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Turquia eliminada na Copa 2026: 62 chutes e nenhum gol

A Turquia chegou à Copa 2026 badalada como possível zebra e fez o caminho inverso: 62 finalizações em dois jogos, nenhum gol e a queda na fase de grupos. Os números de um fracasso que entrou para a história dos Mundiais — e a lição sobre criar muito e converter nada.

Thiago BorgesThiago Borges5 min de leitura
Turquia eliminada na Copa 2026: 62 chutes e nenhum gol
Ilustração — a Turquia dominou as finalizações, mas a falta de pontaria custou a eliminação precoce na Copa 2026

A Turquia chegou à Copa 2026 badalada como uma das surpresas em potencial e entregou o cartaz mais cruel possível: dois jogos, 62 finalizações e nenhum gol. A seleção caiu na fase de grupos com zero ponto, zero gol marcado e um número que entrou para a história dos Mundiais — o maior volume de chutes sem balançar as redes de uma seleção em uma única edição desde 1966. O fracasso turco é, antes de qualquer leitura emocional, uma aula sobre a distância entre criar e converter.

O recorde de 62 chutes sem gol

Os números do Grupo D são quase difíceis de acreditar. Somando os 180 minutos contra Austrália e Paraguai, a Turquia finalizou 62 vezes — média de uma tentativa a cada três minutos de bola rolando — e não marcou uma única vez. Segundo levantamento da ESPN, é o maior número de finalizações sem gol de uma seleção em uma só Copa do Mundo desde que a estatística passou a ser contabilizada, em 1966.

Há um detalhe técnico que ajuda a explicar a esterilidade: cerca de metade desses chutes saiu de fora da área. Volume alto, localização ruim. Quando o adversário se fecha atrás da linha da bola e a única saída vira arriscar de longe, a conta tende a não fechar — e foi exatamente o que aconteceu. A Turquia transformou pressão em estatística, não em placar.

Dois jogos, o mesmo roteiro

A estreia contra a Austrália terminou em 2 a 0 para os australianos, mesmo com a Turquia mandando na posse e no número de finalizações. O domínio territorial não se converteu em vantagem no marcador, e a seleção saiu de campo com a sensação de quem mereceu mais do que levou.

A sequência repetiu o enredo. Na derrota para o Paraguai por 1 a 0, gol de Matías Galarza, a Turquia voltou a empilhar escanteios, jogadas pela ponta e chutes de fora — e voltou a parar antes da rede. O Paraguai ainda administrou parte do confronto com um jogador a menos e segurou o resultado que selou a eliminação turca. Em duas atuações de roteiro idêntico, o saldo foi o pior possível: muito trabalho, nenhum produto.

O abismo entre o xG e o placar

É aqui que o dado fica mais expressivo. Pelo volume e pela qualidade das oportunidades criadas, os modelos de gols esperados (xG) apontam que a Turquia deveria ter marcado algo em torno de 3,5 gols nos dois jogos. Marcou zero. A diferença entre o que a seleção produziu de chance e o que efetivamente colocou no placar é a maior de toda a Copa 2026 até agora.

Esse buraco entre xG e gols reais raramente se sustenta por muito tempo — finalizadores costumam "regredir à média" e furar o jejum. O problema da Turquia foi o calendário: numa fase de grupos de margem curta, não houve uma terceira chance para o azar virar gol. O que em uma temporada longa seria corrigido virou, em 180 minutos, uma eliminação definitiva.

A Turquia não está sozinha na lista de eliminados

A seleção turca abriu a fila, mas tem companhia entre os primeiros eliminados da fase de grupos. O recorte abaixo mostra como cada uma chegou à queda precoce:

SeleçãoJogosResultadosGols pró
Turquia20–2 Austrália, 0–1 Paraguai0
Haiti20–1 Escócia, 0–3 Brasil0
Tunísia21–5 Suécia, 0–4 Japão1
Jordânia21–3 Áustria, 1–2 Argélia2
Panamá20–1 Gana, 0–1 Croácia0

A diferença é de natureza. Tunísia e Jordânia caíram levando gols em série; a Turquia caiu sem fazer. Entre as eliminadas, foi a única que combinou domínio aparente de jogo com aproveitamento zero — uma anomalia estatística que será lembrada muito depois de o torneio acabar. No novo formato de 48 seleções, em que até o terceiro lugar pode avançar, terminar com zero ponto e zero gol exige um tipo raro de ineficiência.

O recado para a reta final da Copa 2026

Enquanto a Turquia vira nota de rodapé, os atacantes que sabem o caminho da rede seguem ditando o ritmo do Mundial — como mostra o panorama da artilharia da Copa 2026, em que nomes consagrados já empilham gols com uma fração das chances turcas. O contraste é o ponto: nesta Copa, criar volume virou commodity; converter, não.

O caso turco também serve de alerta para favoritos que vêm acumulando finalizações sem a mesma frieza na conclusão. Num torneio de mata-mata curto e margem de erro mínima, a eficiência ofensiva deixou de ser luxo e passou a ser questão de sobrevivência. A Turquia, com seus 62 chutes e nenhum gol, é a prova mais escancarada de que, na Copa 2026, quem não transforma domínio em placar vai para casa mais cedo — e ainda entra para o lado errado dos livros de recorde.

Tira-dúvidas

Perguntas frequentes

01
A Turquia foi eliminada da Copa 2026?
Sim. A Turquia perdeu para a Austrália por 2 a 0 e para o Paraguai por 1 a 0, somou zero ponto e nenhum gol, e caiu ainda na fase de grupos do Grupo D.
02
Quantos chutes a Turquia deu sem marcar na Copa 2026?
A Turquia finalizou 62 vezes em dois jogos sem balançar as redes, o maior número de chutes sem gol de uma seleção em uma única Copa do Mundo desde 1966.
03
Quais seleções já foram eliminadas na fase de grupos da Copa 2026?
Até o momento, Turquia, Haiti, Tunísia, Jordânia e Panamá deixaram o torneio ainda na primeira fase.

Fonte: ESPN, Yahoo Sports, TNT Sports · informações adicionais por Beira do Campo

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Quem escreve

Thiago Borges
Thiago Borges

Analista de Dados

Cientista de dados e fanático por futebol. Usa estatísticas avançadas (xG, xA, PPDA) para desvendar o que os olhos não veem. Transforma números em histórias.