e dois homens de velocidade pelos flancos — Viveros e Mendoza — para castigar a saída de bola botafoguense. O Botafogo de Rodrigo Bellão (interino após a saída de Artur Jorge) tentou pressionar no início, mas sem organização defensiva suficiente para neutralizar as transições atleticanas.

A linha de quatro do Botafogo apresentou falhas graves de marcação individual. Barboza, que errou no gol de Viveros ao deixar o atacante escapar em profundidade, teve uma noite difícil. Alex Telles pouco contribuiu na fase ofensiva. A ausência de um técnico com autoridade consolidada para corrigir esses erros em tempo real ficou evidente.

Athletico, ao contrário, mostrou um time bem treinado. Luiz Gustavo funcionou como âncora protegendo os espaços. Dudu e Jadson deram equilíbrio ao meio-campo. E Esquivel, pela esquerda, foi uma constante ameaça — e foi ele quem encerrou a noite com o golaço olímpico.

Viveros, o protagonista da noite

O atacante colombiano foi o melhor em campo sem discussão. Dois gols, presença constante e mobilidade que a defesa do Botafogo não conseguiu travar. Viveros já soma quatro gols em cinco rodadas — artilheiro do Athletico-PR e um dos nomes mais consistentes do Brasileirão 2026 até aqui.

Esquivel completou a boa noite dos estrangeiros no time paranaense com o gol olímpico, um lance de técnica e frieza que normalmente pertence a cobranças de falta — mas que desta vez saiu de escanteio.

Números do jogo

DadoAthletico-PRBotafogo
Gols41
Finalizações146
Escanteios72
Posse de bola52%48%

A goleada coloca o Athletico-PR com 16 pontos em 7 jogos, dividindo a vice-liderança com São Paulo e Fluminense — a três pontos do Palmeiras, que lidera com 19. O Botafogo permanece na 17ª colocação com 6 pontos, ainda na zona de rebaixamento.

Gols: Viveros (3'/1ºT), Edenilson (42'/1ºT), Viveros (48'/1ºT), Aguirre (4'/2ºT), Esquivel (36'/2ºT)

A crise do Botafogo que não tem fim

Não é só o resultado que preocupa. O Botafogo demitiu Artur Jorge e ainda busca um substituto permanente. Entrar em campo sob o comando de um técnico interino em uma partida que precisava de pontos para sair do Z-4 resume o tamanho do problema.

No campo, Arthur Cabral foi apagado. Cristian Medina, que deveria ser o motor do meio, sumiu depois do empate. E a defesa, formada por jogadores de qualidade individual inquestionável, segue apresentando falhas coletivas que indicam falta de organização sistêmica.

A pressão sobre o próximo técnico do Botafogo — quem quer que seja — vai ser enorme.

Próximos compromissos

O Athletico-PR volta a jogar pelo Brasileirão na próxima rodada com a moral em alta e a torcida energizada. Para o Botafogo, o cenário é ainda mais urgente: cada rodada sem vitória aprofunda o buraco na tabela, e a diretoria precisa resolver a questão do treinador com rapidez.

A goleada desta noite foi um retrato fiel do futebol brasileiro neste início de 2026: um time organizado com técnico consolidado destrói um rival rico mas desestruturado. O placar fala por si.

Fonte: ESPN Brasil, Lance!, CNN Brasil | Informações adicionais por Beira do Campo

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Patrícia Mendes
Patrícia Mendes

Analista Tática

Formada em Educação Física e pós-graduada em Análise de Desempenho Esportivo. Certificada pela UEFA em análise tática. Cobre futebol feminino e masculino com profundidade técnica.