Arsenal 1x0 Atlético: Saka leva os Gunners à final em Budapeste
Vinte anos depois, o Arsenal volta a uma final de Champions League. Saka resolveu antes do intervalo, o Atlético se chocou contra a parede de Saliba e Arteta agora espera o vencedor de PSG x Bayern em Budapeste.


Existe um tipo de noite que só acontece no norte de Londres quando o destino aceita ser provocado. O Arsenal venceu o Atlético de Madrid por 1x0 nesta terça-feira no Emirates, fechou o agregado em 2x1 e devolveu, vinte anos depois, o nome dos Gunners ao roteiro de uma final de Champions League. Bukayo Saka marcou o gol que coroou Mikel Arteta como o homem que, sem barulho de marketing, reconstruiu o clube tijolo a tijolo até a Puskás Aréna, em Budapeste, no dia 30 de maio.
A trama foi exatamente a que se desenhava desde a ida no Metropolitano, empate em 1x1: o Atlético chegando para sufocar e o Arsenal apostando que sua organização aguentaria um Diego Simeone fora de casa. Aguentou, e ainda sobrou energia para furar o concreto rojiblanco antes do intervalo. Saka entrou para a história num lance que vai ficar nas retinas do Emirates por uma geração.
O lance que destravou Londres
Aos 44 do primeiro tempo, Viktor Gyökeres apareceu pela esquerda, tabelou com Trossard e o belga ajeitou o pé para chutar cruzado. Jan Oblak, sempre Oblak, espalmou. Mas a bola, em vez de morrer no campo, sobrou cuspida exatamente onde estava o capitão Saka — o moleque que cresceu no Hale End e que agora carrega o brasão sobre o peito como se fosse pele. Empurrão de primeira, gol e o Emirates vibrando como nas noites em que Henry, Bergkamp e companhia atropelavam a Champions.
Foi o 13º gol de Saka na temporada e, mais importante, o segundo decisivo em mata-mata europeu — selo de quem cresce nos jogos grandes. Arteta, no banco, fez aquele gesto contido de sempre, como se tivesse medo de espantar o feitiço. Cinquenta minutos depois, espantou.
Atlético bateu na pedra que Saliba virou
Simeone tentou tudo. Tirou Llorente, colocou Correa, sacou Koke, lançou Griezmann pelo lado, deixou Julián Álvarez pendurado no meio do ataque e, no fim, ainda pôs três zagueiros no banco para mandar mais gente à frente. Tudo esbarrou em William Saliba — o francês fez uma das melhores partidas da sua carreira, escorando, antecipando, ganhando pelo alto e pelo solo. Foi a cabeça e foi a clavícula daquela linha defensiva.
Gabriel Magalhães trabalhou em modo silencioso, mas eficiente, e Declan Rice cobriu metro por metro o que Ödegaard precisou pisar a mais. Os números resumem: o Atlético finalizou 12 vezes, mas apenas duas no gol, e nenhuma com perigo real. xG do colchonero na partida: 0.6, segundo o WhoScored. O Arsenal, com 1.3, mereceu.
A entrada de Piero Hincapié virou nota de pé de página com sabor latino: o equatoriano, contratado em janeiro, debutou em mata-mata europeu como ala-esquerdo improvisado e, aos 66, cruzou rasteiro para Gyökeres, que mandou por cima. Se tivesse entrado, era 2x0. Não entrou, mas o Hincapié foi para casa com a vaga numa final de Champions — o tipo de linha que sobra no currículo de qualquer jogador da América do Sul.
Vinte anos para chegar de volta
Não dá para falar dessa noite sem olhar para trás. A última final do Arsenal foi em 17 de maio de 2006, no Stade de France, com Jens Lehmann expulso aos 18 minutos, Sol Campbell abrindo o placar de cabeça, e Eto'o e Belletti virando para o Barcelona de Ronaldinho. Henry foi capitão e chorou no fim. Wenger, técnico, prometeu voltar. Não voltou.
Foram duas décadas de oitavas perdidas em jogos polêmicos, de eliminações nos tempos de Mesut Özil e Alexis Sánchez, de uma travessia inteira no Europa League, de Unai Emery, de Mikel Arteta como aposta improvável de um clube que se cansava de ser segundo. Hoje o Arsenal volta. E volta sob um treinador que aprendeu observando Pep Guardiola, mas que escreveu o próprio dialeto: pressão alta com rotação de zagueiros centrais, lateral direito invertendo no meio, ponta-direita que vira número 9. Isso terça à noite.
Bayern ou PSG: a final em Budapeste
O adversário ainda não tem nome. Nesta quarta, na Allianz Arena, o Bayern de Munique recebe o PSG defendendo um 5x4 a favor dos parisienses na ida, depois de um espetáculo de nove gols em Paris. Arsenal x PSG seria o reencontro com Luis Enrique, ex-Barcelona, e a chance de Saka cruzar com Dembélé numa final. Arsenal x Bayern seria o duelo entre a defesa que pega tudo e Harry Kane finalmente atrás do troféu que falta. Os dois roteiros são bons. Os dois cabem em Budapeste.
Arteta, no microfone do Emirates, segurou o microfone com o cuidado de quem sabe que ainda não acabou. "É só uma vaga. Ainda falta a parte mais difícil". O Atlético, do outro lado, voltou para Madrid com a sensação de quem foi competente, mas viu Saka decidir num lance em que Oblak fez tudo certo. É a Champions: às vezes você joga bem, defende bem, e mesmo assim sai com a maleta e o silêncio do voo de retorno.
Próximos passos do Arsenal
A Premier League ainda tem três rodadas. O Arsenal está em terceiro, atrás de Liverpool e Manchester City, e precisa segurar a vaga direta na próxima Champions. Mas Arteta já avisou: vai poupar peças no fim de semana contra o Aston Villa. Saka, Saliba, Rice e Ödegaard saem do jogo do campeonato. Olho em Budapeste.
Antes da final, ainda tem uma dúvida que pesa no vestiário: a recuperação física de Gabriel Martinelli, fora desde março, e a janela curta entre o último jogo do Premier League e o dia 30. Mas isso é problema para amanhã. Hoje, no Emirates, vinte anos pararam num só assobio final. E Saka, com o braço estendido, deu o tom da noite: o Arsenal voltou para o lugar onde sempre achou que merecia estar.
Perguntas frequentes
- Quanto foi Arsenal x Atlético de Madrid?
- Arsenal venceu o Atlético de Madrid por 1x0 no Emirates Stadium e fechou o agregado em 2x1, classificando-se para a final da Champions League 2026.
- Quem fez o gol do Arsenal contra o Atlético?
- Bukayo Saka marcou aos 44 minutos do primeiro tempo, completando rebote de Oblak após chute de Trossard.
- Quando e onde será a final da Champions League 2026?
- A final está marcada para 30 de maio de 2026, na Puskás Aréna, em Budapeste, na Hungria.
- Quem o Arsenal enfrenta na final?
- O adversário sai do confronto entre Bayern de Munique e PSG, que se enfrentam pela volta da semifinal nesta quarta-feira (6) na Allianz Arena, com vantagem parisiense de 5x4.
- Há quanto tempo o Arsenal não jogava uma final de Champions?
- Vinte anos. A última final do Arsenal foi em 2006, perdida para o Barcelona em Paris, com Henry como capitão.
Fonte: Gazeta Esportiva, Lance, ESPN, UEFA.com, Sky Sports | Informações adicionais por Beira do Campo

Correspondente Internacional
Morou 8 anos na Europa cobrindo as principais ligas. Fluente em inglês, espanhol e italiano. Acompanha de perto brasileiros no exterior e os bastidores do futebol europeu.


