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Aston Villa 3x0 Freiburg: Emery faz história e quebra jejum de 30 anos

Tielemans, Buendía e Morgan Rogers comandaram a goleada inglesa no Beşiktaş Park. Aston Villa conquista a primeira Europa League da história e ergue o primeiro troféu desde 1996. Unai Emery vira pentacampeão da competição.

Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos
6 min de leitura
Aston Villa 3x0 Freiburg: Emery faz história e quebra jejum de 30 anos
Aston Villa goleou o Freiburg por 3x0 em Istambul e conquistou o primeiro título europeu desde 1982 — Foto: Reprodução / UEFA

Trinta anos depois da última taça em Birmingham, o Aston Villa voltou a tocar prata. No Beşiktaş Park lotado, em Istambul, os ingleses atropelaram o Freiburg por 3x0 na final da Europa League 2025/26 com gols de Youri Tielemans, Emiliano Buendía e Morgan Rogers. Foi o terceiro troféu continental do clube e o primeiro desde a inesquecível Copa dos Campeões de 1982 sobre o Bayern de Munique. Para Unai Emery, é o quinto título da competição — façanha que ninguém mais sequer chegou perto de alcançar.

O roteiro reproduzido em Istambul tinha cara de cinema. Villa pressionando alto, Freiburg encolhido, e a precisão cirúrgica que virou marca registrada de Emery em finais europeias. O técnico basco soma agora três taças com o Sevilla, uma com o Villarreal e uma com o Villa — uma coleção que o coloca no panteão dos maiores estrategistas da história recente do futebol de clubes.

Os gols que decretaram a coroação

O Aston Villa demorou para impor seu ritmo, mas quando achou o caminho não soltou mais. O primeiro nasceu aos 41 minutos da etapa inicial: Morgan Rogers cruzou flutuado da direita e Youri Tielemans, em corrida diagonal, devolveu de primeira no canto esquerdo de Noah Atubolu. Gol cirúrgico, daqueles que silenciam o estádio.

Três minutos depois, ainda antes do intervalo, John McGinn marcou pressão alta sobre a defesa alemã, recuperou a bola e tocou para Buendía na entrada da área. O argentino girou sobre Philipp Lienhart e mandou um chute de canhota no ângulo direito, sem chance para o goleiro. Aos 45'+3', o jogo já estava praticamente decidido.

Na volta do intervalo, o Freiburg tentou subir as linhas, mas o golpe veio em mais um lance de categoria. Aos 58, Buendía descolou um drible curto pela esquerda, eliminou o lateral e cruzou rasteiro. Morgan Rogers, ganhando a corrida de Lienhart no primeiro pau, empurrou para o fundo. Goleada construída, troféu encaminhado.

Análise tática: o manual de Emery em finais

Não é coincidência. Quando o jogo vale uma vitrine continental, Emery transforma seus times em máquinas previsíveis na defesa e letais no contra-ataque. Em Istambul, o Villa montou um 4-4-2 compacto sem a bola, com Tielemans e Lindelof como dupla de proteção e os pontas (Rogers e Buendía) caindo para formar quatro homens no meio.

A estratégia foi sufocar a saída curta do Freiburg, especialmente pelo lado de Vincenzo Grifo, que pouco apareceu no campo de ataque. Os alemães, acostumados a construir desde o goleiro com paciência, foram empurrados para lançamentos longos pouco produtivos contra Pau Torres e Konsa. A consequência: a equipe de Julian Schuster terminou sem finalizações dentro da área no primeiro tempo.

Com a vantagem, o Villa fechou ainda mais. Tyrone Mings entrou no lugar de Pau Torres aos 65 para formar terceiro zagueiro, Onana ganhou minutos para travar passes, e Maatsen apareceu na lateral para neutralizar Manzambi pela direita alemã. Foi gestão de jogo da casa cheia — exatamente o que se espera de um técnico que já ergueu cinco taças desta competição.

Destaques individuais

Emiliano Buendía foi escolhido o melhor em campo. Marcou o segundo, deu a assistência do terceiro e ainda jogou recuado por boa parte do segundo tempo para ajudar na construção. O argentino, que passou 18 meses afastado por lesão no joelho entre 2023 e 2024, viveu em Istambul a noite mais simbólica da sua carreira.

Youri Tielemans abriu o placar e comandou o meio-campo com calma de craque. O belga, ex-Leicester, soma agora três decisões europeias na carreira (Champions com o Anderlecht jovem, FA Cup com o Leicester e Europa League com o Villa) e cresce como nome para a Eurocopa de 2028.

Morgan Rogers confirmou por que se tornou peça-chave de Emery. Deu a assistência do primeiro, marcou o terceiro e foi o jogador que mais correu (12,1 km) entre os 22 em campo. Aos 23 anos, o inglês formado no Manchester City se credencia para uma vaga fixa na seleção de Thomas Tuchel.

Pela parte alemã, Noah Atubolu evitou que a goleada fosse maior com pelo menos três defesas decisivas. Já Junior Adamu, esperança de gol do Freiburg, mal foi acionado pelos companheiros — sintoma de uma equipe completamente dominada.

Os números do jogo

CategoriaAston VillaFreiburg
Posse de bola58%42%
Finalizações176
No alvo71
xG2,40,5
Escanteios83
Faltas914
Cartões amarelos23

Os dados confirmam o que os olhos viram: domínio quase absoluto do Villa, com superioridade em todas as métricas de criação. O xG do Freiburg de apenas 0,5 escancara a impotência ofensiva alemã contra a marcação de Emery.

Significado histórico

Para o Aston Villa, a noite em Istambul encerra um jejum doloroso. O último troféu do clube havia sido a League Cup de 1996, conquistada sobre o Leeds em Wembley. O último título europeu remontava a 1982, na Copa dos Campeões erguida contra o Bayern em Roterdã. Quase meio século depois, os Villans voltam a ser referência continental.

Para Unai Emery, é mais um capítulo de uma trajetória que já não cabe em comparações. O basco se tornou pentacampeão da Europa League e ampliou a vantagem sobre Rafa Benítez (3) e Diego Simeone (2) no ranking de técnicos com mais conquistas. Em finais europeias, Emery tem agora seis vitórias em sete decisões — números que beiram o irreal.

Vale lembrar que esta é a segunda vez que Emery enfrenta o Aston Villa em uma final continental: em 2019, comandando o Arsenal, perdeu para o Chelsea em Baku. Quase sete anos depois, a história foi reescrita do outro lado do gramado. O ciclo se completa.

O que vem por aí

Com o título, o Aston Villa garante vaga direta na fase de liga da Champions League 2026/27 — independentemente do que acontecer na reta final da Premier League, onde a equipe luta por uma posição na zona europeia continental. A taça também rende mais de 30 milhões de euros em premiação UEFA, fôlego importante para o projeto esportivo de Monchi.

Já o Freiburg deixa Istambul com a frustração da derrota, mas com o consolo de viver a melhor temporada europeia da sua história. Os alemães terminam classificados para a próxima Europa League e fecham o ciclo de Julian Schuster como técnico-revelação da Bundesliga. Para os brasileiros, a final reforça duas teses: a Liga Europa segue como vitrine para clubes médios e o futebol inglês continua sendo o palco mais competitivo do continente, como confirma a briga pela vaga europeia na Premier League 2025/26.

O Aston Villa volta a Birmingham nesta quinta-feira (21) para festejar com sua torcida em desfile aberto pelas ruas do centro. Para Emery, resta a próxima missão: levar o clube de volta à elite continental e mostrar que o título de Istambul foi apenas o começo de algo maior.

Perguntas frequentes

Qual foi o placar da final da Europa League 2026?
O Aston Villa venceu o Freiburg por 3x0 no Beşiktaş Park, em Istambul, e levantou o troféu da Europa League 2025/26.
Quem marcou os gols de Aston Villa x Freiburg?
Youri Tielemans (41'), Emiliano Buendía (45'+3') e Morgan Rogers (58') balançaram a rede para os ingleses.
Quantos títulos de Europa League tem Unai Emery?
Cinco no total: três pelo Sevilla (2014, 2015 e 2016), um pelo Villarreal (2021) e agora um pelo Aston Villa em 2026.
Quando foi o último título do Aston Villa antes de 2026?
A última taça do clube havia sido a League Cup inglesa em 1996, três décadas atrás. O último troféu europeu era a Copa dos Campeões de 1982.
Para qual competição o Aston Villa se classificou com o título?
O campeão garantiu vaga direta na fase de liga da UEFA Champions League 2026/27.

Fonte: UEFA, ESPN, Sky Sports, Lance, Correio Braziliense | Informações adicionais por Beira do Campo

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Marcos Vinícius Santos
Marcos Vinícius Santos

Correspondente Internacional

Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.